domingo, 8 de janeiro de 2017

Se essa rua,

Se essa rua tivesse boca, das águas impuras dos boeiros, sairiam crimes, brigas, confissões de adolescentes e muita sujeira. Se essa rua tivesse olhos eles mostrariam a realidade se modificando, os anos passando, as gerações, os imigrantes, os que morreram e os que cresceram ali. Seria mesmo um filme genial e nostálgico.
Se essa rua fosse um pouco mais que um lugar de passagem, e se por um dia se tornasse um passageiro, com certeza ensinaria-nos a todos como varrer o chão, cuspir dentro de casa e guardar o lixo para as latas.
Se essa mesma rua pudesse me contar, com sua experiência, por onde os meus passos me levarão, eu seria com certeza uma nômade para nunca chegar. As minhas memórias estão nessa rua e quantas mais se tornarão paralelepípedos, degraus, curvas?

Se essa rua,
Se essa rua fosse minha,
Eu mandava,
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas,
Com pedrinhas de brilhantes
Só pro meu
Só pro meu amor passar.

Ah, rua, quantas mocinhas saltitaram por você? Não sou mais moça, não mais saltito, mas ainda passo. E passo pensando.

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