terça-feira, 25 de abril de 2017

Arrepiada até a espinha

Existe um nível de tremedeira desconhecida até o momento que eu já não sei se é sexual, meu Deus, se houvesse um vibrador nessa frequência o mundo seria um lugar melhor. Mas se for religioso, credo em cruz, me exorcizem.
Eu não reconheci a sua voz. Você. Eu pedi a Deus ontem e você me liga hoje.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O cara da estatua de perto da UERJ


Querido Deus,

Eu nunca te escrevi uma carta, mas essa é pra você.
Eu tenho sido o mais compreensiva, o mais amável e proativa que nos últimos anos, então, por favor, por favor, me faça parar de sofrer pelo que não vale a pena. Eu não aguento mais me questionar e remoer uma culpa que eu não tenho por algo que nem cometi.
Meu Deus, eu me rendo, eu me rendo ao seu poder e a sua grandeza. Só me faça esquecer. Eu tenho tirado força das coisas pequenas, da simplicidade, mas isso não ameniza a ansiedade e as minhas noites cheias de pesadelos. Eu não aguento mais o fardo dessa lembrança. Meu coração dói, eu não quero nada, nem o que foi bom. Eu não quero lições, nem memórias, nem esse nome assombrado. Por que você me permitiu amar nessa intensidade? Eu não quero ódio a minha volta, não quero ser uma pessoa rancorosa e orgulhosa, por isso te suplico, me faça esquecer tudo.
Olhe por mim. Estou aprendendo, mas não tem sido nada fácil. Meu Deus, eu não quero me lembrar, por favor, tire da minha mente esse mal. Faça de mim alguém melhor sem que eu precise olhar para trás e ver essa cicatriz purulenta que lateja.

domingo, 23 de abril de 2017

2010

Quando as pessoas me perguntam e eu digo que voltei a escrever, penso no Sávio, no Demetrius e nas horas que dediquei escrevendo centenas de páginas dando voltas, mil voltas, para mostrar o que eu entendia por amor.
Ah, meninos, meus meninos queridos, que saudade que tenho de vocês. Vejo próximo o dia do nosso reencontro. Minha escrita mudou, vocês podem perceber, está mais curta, objetiva. Não digo mais dramática, porque isso não é algo que muda por gradação, mas, bem, nada como aquele efeito "soco no estômago" de fim de linha.

Essa coisa chamada descoberta

Cinco anos se passaram e eu continuo ouvindo as mesmas músicas quando quero pensar que estou fazendo uma viagem de carro. No fim, tudo se resume a músicas de viagens, redescobrimento, repetição, percepção e detalhes.
Amei minha lista canceriana no Spotify e "City and Colour" voltou pra me mostrar como esses dias de chuva e frio fazem mais sentido quando você aceita que tem um coração sensível.




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Delicado

Apesar de haver mil coisas presentes para se preocupar, Ana se perdeu por um momento num devaneio de lembrança passada, daquele tipo que vem sem contexto, uma vez só e se não der atenção vai embora.
Havia um carro, uma estrada comprida que dava num túnel.Estava no banco da frente, cantando, olhando para a janela. De repente uma mão lhe toca a perna. Ele tirou a mão da marcha para ir de encontro a sua perna.
Sentiu o rosto esquentar, acariciou aquela mão. Foi rápido, sincero e verdadeiro. Corriqueiro demais para que as pessoas normais percebam, se importem, ou recordem.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O meu mantra

O tempo de paz e prosperidade vive naqueles que dão o primeiro passo para o auto conhecimento. Colecionar todos aqueles sentimentos em camisetas de ano novo, pulseiras, tatuagens, nada significam se você não para e olha para dentro de si e, quando se sente pronto, se põe no lugar do outro. Meu espírito se eleva em solidariedade à Gizelli e o que está sentindo por sua perda, espero do fundo do coração que a dor passe e ela consiga encontrar sua paz novamente.


 

Águas termais

Um homem toca a campainha. Ele teve um duro dia no trabalho, carrega o peso do mundo nos ombros. Está cansado, quer tirar o paletó. A porta se abre e a sua esposa está de pé, sorrindo. Ela veste uma túnica de tecido grosseiro, amarrado à cintura por uma corda trançada. Os cabelos estão arrumados num penteado bonito de cachos, usa acessórios num tom fosco de ouro velho. Convida-o para entrar, fecha a porta, puxa os ombros do paletó para libertar os braços. São movimentos calmos, cuidadosos. O homem jovem quase comete o erro de perguntar o significado da luz baixa, do perfume de flores, mas o silêncio conta tudo a ele. Será uma boa experiência, não corte a suave música exótica que envolve o ar, os passos, as surpresas a cada movimento, não fale, não interrompa, não suje o imaculado silêncio.
Há uma bacia de metal diante da poltrona da sala a qual a mulher o direciona. O homem se senta e em poucos segundos a esposa dobra os joelhos, dobra-lhe a barra das calças, tira-lhe os sapatos e as meias. Molha-lhe os pés na água translúcida e morna. O corpo se aquece, relaxa na poltrona, deixa-se entregar ao prazer dos dedos macios da esposa entre os seus.
Tudo é calmo e passivo. Pouco tempo passa até que a esposa se levanta após enxugar-lhe os pés num cálculo evidente afim de evitar que a água esfrie e cause um choque desconfortável. Segurando-o pelas mãos, o encaminha para o banheiro. A mulher despe completamente o marido e indica um banco onde deve sentar-se de costas para ela. O silêncio é subitamente cortado pelo barulho da água que lhe cai quente sobre as costas. É bom, é um alívio, ele fecha os olhos. O seu bem massageia-lhe com uma esponja macia, limpa e perfuma seu corpo, passa as mãos para que a água caia em todas as partes necessárias. Não exagera, não aperta, não machuca, não quer excitá-lo, apenas limpa-lo e perfuma-lo suavemente.
Em pouco tempo lava-lhe a cabeça, enxágua e fecha o registro. As toalhas vêm dobradas, secas e macias em direção ao rosto, à cabeça, braços, pernas, tronco, costas. Ela embrulha-o num roupão e calça sandálias. Direciona-o ao quarto cuja cama tem uma pequena toalha sobre o travesseiro, onde ele descansará os pensamentos.
Deita-o. A noite cai fresca. Senta na beirada da cama com o penteado já um pouco desfeito, o corpo marcado d'água pelo tecido agora transparente. Ela sorri e acaricia o rosto do esposo. As palavras flutuam pelo quarto, o bem estar entra pelas narinas, preenche o pulmão. Ele parece menos cansado, mais feliz. Ela fica satisfeita por tê-lo mostrado uma forma alternativa de se fazer o amor e ele cai no sono em seus braços. Lindamente.  

Spoleto, massa integral

Hoje, num almoço, um rapaz me perguntou se eu já havia me dado conta de que era uma "Mulher Diferente".
Foram essas as palavras. Ele não me chamou de menina, moça, garota ou seus derivados, veja bem, ele disse que eu sou uma Mulher. E não para por aí, o "diferente" levou alguns segundos pra sair de sua boca porque ele estava mesmo procurando uma palavra adequada para adjetivar aquele Mulher com "m" maiúsculo.
Eu ri, óbvio.
- Mulher Diferente? - fiz uma pausa - Não dessa forma, mas lembro de terem me dito "estranha". É o que você está querendo dizer?
- Não. - Ele riu - Não foi isso que eu quis dizer.
Então eu notei que aquele rapaz via algo em mim que o fazia hesitar, reformular, sorrir e colocar letras maiúsculas e pingos nos "is". Acabei rindo. Mas claro, levei 21 anos para me dar conta de que um cara percebe quando você está sendo responsável com sua própria vida física e emocional. Saúde se destaca então.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Nobody said it was easy

Nessa sexta não havia nada esperando por mim. Como na anterior e na antes dessa. Igual como foi na primeira semana e na que se seguiu. Mas não tem problema, aprendo a ser paciente. Vou me sentar e esperar mais uma semana até que não haja uma resposta e eu recomece novamente. 
Pensei em esperar por dois anos, mas isso seria muito fácil, eu saberia o tempo que levaria para acontecer (ou simplesmente desistir) e em sinal de respeito e consideração, e falo como uma menina que acaba de receber um livro emprestado pelo tempo que quiser, esperarei o quanto for necessário. 

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

Signos, significantes, significados

Uma letra frouxa que corre solta e clara pelo papel, as linhas e contornos mais flexionados. Grafite gasto, tinta manchada, personalidade escorrida entre os dedos. A minha letra é redonda, de pé e a minha mão pesa e aperta a caneta como o sentimento que me aflige sempre. Essa ansiedade, essa dor, essa angústia. A minha caligrafia é forte e violenta, tomada pela urgência da captura do tempo que se vê cada vez mais perdido nas grades que formam meus traços.
Caligrafia, escrita da alma.
Digitação, generalização do ser humano.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Lindo fígado

As roupas caem bem, a maquiagem valoriza os olhos castanhos, o cabelo parece mais comprido e sedoso. Brincos, faixas, colares, sapatos. A beleza sorri de dentro pra fora, é verdade.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hidratante corporal de frutas silvestres e chantilly

Permita-me admitir que a partir de hoje fica convencionado fazer amor 90% e sexo apenas 10% e que dizer à sua mulher o quão aveludada e perfumada está a pele vai fazer com que ela queira não somente amá-lo como a ela ao mesmo tempo. Seria uma noite perfeita da qual a descrição pouco importa além de que haverá dois corpos unidos, amando um ao outro e a si mesmos. Seria o auge da simultaneidade reflexiva e recíproca.
Permita-me assinalar que neste instante a fúria não se faz necessária para aquecer o edredom, o roçar basta, é suficiente, é bom. Não há palavras, não há conversas, não há nada além do som dos beijos lentos, molhados, saborosos. Uma doce vontade de tirar dos lábios o ritmo do coração acelerado, um romance apaixonado, quentinho, possível.
Permita-me.  

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pedra sobre pedra

O amor dentro de nós é como uma 
fonte que nunca para de jorrar, 
não importa quanta água se tire dela.


domingo, 9 de abril de 2017

Friends

Já estava eu pensando no quão legal seria num futuro distante  - ou pelo menos até que a minha memória fizesse o trabalho de limpeza de narrativas, filmes e livros consumidos - assistir a Friends na companhia de pessoas queridas, na minha própria casa. É seria uma boa.
Mas eu estou assistindo hoje, comigo e isso também é muito bom. Hoje é bom, só comigo também.

sábado, 8 de abril de 2017

Receita Crepe Caseiro

Ingredientes

1 xícara (chá) farinha de trigo
1 + 1/4 xícara de leite
1 ovo
1 colher (café) de sal

Modo de Preparo

Misture tudo. No liquidificador, na mão, onde você quiser, só mistura. Eu fiz a mão mesmo e fui dissolvendo aos pouquinhos as bolotinhas de farinha que foram ficando pelo caminho.
Unte a frigideira com um pouco de manteiga (NÃO pense que por sua frigideira ser antiaderente isso vá resolver alguma coisa, eu pensei isso e agarrou tudo) e coloque a massa de forma que fique uniforme no centro e nas bordas.
Um bom segredo é colocar o recheio exatamente no meio para que as bordas venham para dentro pra ficar aquele quadradinho bonito. O problema realmente é medir a quantidade de recheio, porque se colocar muito o quadrado não fecha. Ai é um problema.
Então chegamos a mais uma dica: Não coloque uma música romântica pra tocar enquanto você faz crepe porque no caso de querer brigar com o recheio e você ficar gritando "FICA DENTRO, FICA DENTRO", seus vizinhos não vão pensar mal de você.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

fatídico

O que de fato nos incomoda, nessa vã condição humana, não é a eternidade. Porque estando a beira de nossa juventude não conseguimos enxergar dois anos a frente dos nossos narizes. O que nos incomoda mesmo é o dia seguinte.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Em caso de viagem de carro pelo país




Aquele presente de 15 anos que você não tinha maturidade pra ganhar. Agora reconheço o valor dos CDs que você me deu, obrigada também por se dispôr a gravar tudo do Nirvana que tinha disponível na internet da época.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Isn't she lovely


O amor depois do amor

Virá o tempo
quando, com euforia,
você vai saudar a si mesmo chegando
à sua porta, diante do seu espelho,
e sorrindo um dará ao outro boas-vindas,
e dirá: sente-se aqui. Coma.
Você amará novamente o estranho que era você.
Ofereça vinho. E pão. Devolva o seu coração
para si mesmo, para o estranho que te amou
por toda sua vida, a quem você ignorou
mas que te conhece de cor.
Recolha as cartas de amor na estante,
as fotografias, as anotações de angústia,
descole sua imagem do espelho.
Sente-se. Celebre sua vida.

Derek Walcott.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Desenho número 2

Desenhei no meu caderno um sol, grama, uma árvore fofa e fiquei olhando: por quê raios era só isso que ocupava minhas folhas quando criança?

Starbucks

Cheiro de café, livros para baixar, pão com manteiga, filmes românticos, botas e meias. Prevejo um inverno muito agradável.

Didática de português 1

Felicidade clandestina - Clarice Lispector

Clarice Lispector
O Primeiro Beijo
São Paulo, Ed. Ática, 1996

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Meg

Para dor que não tem remédio, faz-se poesia.

Meg

Os efeitos da perda atingem patamares astronômicos quando você questiona a existência de Deus e segundos depois se sente culpado e passível de castigo por ele ter ouvido-me duvidando.

Let it go

Volta a princesa ao castelo de papel crendo a boca como um santuário cujos beijos e palavras provém e tem o mesmo fim: amar delicadamente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ah, minh' adorada

Se eu tivesse que assumir amor por uma abstração, seria pela Faculdade de Letras da UFRJ. Venho de uma cidade psicológica e geograficamente distante na qual na Universidade Federal do Rio de Janeiro só os mais dedicados e inteligentes ingressavam.
Para completar, fica numa ilha que só não é imaginária porque é possível ver o Centro de Tecnologia da ponte Rio-Niterói. No entanto, apesar de todas as adversidades, e falta de crença no meu potencial intelectual, o meu nome estava na quinta linha da lista de 2013.2
A minha incredulidade do dia que anunciou minha entrada não é menor da que eu sinto quando, logo cedo, ponho meus pés naquele chão de pedra, grama, orvalho e poesia.
Pergunto-me se mais alguém reparou na beleza das florezinhas cor-de-rosa das árvores do estacionamento ou nas paisagens utópicas que dão pra fora das janelas.
Respiro fundo, caminho em direção à porta, estou na minha casa.
Antes eu era uma menina com um sonho, hoje estou quase me formando nele.

terça-feira, 21 de março de 2017

De volta às raízes como todo bom poeta dado ao romantismo

Com muitos gritos afinados, muito cabelo comprido, muita roupinha colada de couro e estilo do rock gemente que eu adoro.

https://www.youtube.com/watch?v=ylbmc1hAofg


segunda-feira, 20 de março de 2017

Livrai-nos de todo mal

Se eu pudesse desenhar, faria muitos traços fortes contrastando com linhas finas no mesmo sentido, para que ficasse bem dramático, bem pesado. Seria uma amazona de um metro e oitenta, com os cabelos escuros ao vento, encaixando o elmo da armadura no topo da cabeça.
A armadura estaria chamuscada, amassada, um pouco gasta de todas as batalhas que ela enfrentou, e apesar de tudo isso, seu rosto ainda estaria sereno. Uma espada e um grande escudo solar no chão. Uma capa esvoaçante e surrada também não cairia mal. Por baixo de todo metal há um corpo feminino, acreditem.
Se pudessem ver o desenho dessa mulher, sentiriam seus corações se curvarem diante de tamanha coragem. Seus olhos estão fechados, voltados para dentro em seu ritual. Não há nada em sua mente, não há uma prega de incerteza na testa, nem tremor nas mãos delicadas.
Ela sabe que nasceu com um propósito, ela sabe que ainda não foi cumprido e que há muitas estradas deveras distantes a percorrer, perigos, e aventuras a sua espera, já era hora de vestir a armadura novamente. Não há arrependimento, tudo é aprendizado, até a queda. Os cabelos estão crescidos, repare, preste bem atenção no tempo que passou. Foi mais que o suficiente.
Ela está pronta para lutar pela justiça, pelo amor, pela paz, por Athena.

Amém.


It's make me wonder


sexta-feira, 10 de março de 2017

Receita - Panetone Trufado

Ingredientes

1 panetone

Para trufa
500g de chocolate ao leite
1 lata de creme de leite com soro
3 gotas de essência de baunilha

Para calda
1 xícara (chá) de água
1 xícara (chá) de açúcar
2 cravos
1 pau de canela

Modo de Fazer

Corte o panetone em rodelas de aproximadamente 2 dedos e reserve.
Para a trufa, aqueça em banho-maria o creme de leite, sem deixá-lo ferver, Acrescente o chocolate picado com a baunilha. Misture bem até tingir uma mistura homogênea. Leve à geladeira.

Misture em seguida todos os ingredientes da calda e leve ao fogo até atingir uma consistência de calda (não em fio). Regue todas as fatias do panetone com a calda e recheie cada camada com a trufa. Enfeite com raspas de chocolate, frutas cristalizadas, cerejas e nozes.

Uma Cunha uma vez disse

Sou todos os poetas que li, mas eles não são eu.

Eu sou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em min toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
Que eu sou a a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
Gitâ, Gita Gita Gita!
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo o dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos "peg-pagues" do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
É, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio

quarta-feira, 8 de março de 2017

Rotina

Ocupar a cabeça com coisas academicamente importantes é bem fácil. Primeiro você começa a ler todos os textos indicados pelos professores e não fica só na leitura obrigatória, isso já consome todo tempo. Depois você vai nos assuntos relacionados para se aprofundar um pouco mais e ter um leque maior de comparações, citações, e falando em citações, também é possível considerar a memorização de algumas poesias, só por esporte. Um esporte culto, veja bem.
A seguir, aceite todos os convites para iniciação científica e encontros em grupos de estudo. Quando pensar que já tem coisa demais, lembre-se, você ainda tem tempo para tomar banho, esfregar as próprias costas e deitar. Exercitar as curvas mais lindas do seu corpo não será propriamente dolorido, no máximo exaustivo - psicologicamente falando, no entanto, o coração continua batendo.

terça-feira, 7 de março de 2017

O pote de moedas

- Quando precisar, tire de qualquer outro lugar. Não tire do sonho.

Era só pra dar o troco, mas a frase foi tão profunda que eu acabei tirando do dinheiro da xerox da faculdade.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Receita - Docinho de Panetone

Rende 50 unidades
Tempo de preparo 40min

Ingredientes

1/2 chocotone
1 caixa ou lata de leite condensado
2 xícaras (chá) de amendoim torrado descascado moído sem sal
1/2 xícara (chá) de uva passas 
manteiga para untar as mãos

Modo de fazer

Em uma tigela, mistura o panetone, o leite condensado, metade do amendoim e as uva-passas até formar uma massa homogênea.
Unte as mãos com a manteiga e faça bolinhas com a massa de panetone. 
Passe as bolinhas no restante do amendoim moído e coloque-as em forminhas de docinhos.



quarta-feira, 1 de março de 2017

Retiro Espiritual

Ficar em silêncio, na companhia apenas dos pensamentos, é perceber que a nossa voz é muito alta e quase sempre desnecessária. A dieta das palavras consiste em permanecer com a boca fechada e os ouvidos abertos. Nessa peregrinação pelo seu verdadeiro eu, acaba-se descobrindo que seu trabalho não é procurar, porque ele sempre esteve lá, é só aceitar.
Eu sou a Mariana, adoro crianças, música velha e vídeo game. Sou uma pessoa carente de atenção, canceriana, prefiro o inverno e minha cor preferida é o branco. Entre gato e cachorro, eu prefiro calopsita e meus passa-tempos são: ler, bordar e escrever textos como este. Sou professora de espanhol e português.
Já estudei inglês, espanhol, japonês, italiano, hebraico, latim e grego. Acho que tenho um fraco por idiomas. Sou apaixonada por chocolate, mas morro por uma torta de limão (aqui percebemos os primeiros paradoxos da minha personalidade. Quando for doce, que seja doce, mas quando não, quanto mais azedo melhor. Eu disse AZEDO e não amargo).
Faço coleção de mangás e os amo como se fossem parte de mim, em especial os Cavaleiros do Zodíaco. Também amo a Disney, as minhas princesas são: a Pocahontas, depois a Jasmine, Mulan e Bela <3
Descobri que apesar de simpática e amável, sou muito tímida. Sonho em viajar de novo de navio, visitar o Japão, a Espanha, a Grécia, Macau e Marrocos.
Tenho uma tatuagem do Peter Pan, meu filme favorito continua sendo Titanic, e a música, "Every Breath you take" do The Police. Meu posicionamento político-social é "cuide da sua vida e pare de opinar numa felicidade que não é a sua" e isso vale para as causas feministas, homossexuais, LGBT, etc. Sou uma pessoa indecisa, estou há três anos para decidir o que fazer com a parede do quarto, mas já sei o tema da dissertação de mestrado.
Eu não gosto de baladas (apesar de nunca ter ido a uma, a ideia já me deixa claustrofóbica), odeio a ideia de relacionamentos compartilhados, abertos, traições, chifres e tudo o mais. Gostaria de um dia me casar com vestido e veuzinho, ter filhos e fazer Natais com amigo oculto com a família toda.
Quem sabe ter uma espécie de sítio com árvores frutíferas, uns bichinhos, uma casa na árvore e piscina, as festas juninas lá seriam ótimas! Na lista do que eu quero ver está a neve, o monte Fuji, os jardins do Louvre, a muralha da China e o fundo do mar. Pretendo voltar a dançar a dança do ventre, pular de asa delta, aprender a tocar violão e andar de bicicleta. AH, eu também quero muito ir numa roda gigante.

Enfim, no meu retiro espiritual descobri que sou feita de sonhos e esforços e isso não faz mal a ninguém.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Fechar os olhos é como trancar uma porta"

Mariana, Rosário, Perpétua e Manuela

Carta 2

A luz do abajur ilumina o meu companheiro cujo cansaço é quase tão evidente quanto o meu. Há meses vem pelejando nesta guerra cheia de fundamentos, esperança e morte. O livro é longo e, quando quer, mostra o quão difícil e massante pode ser uma leitura de derrotas.
Angustio-me, choro, fico feliz por Perpétua e inconformada com o destino de Rosário. Sigo identificando-me com Manuela, a que narra e faz diários.
Privo-me do sono como uma viúva das cores, numa conformidade religiosa. Dormir tem me assustado. Temo que os sonhos continuem falando-me e portanto, faço da leitura um belo castigo no qual me encontro, em romance, com a minha face mais moça, a parte sonhadora que preocupa, mas não dói.


A marca na minha pele

Acabo de chegar a conclusão de que as pessoas que mais amei (convicta desse amor) foram as que mais me ensinaram sobre o amor próprio. Não bastava pra elas que eu as adorasse, elas precisavam me mostrar que todo aquele amor exacerbado estava errado porque todos querem ser lembrados, mas apenas quando se sentem carentes.
O ser humano tem dessas de querer se sentir desejado pelo inalcançável e possuir avidamente tudo aquilo que não está ao alcance das mãos. Falo por mim também. E apesar de saber que também sou pecadora, odeio meus semelhantes por tal desdém, pela sua capacidade de jogar fora o amor que - erroneamente - não dediquei a mim, mas a eles. 
Matemática é ridículo de difícil, mas sociologia é um bicho fantasiado de notas boas. Escreve num muro qualquer dia desses "O que significa viver em sociedade?" que o muro vai ser rebocado, pintado, pichado, coberto de limo, demolido por uma empresa de construção de estradas intergalácticas e a pergunta vai ficar ecoando pelo espaço para sempre até todos os seres humanos estejam desnutridos de sentimentos ou simplesmente mortos. Mortos!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rafaela e Núbia

No último domingo eu estive tomando conta de duas menininhas. Uma de seis (sete agora dia 22/02) e a outra, mais velha, de nove anos. Eram irmãs, mas muito opostas, a mais velha era mais obediente, companheira, sem perder a infantilidade, claro. E a mais novinha, completamente espevitada, corajosa, o tipo de criança que sabe te testar.
A Núbia andou de braço dado comigo, deitou a cabeça no meu corpo na segunda vez que eu dei um "olá".
- Não sei se você sabe, mas a gente já brincou um dia. - Ela disse quando nos reencontramos pela manhã depois de alguns anos sem nos vermos (que pelos meus cálculos, seriam uns três anos).
- Eu sei, lembro-me bem, eu até fiz pipoca pra gente comer junto.
A minha frase a iluminou. "Como é bom quando somos lembrados" pude depreender da expressão facial daquela criança.
Elas pediram para ir à piscina, pediram para a mãe permissão para que eu tomasse conta, porque, afinal, eu já sou grande e posso olhá-las. É uma responsabilidade muito grande, mas eu fui, e já fui ditando as regras.
- Não passem da metade pra lá porque não consigo vê-las e se acontecer algo eu não posso pular pra salvar vocês.
- A sua mãe me disse mais cedo que você não pode entrar na água porque está com cólica. A minha mãe disse que eu tinha muita cólica quando era bebê... Isso quer dizer que você não pode tomar banho? - Perguntou Núbia.
- Hm... - Busquei na memória com que idade, exatamente, a minha mãe tinha me explicado o que era "virar uma mocinha", mas não tive tempo de raciocinar porque já estava demorando muito para dar a resposta, então só disse - É complicado. Eu fico aqui da sombra olhando vocês. Podem ir, mas antes, coloquem os chinelos na sombra.
Núbia brincava na borda rasa da piscina, intencionalmente na minha frente, para facilitar meu trabalho enquanto Rafaela, vulgo Fafinha, dava altas barrigadas quando descia do tobogã. Elas conversaram na borda, Núbia me apontou uma garota com um belo maiô, Rafaela se atreveu a ir pouco além do que eu tinha permitido. Eu incumbi Núbia de ir buscá-la e relembrar meu pedido/proibição. Depois disso eu estive no parquinho, na gangorra, no pula-pula, na sala de computadores vestindo princesas online, e no quarto ao brincar com uma parte da coleção de lego que elas tinham. Minha cabeça voou. Eu já não sabia o que a minha companhia refletia, se eu sentia mais vontade de ser amiga das crianças ou se eu queria uma pra mim.

"Você deve ser a menina mais especial da sua sala."
Tive que segurar o choro quando a Núbia disse isso quando estávamos no balanço. Ela com certeza repararia minha lágrima, só não teria maturidade para entender a minha dor.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quem precisa de um título?

Não importa se a minha amiga vem me ver e assiste a programas de menininha na TV comigo só pra me fazer companhia, ou se ela passa horas falando da reforma da casa pra me animar. Não importa se eu vejo Ross e Rachel se separando, se entendendo e se amando em segredo porque você não sabe nada de Friends mesmo. E não importa se eu vou querer desesperadamente que dormir ao meu lado signifique pra você mais que um estorvo que se mexe demais a noite.
As músicas românticas sempre vão tocar e eu vou me lembrar da música lenta que não dancei com você, da roupa que eu não vesti pra você elogiar ou sei lá, tirar. Nada mais importa, porque não são os textos nem a cor do cabelo, não foi nada disso, nada disso. Foram três dias em que o tempo parou pra que eu percebesse que nada disso importa, mas foi suficiente pra tudo ficar confuso, estranho e eu sentir vontade de não escrever por medo, vergonha ou lucidez demais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Algum dia de fevereiro

Se me perguntassem, eu diria "escrevo" cartas, não "respondo". Ter o ímpeto de escrever demonstra cuidado com as palavras. O uso de rascunhos, a atenção à caligrafia, ortografia, rasuras e as pausas para a respiração do próximo fazem da carta um produto idealizado unicamente ao meu destinatário - que pode nunca ter reparado nessas regalias.
É difícil planejar sua extensão ou ter estimativas do quão clara ela será... De qualquer forma, se houver algo nas entrelinhas, isso estará protegido dos olhos curiosos, sempre tão leigos.
Concebo neste velho e pouco usado português uma tentativa de valorização para o que nunca se faz e pouco vê. Ria com o bilhete, curta o aviso e a nota, mas ame sua carta. Comunicar-se nos dias atuais por meios tão frívolos pode ser fácil, escrever não.

Atenciosamente,
Remetente.

Ps. Aqui geralmente fica o que você gostaria de ter dito na primeira linha.
Ps.2 Ou algo que tenha esquecido e não pode passar em branco.
Ps. 3 Apesar de "Eu te amo" não precisar de regras de posicionamento ou ser esquecido com facilidade.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A greyness I used to call freedom

Havia uma cama de casal, um armário a esquerda e uma tv em frente, não a mim, mas a você. Diante dos meus olhos apenas letras de um livro eletrônico o qual eu pausava, às vezes, para te perturbar com os pés. O fio o conectava ao videogame que por sua vez o conectava a tela da tv e ao mundo imaginário cujo herói usava uma espada, mas na realidade coçava os dedos para não ajeitar os óculos. Cansado de talvez ser incomodado com aquela baboseira de massagem, você puxou meu pé direito para o colo e num movimento rápido com a cabeça mandou-me sossegar porque travara uma batalha muito importante.
Permaneci comportada passando as páginas do livro, no entanto a atenção estava de fato na coluna corcunda e pernas de índio cruzadas lá na ponta da cama. Comecei a mover os dedos do pé em sua barriga na tentativa de cócegas e consegui arrancar um sorrisinho, eu vi, eu juro que vi. E eu adorava quando você dava corda.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

WestWorld

Sinopse

Westworld é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por andróides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à "evolução do pecado". Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), programada para ser a típica garota da fazenda, que está prestes a descobrir que toda a sua existência não passa de bem arquitetada mentira.



O que eu gostaria de refletir (Spoiler)

Parece que, nessa altura da vida, o mundo já não se interessa pelo sobrenatural. Filmes, novelas e programas de TV não prendem a atenção falando do desconhecido. Não há mais conquistas de territórios, já cantamos muita glória em cima das guerras. Os deuses de todo tipo de mitologia já foram incansavelmente usados, reutilizados e novamente descartados. Não há mais bruxas, vampiros e lobisomens são um assunto clichê, anjos e demônios foram aposentados.
Não nos interessamos por nada que venha de fora, julgamo-nos controladores de todas as rédeas do universo (apesar dos filmes de astronautas sempre mostrarem tragédias e famílias destruídas). Agora, o que vale a pena, o que ganha atenção é até aonde conseguimos chegar a partir de uma característica que nos torna nobres seres humanos como a ganância elevada ao extremo.
Eu vejo nessa série uma tendência que começou com Matrix, só que um pouco mais aprofundada. Há muitos detalhes, muitas nuances a se perceber no âmbito religioso, simbólico, artístico e fotográfico. Somente hoje, algumas horas depois de ter visto o décimo e último episódio, percebo, homens como criadores, a Dolores é a Eva de WestWorld. Veja só, uma mulher que tem o fruto do conhecimento (metaforicamente simbolizado por um labirinto) e é a responsável pelo caos daquele pequeno mundo.
A igreja funciona como portal para a consciência e o mais incrível, o mais incrível, é como as pessoas se transformam quando tem todas as possibilidades na mão.
"Que tipo de pessoa você se transformaria se visitasse westworld? Um (a) simples depravado, um (a) assassino, aventureiro? Não se acanhe, eu sei que você seria alguém completamente diferente do que finge ser aqui fora." Foi essa mensagem que eu tirei do primeiro episódio e foi com essa que eu terminei o último. Gosto de séries que não se contradizem, que me inspiram e geram questionamento. Voltemos então ao início desse texto, somos ou não uma geração de Narcisos?


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Deus nunca dará o que não conseguimos suportar

As pessoas se esquecem que vivem o que precisam e não o que querem e nesse esquecimento vão acumulando mágoas e culpas que não tem onde jogar porque, afinal, criam expectativas na ilusória sensação de que tudo vai correr como planejado. Essas mesmas pessoas não entendem que por mais que repitam um mantra - muito conhecido - "tudo vai acabar bem, tudo vai acabar bem", que pode ser que se resuma a "seja bom (a) sem precisar de um motivo ou compensação", às vezes, ser bom não será o suficiente e "acabar bem" é apenas um ponto de vista - que, no caso, mesmo que você queira, não será sempre o seu. E apesar de todas as adversidades, pontos de vista, mantras e o caralho, eu diria que as pessoas - e aqui finalmente me incluo explicitamente - deveriam apenas lutar para não se esquecer de quem são.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Eu acho que tive uma síncope quando ouvi uma seguida da outra e notei a semelhança




OBS:. Eu adoro essa capa de CD.

Always Somewhere - Scorpions

Arrive at seven the place feels good
No time to call you today
Encores till eleven then Chinese food
Back to the hotel again

I call your number the line ain't free
I'd like to tell you come to me
A night without you seems like a lost dream
Love I can't tell you how I feel

Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again [2x]

[Solo]

Another morning another place

The only day off is far away
But every city has seen me in the end
And brings me to you again

Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again [2x]




Simple man - (Uma banda com muitos "y" e consoantes)

Mama told me when I was young 
Come sit beside me, my only son 
And listen closely to what I say. 
And if you do this 
It will help you some sunny day. 
Take your time... Don't live too fast, 
Troubles will come and they will pass. 
Go find a woman and you'll find love, 
And don't forget son, 
There is someone up above.

(Chorus) 
And be a simple kind of man. 
Be something you love and understand. 
Baby, be a simple kind of man. 
Won't you do this for me son, 
If you can?

Forget your lust for the rich man's gold 
All that you need is in your soul, 
And you can do this if you try. 
All that I want for you my son, 
Is to be satisfied.

(Chorus)

Boy, don't you worry... you'll find yourself. 
Follow you heart and nothing else. 
And you can do this if you try. 
All that I want for you my son, 
Is to be satisfied.

(Chorus)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Previsão

Quando pergunto-me o que houve com as palavras, por quê me abandonaram, eu só ouço silêncio. Eu já não sei se foram elas que fugiram ou eu quem desafiou os limites da ausência e por minha conta afastei-me daquele mundo em que eu mais falava do que ouvia.
Tenho ouvidos premiados, dedos silenciosos, destinatários desconhecidos e muitas letras por escrever. Ouça-me! E se não houver o que falar, olhe-me. Eu gosto desse tipo de diálogo, do tipo em que eu não me sinto sozinha.
Os capítulos podem jamais voltar, os longos parágrafos também não, mas ainda serei lida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Menininha do papai

Se tem uma coisa que eu tenho certeza que ficou de você em mim foi essa paixão por novelas românticas. Mas não qualquer amorzinho, né, pai? Tem que ser aquele amor transcendente que a gente nunca esquece, como a Jade e o Lucas, Ana Francisca e Danilo, Serena e Rafael, Marcos e Sônia. De preferência se tiver o Ivo Pessoa, Zé Ramalho ou Marcos Viana na trilha.
<3


domingo, 8 de janeiro de 2017

Se essa rua,

Se essa rua tivesse boca, das águas impuras dos boeiros, sairiam crimes, brigas, confissões de adolescentes e muita sujeira. Se essa rua tivesse olhos eles mostrariam a realidade se modificando, os anos passando, as gerações, os imigrantes, os que morreram e os que cresceram ali. Seria mesmo um filme genial e nostálgico.
Se essa rua fosse um pouco mais que um lugar de passagem, e se por um dia se tornasse um passageiro, com certeza ensinaria-nos a todos como varrer o chão, cuspir dentro de casa e guardar o lixo para as latas.
Se essa mesma rua pudesse me contar, com sua experiência, por onde os meus passos me levarão, eu seria com certeza uma nômade para nunca chegar. As minhas memórias estão nessa rua e quantas mais se tornarão paralelepípedos, degraus, curvas?

Se essa rua,
Se essa rua fosse minha,
Eu mandava,
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas,
Com pedrinhas de brilhantes
Só pro meu
Só pro meu amor passar.

Ah, rua, quantas mocinhas saltitaram por você? Não sou mais moça, não mais saltito, mas ainda passo. E passo pensando.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2017

Aqui vai um texto grande de expectativas para o ano novo:
Quero ser feliz. Se não for, não serve.


O que eu ouvi na universidade

"Eu sei que o Ferréz não dá parágrafo, mas você deveria, Mariana."