quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A greyness I used to call freedom

Havia uma cama de casal, um armário a esquerda e uma tv em frente, não a mim, mas a você. Diante dos meus olhos apenas letras de um livro eletrônico o qual eu pausava, às vezes, para te perturbar com os pés. O fio o conectava ao videogame que por sua vez o conectava a tela da tv e ao mundo imaginário cujo herói usava uma espada, mas na realidade coçava os dedos para não ajeitar os óculos. Cansado de talvez ser incomodado com aquela baboseira de massagem, você puxou meu pé direito para o colo e num movimento rápido com a cabeça mandou-me sossegar porque travara uma batalha muito importante.
Permaneci comportada passando as páginas do livro, no entanto a atenção estava de fato na coluna corcunda e pernas de índio cruzadas lá na ponta da cama. Comecei a mover os dedos do pé em sua barriga na tentativa de cócegas e consegui arrancar um sorrisinho, eu vi, eu juro que vi. E eu adorava quando você dava corda.

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