segunda-feira, 20 de março de 2017

Livrai-nos de todo mal

Se eu pudesse desenhar, faria muitos traços fortes contrastando com linhas finas no mesmo sentido, para que ficasse bem dramático, bem pesado. Seria uma amazona de um metro e oitenta, com os cabelos escuros ao vento, encaixando o elmo da armadura no topo da cabeça.
A armadura estaria chamuscada, amassada, um pouco gasta de todas as batalhas que ela enfrentou, e apesar de tudo isso, seu rosto ainda estaria sereno. Uma espada e um grande escudo solar no chão. Uma capa esvoaçante e surrada também não cairia mal. Por baixo de todo metal há um corpo feminino, acreditem.
Se pudessem ver o desenho dessa mulher, sentiriam seus corações se curvarem diante de tamanha coragem. Seus olhos estão fechados, voltados para dentro em seu ritual. Não há nada em sua mente, não há uma prega de incerteza na testa, nem tremor nas mãos delicadas.
Ela sabe que nasceu com um propósito, ela sabe que ainda não foi cumprido e que há muitas estradas deveras distantes a percorrer, perigos, e aventuras a sua espera, já era hora de vestir a armadura novamente. Não há arrependimento, tudo é aprendizado, até a queda. Os cabelos estão crescidos, repare, preste bem atenção no tempo que passou. Foi mais que o suficiente.
Ela está pronta para lutar pela justiça, pelo amor, pela paz, por Athena.

Amém.


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