quinta-feira, 25 de maio de 2017

É imprescindível

Que o estado de celibato não seja quebrado nos próximos 21 meses sob pena de prejuízos mentais que podem vir a refletir ansiedade, angústia, incômodo, pensamentos repetidos, sentimento de culpa e responsabilidade. A economia emocional trará benefícios a longo prazo e os juros de 2% por dia (calculado numa P.A. crescente de razão 1) serão todos recolhidos no momento do resgate da conta.
Dado início já há alguns meses anteriores, essa nota serve como aviso para possíveis dúvidas ou perdas outras.
Atenciosamente, sua mente.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Os finalmentes

Linda, linda, linda, linda e linda.

O meu livro-bíblia de mulher solteira

Meu livro acabou de me pregar uma peça. Eu não acredito em coincidências, vou logo dizendo.
Enquanto estudava pra essa prova senti uma enorme angústia. Mas não para o lado ruim, era uma aflição, ansiedade, não sei, Eu só queria terminar de estudar aquilo e fazer algo divertido, prazeroso. Larguei os textos de filologia românica e me perguntei "E agora? Assisto Inuyasha? Vejo Discovery Home & Health? Pego a toalha pra bordar até me dar sono?" Não. Apesar de tudo isso me dar uma sensação incrível de felicidade e prazer, não era isso que eu queria. Então me lembrei da última coisa que havia me proporcionado algo que talvez suprisse a minha ansiedade: a leitura do meu livro-bíblia: Comer, rezar e amar.
Mas ainda faltava alguma coisa. Fui na cozinha, lembrei que ainda havia 1/5 de uma lata de batatas fritas industrializadas sobre a mesa. Isso bastaria, era gostoso, tinha a gordura e o sal que eu precisava. Então me deitei e comecei a ler.

"Eu precisava fazer alguma coisa em relação àquele meu desejo, então me levantei, fui até a cozinha de camisola, descasquei meio quilo de batatas, eferventei-as, cortei-as, fritei-as na manteiga, salguei-as generosamente e comi tudo até o último pedaço - sem nunca deixar de perguntar ao meu corpo se ele faria a gentileza de aceitar a satisfação de meio quilo de batatas fritas em vez do prazer proporcionado pelo sexo."

Parei. Olhei pra lata de batatas no meu colo.
Meu Deus.
Meu Deus.

Parece que não vou a lugar algum

Inscrição, passaporte, resultado, cancelamento, mudança de planos, formatura, crianças, gêmeos, sorriso, passeio escolar, a vida que eu lutei pra conseguir não vai ser interrompida agora. Obrigada, meu Deus, pelo emprego, pela oportunidade e pela clarividência de que eu não posso sair do Brasil agora.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

Friends pela segunda vez

Sempre fui muito contra ler o mesmo livro duas vezes. Achava que de alguma forma, a emoção de ter lido na primeira seria esquecida, soterrada por uma nova experiência. Mas o engraçado foi que, numa situação de muito caos, a única coisa que eu queria assistir era Friends, mesmo que já tivesse visto tudo dois anos atrás.
Ás vezes a gente se dá conta de que há algo capaz de nos fazer rir quando a vida real está muito muito triste. Funcionou pra mim. Mas como tudo que começa, acabou. É lógico que eu já sabia o que ia acontecer, qual seria o final. Os personagens envelheceram nos dez anos corridos da série, a vida profissional e emocional se desenvolveram, assim como deve acontecer com a minha.
Espero que da próxima vez que começar a assistir Friends não seja porque estou triste, com certeza não vai ser por isso. Eu posso assistir novamente, nunca vai ser igual.

Experiência do Silêncio

Assim que anunciei aos meus amigos que poria em prática o plano de ficar em silêncio por três dias já tive algumas reações. Houve ironia, riso e curiosidade. Particularmente achei o riso de muito mal gosto, afinal, porque rir do anúncio de uma experiência espiritual?
As pessoas com que tive contato demonstraram não estar satisfeitas apenas com a minha presença, elas precisavam, exigiam mais e até brigaram para que eu respondesse com palavras. Questionaram meus motivos, até que me deram um pouco de paz quando se deram conta de que era de cunho religioso, mas não tanto reconhecimento quanto receberia se fosse algo ligado ao cristianismo.
Li num lugar que refletia sobre o budismo que o silêncio é a maior das religiões.
Não digo que foi difícil apenas pelas pessoas exteriores, percebi que conversava com minha própria mente, como se fôssemos duas. Isso não estaria infringindo o conceito? Silenciei minha própria mente.
Reparei que as pessoas falam esperando aprovação, que testam sua opinião, a consistência da sua identidade. Quando reparei que estava reparando demais nas atitudes alheias, me repreendi. Esse não era o meu propósito. Precisava voltar meus ouvidos para o mundo e para mim mesma, não para fazer um inventário sobre o comportamento e a comunicação humana.
Fui obrigada a soltar umas palavras em contextos inevitáveis e me odiei por ainda não ter aprendido Libras. Minha voz estava rouca, a garganta desconfortável. Mas eu queria ficar assim por mais tempo. Quem sabe em um mês ou dois minhas conclusões fossem mais consistentes? Não quiseram sair comigo. Fui dispensada de um passeio porque não acrescentaria palavras e "ia ser muito difícil". Ouvi que aquela não era eu, achei engraçado. As pessoas precisam muito de uma voz para suprir a solidão. Não é à toa que muitos não se importam em ficar a sós com o barulho da televisão ou uma música tocando. Incomoda tanto uma presença te olhando com carinho?É uma pena. Há tanto mais sendo dito numa pessoa que se coloca do seu lado em silêncio do que outra que fala sem te deixar pensar.
Tudo isso aconteceu e a coisa toda durou pouco mais que 24h completas.




sábado, 13 de maio de 2017

Y llegaste tú

"Y llegaste tú y me sorprendió
El poder que había en este amor
Y llegaste tú una bendición
Aún recuerdo el momento en que todo cambió
Y llegaste tú y me sorprendió
El poder que hay en este amor
Y llegaste tú, una bendición
Aún recuerdo cuando llegaste tú"


Querido bebezinho, a tia chorou muito só de saber que você está a caminho. A música é romântica, o resto da letra não tem muito a ver pra dedicar a você, mas só esse pedacinho já mostra o que você é pra nós. Engraçado, quando a sua mãe disse que estava grávida eu tive uma sensação forte de que você é um menininho. Será que estou errada? Ou certa?
De qualquer forma, meu amor, eu já me sinto apaixonada por você.

domingo, 7 de maio de 2017

Ao som de gaivotas

Quero descansar. Acho que, se pudesse, pediria demissão dessa vida que vou levando e procuraria emprego numa outra. Talvez me permitisse ficar desempregada por um tempo, fazendo bicos para ter o que comer e uns trocados para um agrado no final de semana. Eu tomaria uma cerveja na praça, ouviria o moço que está aprendendo a tocar viola, me peguntaria se aquele ponto luminoso ao lado da lua é Vênus e dormiria. E acordaria cedo para vestir meias e caminhar na companhia dos idosos ou só pra ler um romance enquanto o mundo ainda está em silêncio.
Quero descansar. Sei que me aproximo de limites desconhecidos. Ando tateando o escuro para não cair. Venho engatinhando, quase como um filhote com medo de sair das mediações de segurança. Eu nunca vi tanto pijama bonito na minha gaveta ou tanto filme bom pra se rever em DVD. Costumava colecionar, comprava um num dia, preparava tudo para que aquele fosse um bom momento e quando acabava eu não tinha ideia de quando compraria outro, mas esse dia chegava. Estou cansada de fazer planos que ultrapassam as 24h que, com dificuldade, tenho sobre controle.
Quero descansar. Eu só quero um dia desses me deitar na areia e ouvir o som do mar, das gaivotas, da minha respiração... Durante um tempo que não se conte.



sábado, 6 de maio de 2017

Estudar, do latim STVDIVM

Estudar é ver em cada informação uma oportunidade de pensar, relacionar e construir a partir de.

LXXVII, Antonio Machado

Identifique-se, homem moderno.

*

Es una tarde cenicienta y mustia,destartalada, como el alma mía;y es esta vieja angustiaque habita mi usual hipocondría.La causa de esta angustia no consigoni vagamente comprender siquiera;pero recuerdo y, recordando, digo:-Sí, yo era niño, y tú, mi compañera.
Y no es verdad, dolor, yo te conozco,tú eres nostalgia de la vida buenay soledad de corazón sombrío,de barco sin naufragio y sin estrella.Como perro olvidado que no tienehuella ni olfato y yerrapor los caminos, sin camino, comoel niño que en la noche de una fiestase pierde entre el gentíoy el aire polvoriento y las candelaschispeantes, atónito, y asombrasu corazón de música y de pena,así voy yo, borracho melancólico,guitarrista lunático, poeta,y pobre hombre en sueños,siempre buscando a Dios entre la niebla.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Mirante

Chega um momento em que a gente aprende a dividir algumas coisas só com papai do céu porque as pessoas, e isso inclui a si mesmo, não conseguem alcançar as redes complexas que compõem os sentimentos.
Eu pensava que tomava minhas atitudes baseando-me em "Faça o que gostariam que fizesse com você" e sua respectiva negação, mas engano-me fácil logo a recobrar que a gente só faz o que quer. Se eu quis perdoar e me sinto bem com isso não há pessoa, nem mesmo eu, que tenha o direito de questionar. Deus, eu espero que você entenda. Porque eu mesma só descubro do que sou capaz depois do que já fiz.
Se houvesse um museu com paredes de vidro cuja observação fosse voltada apenas para a paisagem, eu gostaria de ir. Para olhar, me sentir segura e conversar baixinho por horas com você.


Tempo tempo tempo

Existe uma série de conceitos que são revisados quando você se torna uma pessoa grande. A Cássia Eller era bem uma bruxa quando dizia que o "para sempre" acabava. Ela, entre outras, era uma das que desmitificava a sensação mágica, utópica, que fazia da nossa vida um pouco mais lenta, uma possibilidade no meio do infinito.
Quando crianças, tudo parece muito muito distante, tanto que quando a professora fala assim "Vocês verão isso na oitava série" a gente ri porque o que ela não sabe é que naquela idade, a gente tem certeza de que falta tanto, mas tanto pra oitava série que podemos afirmar, com toda certeza, de que ela nunca vai chegar. E o nunca é bem assim mesmo, algo que no começo é só uma risada.
Apesar disso, a tendência de acreditar que as coisas tem um ponto final começa na infância, com a organização temporal, que mesmo sendo uma bagunça, e um dia virando uma eternidade, sabemos que depois da noite vem um outro dia. As histórias tem um fim, a semana acaba com dois dias de descanso, no final do ano há férias e sempre há um aniversário para mostrar que você está ficando cada vez mais velho.
Essa necessidade de fechar ciclos se acentua com a escola, as datas comemorativas, as promessas de ano novo. Você se vê crescendo e o seu tempo infinito agora não passa de números e datas, você começa a reclamar das poucas 24h do dia que não dão pra nada, mas que antes eram mais que suficientes para todas as suas aventuras.
Na adolescência tudo é um caos. O relógio só funciona na função "Cronômetro" e a sua sanidade vai sendo consumida pelos ponteiros que vão sempre pra frente, pra frente. Pra sempre? Nunca? Você já não sabe se pode usar essas palavras para os outros ou para si mesmo. O que eu sou, o que eu faço, de quem eu gosto, a quem eu ouço. Suspendem-se suas certezas como pó translúcido.
Abra uma casa abandonada, pegue os lençóis e jogue a poeira no ar. Deixe pairar. Esse é o adolescente. Aquele que flutua em sua própria instabilidade. Palavra essa que vira um mantra na vida adulta. E o tempo, o para sempre e o nunca, todos, todos agora são relativos.
Sua inocência se perde e a maturidade fecha os olhos que você tem voltados para o mundo fantástico. O para sempre e o nunca não fazem parte da vida adulta porque nessa fase tudo que você não tem é tempo para gastar com bobagens.
Hoje tenho idade pra ser adulta, conceitos por demais infantis e perguntas que pairam na adolescência. O nunca se aplica bem as coisas que fogem do meu paradigma e o para sempre a tudo de nobre que carrego em mim.