terça-feira, 18 de abril de 2017

Águas termais

Um homem toca a campainha. Ele teve um duro dia no trabalho, carrega o peso do mundo nos ombros. Está cansado, quer tirar o paletó. A porta se abre e a sua esposa está de pé, sorrindo. Ela veste uma túnica de tecido grosseiro, amarrado à cintura por uma corda trançada. Os cabelos estão arrumados num penteado bonito de cachos, usa acessórios num tom fosco de ouro velho. Convida-o para entrar, fecha a porta, puxa os ombros do paletó para libertar os braços. São movimentos calmos, cuidadosos. O homem jovem quase comete o erro de perguntar o significado da luz baixa, do perfume de flores, mas o silêncio conta tudo a ele. Será uma boa experiência, não corte a suave música exótica que envolve o ar, os passos, as surpresas a cada movimento, não fale, não interrompa, não suje o imaculado silêncio.
Há uma bacia de metal diante da poltrona da sala a qual a mulher o direciona. O homem se senta e em poucos segundos a esposa dobra os joelhos, dobra-lhe a barra das calças, tira-lhe os sapatos e as meias. Molha-lhe os pés na água translúcida e morna. O corpo se aquece, relaxa na poltrona, deixa-se entregar ao prazer dos dedos macios da esposa entre os seus.
Tudo é calmo e passivo. Pouco tempo passa até que a esposa se levanta após enxugar-lhe os pés num cálculo evidente afim de evitar que a água esfrie e cause um choque desconfortável. Segurando-o pelas mãos, o encaminha para o banheiro. A mulher despe completamente o marido e indica um banco onde deve sentar-se de costas para ela. O silêncio é subitamente cortado pelo barulho da água que lhe cai quente sobre as costas. É bom, é um alívio, ele fecha os olhos. O seu bem massageia-lhe com uma esponja macia, limpa e perfuma seu corpo, passa as mãos para que a água caia em todas as partes necessárias. Não exagera, não aperta, não machuca, não quer excitá-lo, apenas limpa-lo e perfuma-lo suavemente.
Em pouco tempo lava-lhe a cabeça, enxágua e fecha o registro. As toalhas vêm dobradas, secas e macias em direção ao rosto, à cabeça, braços, pernas, tronco, costas. Ela embrulha-o num roupão e calça sandálias. Direciona-o ao quarto cuja cama tem uma pequena toalha sobre o travesseiro, onde ele descansará os pensamentos.
Deita-o. A noite cai fresca. Senta na beirada da cama com o penteado já um pouco desfeito, o corpo marcado d'água pelo tecido agora transparente. Ela sorri e acaricia o rosto do esposo. As palavras flutuam pelo quarto, o bem estar entra pelas narinas, preenche o pulmão. Ele parece menos cansado, mais feliz. Ela fica satisfeita por tê-lo mostrado uma forma alternativa de se fazer o amor e ele cai no sono em seus braços. Lindamente.  

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