segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carta 2

A luz do abajur ilumina o meu companheiro cujo cansaço é quase tão evidente quanto o meu. Há meses vem pelejando nesta guerra cheia de fundamentos, esperança e morte. O livro é longo e, quando quer, mostra o quão difícil e massante pode ser uma leitura de derrotas.
Angustio-me, choro, fico feliz por Perpétua e inconformada com o destino de Rosário. Sigo identificando-me com Manuela, a que narra e faz diários.
Privo-me do sono como uma viúva das cores, numa conformidade religiosa. Dormir tem me assustado. Temo que os sonhos continuem falando-me e portanto, faço da leitura um belo castigo no qual me encontro, em romance, com a minha face mais moça, a parte sonhadora que preocupa, mas não dói.


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