quinta-feira, 23 de março de 2017

Ah, minh' adorada

Se eu tivesse que assumir amor por uma abstração, seria pela Faculdade de Letras da UFRJ. Venho de uma cidade psicológica e geograficamente distante na qual na Universidade Federal do Rio de Janeiro só os mais dedicados e inteligentes ingressavam.
Para completar, fica numa ilha que só não é imaginária porque é possível ver o Centro de Tecnologia da ponte Rio-Niterói. No entanto, apesar de todas as adversidades, e falta de crença no meu potencial intelectual, o meu nome estava na quinta linha da lista de 2013.2
A minha incredulidade do dia que anunciou minha entrada não é menor da que eu sinto quando, logo cedo, ponho meus pés naquele chão de pedra, grama, orvalho e poesia.
Pergunto-me se mais alguém reparou na beleza das florezinhas cor-de-rosa das árvores do estacionamento ou nas paisagens utópicas que dão pra fora das janelas.
Respiro fundo, caminho em direção à porta, estou na minha casa.
Antes eu era uma menina com um sonho, hoje estou quase me formando nele.

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