domingo, 7 de maio de 2017

Ao som de gaivotas

Quero descansar. Acho que, se pudesse, pediria demissão dessa vida que vou levando e procuraria emprego numa outra. Talvez me permitisse ficar desempregada por um tempo, fazendo bicos para ter o que comer e uns trocados para um agrado no final de semana. Eu tomaria uma cerveja na praça, ouviria o moço que está aprendendo a tocar viola, me peguntaria se aquele ponto luminoso ao lado da lua é Vênus e dormiria. E acordaria cedo para vestir meias e caminhar na companhia dos idosos ou só pra ler um romance enquanto o mundo ainda está em silêncio.
Quero descansar. Sei que me aproximo de limites desconhecidos. Ando tateando o escuro para não cair. Venho engatinhando, quase como um filhote com medo de sair das mediações de segurança. Eu nunca vi tanto pijama bonito na minha gaveta ou tanto filme bom pra se rever em DVD. Costumava colecionar, comprava um num dia, preparava tudo para que aquele fosse um bom momento e quando acabava eu não tinha ideia de quando compraria outro, mas esse dia chegava. Estou cansada de fazer planos que ultrapassam as 24h que, com dificuldade, tenho sobre controle.
Quero descansar. Eu só quero um dia desses me deitar na areia e ouvir o som do mar, das gaivotas, da minha respiração... Durante um tempo que não se conte.



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