quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rafaela e Núbia

No último domingo eu estive tomando conta de duas menininhas. Uma de seis (sete agora dia 22/02) e a outra, mais velha, de nove anos. Eram irmãs, mas muito opostas, a mais velha era mais obediente, companheira, sem perder a infantilidade, claro. E a mais novinha, completamente espevitada, corajosa, o tipo de criança que sabe te testar.
A Núbia andou de braço dado comigo, deitou a cabeça no meu corpo na segunda vez que eu dei um "olá".
- Não sei se você sabe, mas a gente já brincou um dia. - Ela disse quando nos reencontramos pela manhã depois de alguns anos sem nos vermos (que pelos meus cálculos, seriam uns três anos).
- Eu sei, lembro-me bem, eu até fiz pipoca pra gente comer junto.
A minha frase a iluminou. "Como é bom quando somos lembrados" pude depreender da expressão facial daquela criança.
Elas pediram para ir à piscina, pediram para a mãe permissão para que eu tomasse conta, porque, afinal, eu já sou grande e posso olhá-las. É uma responsabilidade muito grande, mas eu fui, e já fui ditando as regras.
- Não passem da metade pra lá porque não consigo vê-las e se acontecer algo eu não posso pular pra salvar vocês.
- A sua mãe me disse mais cedo que você não pode entrar na água porque está com cólica. A minha mãe disse que eu tinha muita cólica quando era bebê... Isso quer dizer que você não pode tomar banho? - Perguntou Núbia.
- Hm... - Busquei na memória com que idade, exatamente, a minha mãe tinha me explicado o que era "virar uma mocinha", mas não tive tempo de raciocinar porque já estava demorando muito para dar a resposta, então só disse - É complicado. Eu fico aqui da sombra olhando vocês. Podem ir, mas antes, coloquem os chinelos na sombra.
Núbia brincava na borda rasa da piscina, intencionalmente na minha frente, para facilitar meu trabalho enquanto Rafaela, vulgo Fafinha, dava altas barrigadas quando descia do tobogã. Elas conversaram na borda, Núbia me apontou uma garota com um belo maiô, Rafaela se atreveu a ir pouco além do que eu tinha permitido. Eu incumbi Núbia de ir buscá-la e relembrar meu pedido/proibição. Depois disso eu estive no parquinho, na gangorra, no pula-pula, na sala de computadores vestindo princesas online, e no quarto ao brincar com uma parte da coleção de lego que elas tinham. Minha cabeça voou. Eu já não sabia o que a minha companhia refletia, se eu sentia mais vontade de ser amiga das crianças ou se eu queria uma pra mim.

"Você deve ser a menina mais especial da sua sala."
Tive que segurar o choro quando a Núbia disse isso quando estávamos no balanço. Ela com certeza repararia minha lágrima, só não teria maturidade para entender a minha dor.


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