segunda-feira, 26 de junho de 2017

Blue heart

De todas as cores que representam o amor eu escolhi a mais linda. Se meu coração é azul, meu amor deve ser calmo, acolhedor e bravio como os oceanos. Só de pensar em meus sentimentos como cachoeiras infinitas sinto-me mais forte.
De vez em quando brota uma nascente nova, a águas desandam, os rios secam também, mas é tudo cheio de vida cíclica que não importa bem como ou quando, só importa ser azul.


domingo, 25 de junho de 2017

Dachunte


Quando você não consegue

Hoje experimentei da sensação do outro lado.
Hoje fiz um menino chorar, meu Deus, eu não tinha percebido que ainda era um menino.
Meu coração está partido, rapaz, creia. Eu sinto muito, eu sinto muito, meu Deus, me desculpe.
A minha vontade era te abraçar e, só nesse abraço, te fazer entender tudo que eu vivi para alcançar meus sentimentos hoje. Mas isso não é possível e explicar tudo com palavras é tão difícil.
Meu Deus, seu perfume está na minha mão, que tormento.

Xalusc

Conheci dois rapazes com o seu nome. Se pronuncia da mesma forma, igualzinho. Não tem seus sobrenomes, não fazem o mesmo curso que você na faculdade, não tem a sua altura.
Eu fiquei repetindo o nome deles vinte vezes até acreditar que estava falando com um exemplar do seu nome de novo depois de tanto tempo.
Não adianta, são dois, mas não são você.
Silva, Casseres, Belo.

sábado, 24 de junho de 2017

Gratidão

Às vezes dá vontade de deixar tudo pra lá. Colocar as cartas na mesa, se levantar e sair em silêncio. Passar pela porta, fechar com cuidado e educação, para mostrar-se agradecido a estadia, mas sem deixar que venham atrás de você.
Às vezes dá vontade de interromper a escrita e cuidadosamente atirá-las todas numa fogueira miúda, ver o fogo crescer e as memórias se transformarem em fumaça. Eu já fiz isso com um caderno uma vez.
Às vezes dá vontade de fazer uma loucura, fazer uma bondade, uma insanidade, caridade, fazer amor. Mas de um jeito diferente de todas as loucas, bondades, insanidades, caridades e amores anteriores.
Às vezes você sabe que considera muito alguém e agradece pela nova vida cheia de cores que está vivendo, mas esse alguém se arrepende de ter dado isso de presente pra você. Estou sem saber se fico melancólica, chateada, magoada, ou feliz porque essa pessoa o fez mesmo se arrependendo.
Às vezes dá vontade de entender o que acontece, às vezes dá só tristeza.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Calma

É por mim.
Tem que ser por mim.
E o que eu escolher, será por mim, para o meu corpo, para o meu gosto, para o meu prazer.
Não vai ser por ninguém, porque já foi por alguém, por isso, é por mim hoje.
É por mim amanhã, e será por mim quando eu decidir que não quero mais.
Solta para mim, desejando a mim, carente de mim.
Espelho, reflexo, caminhar, solidão, nua, linda. Louca por mim.
É.




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um mês e um dia

Para dois patinhos na lagoa.
A idade da revolta, da música da Lily, da minha dualidade espelhada, do presente surpresa, da festa, que festa? Cancelada.
Pela primeira vez troco coisas, por pessoas de presente. As que estão, as que se foram, as que estão por vir.
Vem mamãe, vem amigas, vem peixe, vem baby Brucas.

"Mas por agora, te desejo apenas um feliz aniversário"


Sigo esperando. Confiante de que esse "algum dia" chegue.
Sigo esperando. 

sábado, 17 de junho de 2017

Hoje sei, ser o que a terra veio me ensinar



Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça

Quando você for embora
Não precisa me dizer
O que eu não quero, jogo fora
Você pode entender

Desigualdades e a luta
A fim de encontrar
A liberdade e a paz
Que a alma precisa ter
Oh, baby!

Estar com você na virada do sol
É compreender
Que o que há de melhor
Tá na vida, na transformação
Da natureza que me traz a noção

Na verdade eu não vou chorar
Hoje sei, sei o que a terra veio me ensinar
Sobre as coisas que vêm do coração
Pra que eu possa trazer
Pra mim e pra você

Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça

Estar com você na virada do sol
É compreender que o que há de melhor
Tá na vida, na transformação
Da natureza que me traz a noção

Na verdade eu não vou chorar, eu não
Hoje sei, ser o que a terra veio me ensinar
Sobre as coisas que vêm do coração
Pra que eu possa trazer
Pra mim e pra você

Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça
Liberdade pra dentro da cabeça

sexta-feira, 16 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

Eu deveria estar dormindo

Entre dormir só cinco horas por mais essa noite e ficar acordada fantasiando, eu prefiro ficar bêbada de sono amanhã, mas não me deitar sozinha com toda essa libido.

Música de SweetLove




Gravity

Alguns passos de dança do ventre, uma mão escorrendo lenta pelo corpo aqui e ali e, oh, suspiros.

Que fome


O dia do coração azul


O dia de desejo me deixou duas horas e meia de molho no ponto de ônibus pra chegar em casa. 
Aproveitei esse tempo para pensar se os motéis fazem reservas nessas datas do ano ou se é "quem chega primeiro leva". Se bem que muita gente deve pegar o quarto no dia anterior e ficar trocentas horas sem deixar vagar no outro dia. Sei lá, talvez. O trânsito estava uma merda, acabei cansando de esperar e peguei um uber (que demorou 23 minutos para chegar, veja bem).
Uma amiga comprou uma langerie que veio, acidentalmente, com uma máscara presa na calcinha. A gente riu, ela disse que ia usar, o namorado desmarcou o dia porque queria assistir a um jogo na televisão. Tive pena dela. Definitivamente, se um homem um dia não quiser me ver de máscara eu vou entender, mas ficar como essa minha amiga, talvez não suporte.
Enquanto isso outra amiga passou mal da pressão baixa e deixou para comer uma pizza no lugar de sair para comemorar. Hm, uma pizza é uma pizza, será que vem chocolate?
Minha professora regente foi a única pessoa que teve coragem de me desejar feliz dia dos namorados, apesar de estar solteira. Acho que ela só queria saber se eu tinha um namorado porque acabou falando da própria vida também. 
Nessa hora da madrugada, a qual possíveis crianças estão sendo geradas por acidente, motéis faturando tudo que não ganham se somados todos os natais que já aconteceram até agora, juras mentirosas e algumas até verdadeiras, eu estou enrolando para escrever um trabalho e namorando gifs.
Stefan, Stefan, eu não suporto seu personagem, muito menos a sua série, mas essa carinha de safado me fez morder os lábios também.

sábado, 10 de junho de 2017

Ele podia ser

Ele podia ser quem dizia que era, podia ser uma pessoa normal, um pouco estranha, mas ele realmente podia ser quem dizia que era.
Não acreditei, eu não acreditei nas coincidências, eu tive medo que pudesse ser mais um tipo de armação pra me enganar e simplesmente saí fora.
Eu espero que esse tipo de coisa não se repita por muito mais vezes, porque só de pensar que vai acontecer tudo de novo, eu entro em pânico.
Por favor, vá embora.
Eu não gosto de sentir medo, não gosto de desconfiar das pessoas, por favor, vá embora.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O violão

Dá mais vontade de tocar violão quando bate aquela tristeza gostosa, aquela sensação única que é não saber, não ter nenhuma segurança sobre o que você está fazendo consigo mesmo ou com seu coração.

10 sextas-feiras a noite

Too Good To Say Goodbye

I've made mistakes
I could have treated you better
I let you get away
There goes my happily ever after

Tell me why, why can't we try and start again?
This can't be how our story ends
You're more than my girl, you're my best friend
Tell me you remember when
Oooh, I was your man and you were my girl
It was you and me against the world

Baby, ain't nobody gonna love me like the way you do
And you ain't never gonna find a love like mine
Tell me what can I do to make it up to you?
'Cause what we got's too good to say goodbye, goodbye

Yeah, I'm still in love with you darlin'
I know you feel the same
Oh, what's the point of us both being broken hearted?
I pray it's never too late

Tell me why, why can't we try and start again?
This can't be how our story ends
You're more than my girl, you're my best friend
Tell me you remember when
I was your man and you were my girl
It was you and me against the world

Baby, ain't nobody gonna love me like the way you do
And you ain't never gonna find a love like mine
Tell me what can I do to make it up to you?
'Cause what we got's too good to say goodbye, goodbye

(Oh, don't you give up)
Girl won't you listen?
(Oh, don't you give up)
It's you that I'm missin'
(Oh, don't you give up)
Take my hand, I wanna go, I wanna go
(All the way)
If we're gonna fight this fight for better days
I know we're gonna make it
This is the chance, let's take it

Baby, ain't nobody gonna love me like the way you do
(No, no, no, no)
And you ain't never gonna find a love like mine
(Oh, tell me)
Tell me what can I do to make it up to you?
'Cause what we got's too good to say goodbye
(Come on, come on) goodbye (Oh baby, baby)
Baby, ain't nobody gonna love me like the way you do
And you ain't never gonna find a love like mine
(Oh, tell me)
Tell me what can I do to make it up to you?
'Cause what we got's too good to say goodbye, goodbye

domingo, 4 de junho de 2017

Free Fallin' - John Mayer

She's a good girl, loves her mama
Loves Jesus and America too
She's a good girl, crazy 'bout Elvis
Loves horses and her boyfriend too

It's a long day living in Reseda
There's a freeway runnin' through the yard
I'm a bad boy ´cus I don't even miss her
I'm a bad boy for breakin' her heart

And I'm free, free falling
And I'm free, free falling

All the vampires walkin' through the valley
They Move west down Ventura Boulevard
And all the bad boys are standing in the shadows
And the good girls are home with broken hearts

And I'm free, free falling
Now I'm free, free falling

Free falling, now I'm, free falling, now I'm
Free falling, now I'm, free falling, now I'm

I wanna glide down over Mulholland
I wanna write her name in the sky
Gonna free fall out into nothing
Gonna leave this world for a while

Now I'm free, free falling
And now I'm free, free falling

Só por hoje

Mesmo que esteja me sentindo por baixo, não preciso fazer alguém sofrer para me fortalecer. Hoje, vou substituir meu lado negativo por um interesse positivo pelos outros. Eu construirei, não destruirei.


Só por hoje funciona.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Gregório de Matos

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos
E, por não castigar-me estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pr'a chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

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Deus, eu estou aqui, firme, ao seu lado.

Padre Nuestro

Padre nuestro, que estás en el cielo,
Santificado sea tu Nombre;
Venga a nosotros tu reino;
Hágase tu voluntad en la tierra como en el cielo.
Danos hoy nuestro pan de cada día;
Perdona nuestras ofensas,
Como también nosotros perdonamos a los que nos ofenden;
No nos dejes caer en la tentación, y líbranos del mal.
Amén.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

É imprescindível

Que o estado de celibato não seja quebrado nos próximos 21 meses sob pena de prejuízos mentais que podem vir a refletir ansiedade, angústia, incômodo, pensamentos repetidos, sentimento de culpa e responsabilidade. A economia emocional trará benefícios a longo prazo e os juros de 2% por dia (calculado numa P.A. crescente de razão 1) serão todos recolhidos no momento do resgate da conta.
Dado início já há alguns meses anteriores, essa nota serve como aviso para possíveis dúvidas ou perdas outras.
Atenciosamente, sua mente.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Os finalmentes

Linda, linda, linda, linda e linda.

O meu livro-bíblia de mulher solteira

Meu livro acabou de me pregar uma peça. Eu não acredito em coincidências, vou logo dizendo.
Enquanto estudava pra essa prova senti uma enorme angústia. Mas não para o lado ruim, era uma aflição, ansiedade, não sei, Eu só queria terminar de estudar aquilo e fazer algo divertido, prazeroso. Larguei os textos de filologia românica e me perguntei "E agora? Assisto Inuyasha? Vejo Discovery Home & Health? Pego a toalha pra bordar até me dar sono?" Não. Apesar de tudo isso me dar uma sensação incrível de felicidade e prazer, não era isso que eu queria. Então me lembrei da última coisa que havia me proporcionado algo que talvez suprisse a minha ansiedade: a leitura do meu livro-bíblia: Comer, rezar e amar.
Mas ainda faltava alguma coisa. Fui na cozinha, lembrei que ainda havia 1/5 de uma lata de batatas fritas industrializadas sobre a mesa. Isso bastaria, era gostoso, tinha a gordura e o sal que eu precisava. Então me deitei e comecei a ler.

"Eu precisava fazer alguma coisa em relação àquele meu desejo, então me levantei, fui até a cozinha de camisola, descasquei meio quilo de batatas, eferventei-as, cortei-as, fritei-as na manteiga, salguei-as generosamente e comi tudo até o último pedaço - sem nunca deixar de perguntar ao meu corpo se ele faria a gentileza de aceitar a satisfação de meio quilo de batatas fritas em vez do prazer proporcionado pelo sexo."

Parei. Olhei pra lata de batatas no meu colo.
Meu Deus.
Meu Deus.

Parece que não vou a lugar algum

Inscrição, passaporte, resultado, cancelamento, mudança de planos, formatura, crianças, gêmeos, sorriso, passeio escolar, a vida que eu lutei pra conseguir não vai ser interrompida agora. Obrigada, meu Deus, pelo emprego, pela oportunidade e pela clarividência de que eu não posso sair do Brasil agora.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

Friends pela segunda vez

Sempre fui muito contra ler o mesmo livro duas vezes. Achava que de alguma forma, a emoção de ter lido na primeira seria esquecida, soterrada por uma nova experiência. Mas o engraçado foi que, numa situação de muito caos, a única coisa que eu queria assistir era Friends, mesmo que já tivesse visto tudo dois anos atrás.
Ás vezes a gente se dá conta de que há algo capaz de nos fazer rir quando a vida real está muito muito triste. Funcionou pra mim. Mas como tudo que começa, acabou. É lógico que eu já sabia o que ia acontecer, qual seria o final. Os personagens envelheceram nos dez anos corridos da série, a vida profissional e emocional se desenvolveram, assim como deve acontecer com a minha.
Espero que da próxima vez que começar a assistir Friends não seja porque estou triste, com certeza não vai ser por isso. Eu posso assistir novamente, nunca vai ser igual.

Experiência do Silêncio

Assim que anunciei aos meus amigos que poria em prática o plano de ficar em silêncio por três dias já tive algumas reações. Houve ironia, riso e curiosidade. Particularmente achei o riso de muito mal gosto, afinal, porque rir do anúncio de uma experiência espiritual?
As pessoas com que tive contato demonstraram não estar satisfeitas apenas com a minha presença, elas precisavam, exigiam mais e até brigaram para que eu respondesse com palavras. Questionaram meus motivos, até que me deram um pouco de paz quando se deram conta de que era de cunho religioso, mas não tanto reconhecimento quanto receberia se fosse algo ligado ao cristianismo.
Li num lugar que refletia sobre o budismo que o silêncio é a maior das religiões.
Não digo que foi difícil apenas pelas pessoas exteriores, percebi que conversava com minha própria mente, como se fôssemos duas. Isso não estaria infringindo o conceito? Silenciei minha própria mente.
Reparei que as pessoas falam esperando aprovação, que testam sua opinião, a consistência da sua identidade. Quando reparei que estava reparando demais nas atitudes alheias, me repreendi. Esse não era o meu propósito. Precisava voltar meus ouvidos para o mundo e para mim mesma, não para fazer um inventário sobre o comportamento e a comunicação humana.
Fui obrigada a soltar umas palavras em contextos inevitáveis e me odiei por ainda não ter aprendido Libras. Minha voz estava rouca, a garganta desconfortável. Mas eu queria ficar assim por mais tempo. Quem sabe em um mês ou dois minhas conclusões fossem mais consistentes? Não quiseram sair comigo. Fui dispensada de um passeio porque não acrescentaria palavras e "ia ser muito difícil". Ouvi que aquela não era eu, achei engraçado. As pessoas precisam muito de uma voz para suprir a solidão. Não é à toa que muitos não se importam em ficar a sós com o barulho da televisão ou uma música tocando. Incomoda tanto uma presença te olhando com carinho?É uma pena. Há tanto mais sendo dito numa pessoa que se coloca do seu lado em silêncio do que outra que fala sem te deixar pensar.
Tudo isso aconteceu e a coisa toda durou pouco mais que 24h completas.




sábado, 13 de maio de 2017

Y llegaste tú

"Y llegaste tú y me sorprendió
El poder que había en este amor
Y llegaste tú una bendición
Aún recuerdo el momento en que todo cambió
Y llegaste tú y me sorprendió
El poder que hay en este amor
Y llegaste tú, una bendición
Aún recuerdo cuando llegaste tú"


Querido bebezinho, a tia chorou muito só de saber que você está a caminho. A música é romântica, o resto da letra não tem muito a ver pra dedicar a você, mas só esse pedacinho já mostra o que você é pra nós. Engraçado, quando a sua mãe disse que estava grávida eu tive uma sensação forte de que você é um menininho. Será que estou errada? Ou certa?
De qualquer forma, meu amor, eu já me sinto apaixonada por você.

domingo, 7 de maio de 2017

Ao som de gaivotas

Quero descansar. Acho que, se pudesse, pediria demissão dessa vida que vou levando e procuraria emprego numa outra. Talvez me permitisse ficar desempregada por um tempo, fazendo bicos para ter o que comer e uns trocados para um agrado no final de semana. Eu tomaria uma cerveja na praça, ouviria o moço que está aprendendo a tocar viola, me peguntaria se aquele ponto luminoso ao lado da lua é Vênus e dormiria. E acordaria cedo para vestir meias e caminhar na companhia dos idosos ou só pra ler um romance enquanto o mundo ainda está em silêncio.
Quero descansar. Sei que me aproximo de limites desconhecidos. Ando tateando o escuro para não cair. Venho engatinhando, quase como um filhote com medo de sair das mediações de segurança. Eu nunca vi tanto pijama bonito na minha gaveta ou tanto filme bom pra se rever em DVD. Costumava colecionar, comprava um num dia, preparava tudo para que aquele fosse um bom momento e quando acabava eu não tinha ideia de quando compraria outro, mas esse dia chegava. Estou cansada de fazer planos que ultrapassam as 24h que, com dificuldade, tenho sobre controle.
Quero descansar. Eu só quero um dia desses me deitar na areia e ouvir o som do mar, das gaivotas, da minha respiração... Durante um tempo que não se conte.



sábado, 6 de maio de 2017

Estudar, do latim STVDIVM

Estudar é ver em cada informação uma oportunidade de pensar, relacionar e construir a partir de.

LXXVII, Antonio Machado

Identifique-se, homem moderno.

*

Es una tarde cenicienta y mustia,destartalada, como el alma mía;y es esta vieja angustiaque habita mi usual hipocondría.La causa de esta angustia no consigoni vagamente comprender siquiera;pero recuerdo y, recordando, digo:-Sí, yo era niño, y tú, mi compañera.
Y no es verdad, dolor, yo te conozco,tú eres nostalgia de la vida buenay soledad de corazón sombrío,de barco sin naufragio y sin estrella.Como perro olvidado que no tienehuella ni olfato y yerrapor los caminos, sin camino, comoel niño que en la noche de una fiestase pierde entre el gentíoy el aire polvoriento y las candelaschispeantes, atónito, y asombrasu corazón de música y de pena,así voy yo, borracho melancólico,guitarrista lunático, poeta,y pobre hombre en sueños,siempre buscando a Dios entre la niebla.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Mirante

Chega um momento em que a gente aprende a dividir algumas coisas só com papai do céu porque as pessoas, e isso inclui a si mesmo, não conseguem alcançar as redes complexas que compõem os sentimentos.
Eu pensava que tomava minhas atitudes baseando-me em "Faça o que gostariam que fizesse com você" e sua respectiva negação, mas engano-me fácil logo a recobrar que a gente só faz o que quer. Se eu quis perdoar e me sinto bem com isso não há pessoa, nem mesmo eu, que tenha o direito de questionar. Deus, eu espero que você entenda. Porque eu mesma só descubro do que sou capaz depois do que já fiz.
Se houvesse um museu com paredes de vidro cuja observação fosse voltada apenas para a paisagem, eu gostaria de ir. Para olhar, me sentir segura e conversar baixinho por horas com você.


Tempo tempo tempo

Existe uma série de conceitos que são revisados quando você se torna uma pessoa grande. A Cássia Eller era bem uma bruxa quando dizia que o "para sempre" acabava. Ela, entre outras, era uma das que desmitificava a sensação mágica, utópica, que fazia da nossa vida um pouco mais lenta, uma possibilidade no meio do infinito.
Quando crianças, tudo parece muito muito distante, tanto que quando a professora fala assim "Vocês verão isso na oitava série" a gente ri porque o que ela não sabe é que naquela idade, a gente tem certeza de que falta tanto, mas tanto pra oitava série que podemos afirmar, com toda certeza, de que ela nunca vai chegar. E o nunca é bem assim mesmo, algo que no começo é só uma risada.
Apesar disso, a tendência de acreditar que as coisas tem um ponto final começa na infância, com a organização temporal, que mesmo sendo uma bagunça, e um dia virando uma eternidade, sabemos que depois da noite vem um outro dia. As histórias tem um fim, a semana acaba com dois dias de descanso, no final do ano há férias e sempre há um aniversário para mostrar que você está ficando cada vez mais velho.
Essa necessidade de fechar ciclos se acentua com a escola, as datas comemorativas, as promessas de ano novo. Você se vê crescendo e o seu tempo infinito agora não passa de números e datas, você começa a reclamar das poucas 24h do dia que não dão pra nada, mas que antes eram mais que suficientes para todas as suas aventuras.
Na adolescência tudo é um caos. O relógio só funciona na função "Cronômetro" e a sua sanidade vai sendo consumida pelos ponteiros que vão sempre pra frente, pra frente. Pra sempre? Nunca? Você já não sabe se pode usar essas palavras para os outros ou para si mesmo. O que eu sou, o que eu faço, de quem eu gosto, a quem eu ouço. Suspendem-se suas certezas como pó translúcido.
Abra uma casa abandonada, pegue os lençóis e jogue a poeira no ar. Deixe pairar. Esse é o adolescente. Aquele que flutua em sua própria instabilidade. Palavra essa que vira um mantra na vida adulta. E o tempo, o para sempre e o nunca, todos, todos agora são relativos.
Sua inocência se perde e a maturidade fecha os olhos que você tem voltados para o mundo fantástico. O para sempre e o nunca não fazem parte da vida adulta porque nessa fase tudo que você não tem é tempo para gastar com bobagens.
Hoje tenho idade pra ser adulta, conceitos por demais infantis e perguntas que pairam na adolescência. O nunca se aplica bem as coisas que fogem do meu paradigma e o para sempre a tudo de nobre que carrego em mim.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Arrepiada até a espinha

Existe um nível de tremedeira desconhecida até o momento que eu já não sei se é sexual, meu Deus, se houvesse um vibrador nessa frequência o mundo seria um lugar melhor. Mas se for religioso, credo em cruz, me exorcizem.
Eu não reconheci a sua voz. Você. Eu pedi a Deus ontem e você me liga hoje.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O cara da estatua de perto da UERJ


Querido Deus,

Eu nunca te escrevi uma carta, mas essa é pra você.
Eu tenho sido o mais compreensiva, o mais amável e proativa que nos últimos anos, então, por favor, por favor, me faça parar de sofrer pelo que não vale a pena. Eu não aguento mais me questionar e remoer uma culpa que eu não tenho por algo que nem cometi.
Meu Deus, eu me rendo, eu me rendo ao seu poder e a sua grandeza. Só me faça esquecer. Eu tenho tirado força das coisas pequenas, da simplicidade, mas isso não ameniza a ansiedade e as minhas noites cheias de pesadelos. Eu não aguento mais o fardo dessa lembrança. Meu coração dói, eu não quero nada, nem o que foi bom. Eu não quero lições, nem memórias, nem esse nome assombrado. Por que você me permitiu amar nessa intensidade? Eu não quero ódio a minha volta, não quero ser uma pessoa rancorosa e orgulhosa, por isso te suplico, me faça esquecer tudo.
Olhe por mim. Estou aprendendo, mas não tem sido nada fácil. Meu Deus, eu não quero me lembrar, por favor, tire da minha mente esse mal. Faça de mim alguém melhor sem que eu precise olhar para trás e ver essa cicatriz purulenta que lateja.

domingo, 23 de abril de 2017

2010

Quando as pessoas me perguntam e eu digo que voltei a escrever, penso no Sávio, no Demetrius e nas horas que dediquei escrevendo centenas de páginas dando voltas, mil voltas, para mostrar o que eu entendia por amor.
Ah, meninos, meus meninos queridos, que saudade que tenho de vocês. Vejo próximo o dia do nosso reencontro. Minha escrita mudou, vocês podem perceber, está mais curta, objetiva. Não digo mais dramática, porque isso não é algo que muda por gradação, mas, bem, nada como aquele efeito "soco no estômago" de fim de linha.

Essa coisa chamada descoberta

Cinco anos se passaram e eu continuo ouvindo as mesmas músicas quando quero pensar que estou fazendo uma viagem de carro. No fim, tudo se resume a músicas de viagens, redescobrimento, repetição, percepção e detalhes.
Amei minha lista canceriana no Spotify e "City and Colour" voltou pra me mostrar como esses dias de chuva e frio fazem mais sentido quando você aceita que tem um coração sensível.




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Delicado

Apesar de haver mil coisas presentes para se preocupar, Ana se perdeu por um momento num devaneio de lembrança passada, daquele tipo que vem sem contexto, uma vez só e se não der atenção vai embora.
Havia um carro, uma estrada comprida que dava num túnel.Estava no banco da frente, cantando, olhando para a janela. De repente uma mão lhe toca a perna. Ele tirou a mão da marcha para ir de encontro a sua perna.
Sentiu o rosto esquentar, acariciou aquela mão. Foi rápido, sincero e verdadeiro. Corriqueiro demais para que as pessoas normais percebam, se importem, ou recordem.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O meu mantra

O tempo de paz e prosperidade vive naqueles que dão o primeiro passo para o auto conhecimento. Colecionar todos aqueles sentimentos em camisetas de ano novo, pulseiras, tatuagens, nada significam se você não para e olha para dentro de si e, quando se sente pronto, se põe no lugar do outro. Meu espírito se eleva em solidariedade à Gizelli e o que está sentindo por sua perda, espero do fundo do coração que a dor passe e ela consiga encontrar sua paz novamente.


 

Águas termais

Um homem toca a campainha. Ele teve um duro dia no trabalho, carrega o peso do mundo nos ombros. Está cansado, quer tirar o paletó. A porta se abre e a sua esposa está de pé, sorrindo. Ela veste uma túnica de tecido grosseiro, amarrado à cintura por uma corda trançada. Os cabelos estão arrumados num penteado bonito de cachos, usa acessórios num tom fosco de ouro velho. Convida-o para entrar, fecha a porta, puxa os ombros do paletó para libertar os braços. São movimentos calmos, cuidadosos. O homem jovem quase comete o erro de perguntar o significado da luz baixa, do perfume de flores, mas o silêncio conta tudo a ele. Será uma boa experiência, não corte a suave música exótica que envolve o ar, os passos, as surpresas a cada movimento, não fale, não interrompa, não suje o imaculado silêncio.
Há uma bacia de metal diante da poltrona da sala a qual a mulher o direciona. O homem se senta e em poucos segundos a esposa dobra os joelhos, dobra-lhe a barra das calças, tira-lhe os sapatos e as meias. Molha-lhe os pés na água translúcida e morna. O corpo se aquece, relaxa na poltrona, deixa-se entregar ao prazer dos dedos macios da esposa entre os seus.
Tudo é calmo e passivo. Pouco tempo passa até que a esposa se levanta após enxugar-lhe os pés num cálculo evidente afim de evitar que a água esfrie e cause um choque desconfortável. Segurando-o pelas mãos, o encaminha para o banheiro. A mulher despe completamente o marido e indica um banco onde deve sentar-se de costas para ela. O silêncio é subitamente cortado pelo barulho da água que lhe cai quente sobre as costas. É bom, é um alívio, ele fecha os olhos. O seu bem massageia-lhe com uma esponja macia, limpa e perfuma seu corpo, passa as mãos para que a água caia em todas as partes necessárias. Não exagera, não aperta, não machuca, não quer excitá-lo, apenas limpa-lo e perfuma-lo suavemente.
Em pouco tempo lava-lhe a cabeça, enxágua e fecha o registro. As toalhas vêm dobradas, secas e macias em direção ao rosto, à cabeça, braços, pernas, tronco, costas. Ela embrulha-o num roupão e calça sandálias. Direciona-o ao quarto cuja cama tem uma pequena toalha sobre o travesseiro, onde ele descansará os pensamentos.
Deita-o. A noite cai fresca. Senta na beirada da cama com o penteado já um pouco desfeito, o corpo marcado d'água pelo tecido agora transparente. Ela sorri e acaricia o rosto do esposo. As palavras flutuam pelo quarto, o bem estar entra pelas narinas, preenche o pulmão. Ele parece menos cansado, mais feliz. Ela fica satisfeita por tê-lo mostrado uma forma alternativa de se fazer o amor e ele cai no sono em seus braços. Lindamente.  

Spoleto, massa integral

Hoje, num almoço, um rapaz me perguntou se eu já havia me dado conta de que era uma "Mulher Diferente".
Foram essas as palavras. Ele não me chamou de menina, moça, garota ou seus derivados, veja bem, ele disse que eu sou uma Mulher. E não para por aí, o "diferente" levou alguns segundos pra sair de sua boca porque ele estava mesmo procurando uma palavra adequada para adjetivar aquele Mulher com "m" maiúsculo.
Eu ri, óbvio.
- Mulher Diferente? - fiz uma pausa - Não dessa forma, mas lembro de terem me dito "estranha". É o que você está querendo dizer?
- Não. - Ele riu - Não foi isso que eu quis dizer.
Então eu notei que aquele rapaz via algo em mim que o fazia hesitar, reformular, sorrir e colocar letras maiúsculas e pingos nos "is". Acabei rindo. Mas claro, levei 21 anos para me dar conta de que um cara percebe quando você está sendo responsável com sua própria vida física e emocional. Saúde se destaca então.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Nobody said it was easy

Nessa sexta não havia nada esperando por mim. Como na anterior e na antes dessa. Igual como foi na primeira semana e na que se seguiu. Mas não tem problema, aprendo a ser paciente. Vou me sentar e esperar mais uma semana até que não haja uma resposta e eu recomece novamente. 
Pensei em esperar por dois anos, mas isso seria muito fácil, eu saberia o tempo que levaria para acontecer (ou simplesmente desistir) e em sinal de respeito e consideração, e falo como uma menina que acaba de receber um livro emprestado pelo tempo que quiser, esperarei o quanto for necessário. 

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

Signos, significantes, significados

Uma letra frouxa que corre solta e clara pelo papel, as linhas e contornos mais flexionados. Grafite gasto, tinta manchada, personalidade escorrida entre os dedos. A minha letra é redonda, de pé e a minha mão pesa e aperta a caneta como o sentimento que me aflige sempre. Essa ansiedade, essa dor, essa angústia. A minha caligrafia é forte e violenta, tomada pela urgência da captura do tempo que se vê cada vez mais perdido nas grades que formam meus traços.
Caligrafia, escrita da alma.
Digitação, generalização do ser humano.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Lindo fígado

As roupas caem bem, a maquiagem valoriza os olhos castanhos, o cabelo parece mais comprido e sedoso. Brincos, faixas, colares, sapatos. A beleza sorri de dentro pra fora, é verdade.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hidratante corporal de frutas silvestres e chantilly

Permita-me admitir que a partir de hoje fica convencionado fazer amor 90% e sexo apenas 10% e que dizer à sua mulher o quão aveludada e perfumada está a pele vai fazer com que ela queira não somente amá-lo como a ela ao mesmo tempo. Seria uma noite perfeita da qual a descrição pouco importa além de que haverá dois corpos unidos, amando um ao outro e a si mesmos. Seria o auge da simultaneidade reflexiva e recíproca.
Permita-me assinalar que neste instante a fúria não se faz necessária para aquecer o edredom, o roçar basta, é suficiente, é bom. Não há palavras, não há conversas, não há nada além do som dos beijos lentos, molhados, saborosos. Uma doce vontade de tirar dos lábios o ritmo do coração acelerado, um romance apaixonado, quentinho, possível.
Permita-me.  

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pedra sobre pedra

O amor dentro de nós é como uma 
fonte que nunca para de jorrar, 
não importa quanta água se tire dela.


domingo, 9 de abril de 2017

Friends

Já estava eu pensando no quão legal seria num futuro distante  - ou pelo menos até que a minha memória fizesse o trabalho de limpeza de narrativas, filmes e livros consumidos - assistir a Friends na companhia de pessoas queridas, na minha própria casa. É seria uma boa.
Mas eu estou assistindo hoje, comigo e isso também é muito bom. Hoje é bom, só comigo também.

sábado, 8 de abril de 2017

Receita Crepe Caseiro

Ingredientes

1 xícara (chá) farinha de trigo
1 + 1/4 xícara de leite
1 ovo
1 colher (café) de sal

Modo de Preparo

Misture tudo. No liquidificador, na mão, onde você quiser, só mistura. Eu fiz a mão mesmo e fui dissolvendo aos pouquinhos as bolotinhas de farinha que foram ficando pelo caminho.
Unte a frigideira com um pouco de manteiga (NÃO pense que por sua frigideira ser antiaderente isso vá resolver alguma coisa, eu pensei isso e agarrou tudo) e coloque a massa de forma que fique uniforme no centro e nas bordas.
Um bom segredo é colocar o recheio exatamente no meio para que as bordas venham para dentro pra ficar aquele quadradinho bonito. O problema realmente é medir a quantidade de recheio, porque se colocar muito o quadrado não fecha. Ai é um problema.
Então chegamos a mais uma dica: Não coloque uma música romântica pra tocar enquanto você faz crepe porque no caso de querer brigar com o recheio e você ficar gritando "FICA DENTRO, FICA DENTRO", seus vizinhos não vão pensar mal de você.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

fatídico

O que de fato nos incomoda, nessa vã condição humana, não é a eternidade. Porque estando a beira de nossa juventude não conseguimos enxergar dois anos a frente dos nossos narizes. O que nos incomoda mesmo é o dia seguinte.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Em caso de viagem de carro pelo país




Aquele presente de 15 anos que você não tinha maturidade pra ganhar. Agora reconheço o valor dos CDs que você me deu, obrigada também por se dispôr a gravar tudo do Nirvana que tinha disponível na internet da época.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Isn't she lovely


O amor depois do amor

Virá o tempo
quando, com euforia,
você vai saudar a si mesmo chegando
à sua porta, diante do seu espelho,
e sorrindo um dará ao outro boas-vindas,
e dirá: sente-se aqui. Coma.
Você amará novamente o estranho que era você.
Ofereça vinho. E pão. Devolva o seu coração
para si mesmo, para o estranho que te amou
por toda sua vida, a quem você ignorou
mas que te conhece de cor.
Recolha as cartas de amor na estante,
as fotografias, as anotações de angústia,
descole sua imagem do espelho.
Sente-se. Celebre sua vida.

Derek Walcott.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Desenho número 2

Desenhei no meu caderno um sol, grama, uma árvore fofa e fiquei olhando: por quê raios era só isso que ocupava minhas folhas quando criança?

Starbucks

Cheiro de café, livros para baixar, pão com manteiga, filmes românticos, botas e meias. Prevejo um inverno muito agradável.

Didática de português 1

Felicidade clandestina - Clarice Lispector

Clarice Lispector
O Primeiro Beijo
São Paulo, Ed. Ática, 1996

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Meg

Para dor que não tem remédio, faz-se poesia.

Meg

Os efeitos da perda atingem patamares astronômicos quando você questiona a existência de Deus e segundos depois se sente culpado e passível de castigo por ele ter ouvido-me duvidando.

Let it go

Volta a princesa ao castelo de papel crendo a boca como um santuário cujos beijos e palavras provém e tem o mesmo fim: amar delicadamente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ah, minh' adorada

Se eu tivesse que assumir amor por uma abstração, seria pela Faculdade de Letras da UFRJ. Venho de uma cidade psicológica e geograficamente distante na qual na Universidade Federal do Rio de Janeiro só os mais dedicados e inteligentes ingressavam.
Para completar, fica numa ilha que só não é imaginária porque é possível ver o Centro de Tecnologia da ponte Rio-Niterói. No entanto, apesar de todas as adversidades, e falta de crença no meu potencial intelectual, o meu nome estava na quinta linha da lista de 2013.2
A minha incredulidade do dia que anunciou minha entrada não é menor da que eu sinto quando, logo cedo, ponho meus pés naquele chão de pedra, grama, orvalho e poesia.
Pergunto-me se mais alguém reparou na beleza das florezinhas cor-de-rosa das árvores do estacionamento ou nas paisagens utópicas que dão pra fora das janelas.
Respiro fundo, caminho em direção à porta, estou na minha casa.
Antes eu era uma menina com um sonho, hoje estou quase me formando nele.

terça-feira, 21 de março de 2017

De volta às raízes como todo bom poeta dado ao romantismo

Com muitos gritos afinados, muito cabelo comprido, muita roupinha colada de couro e estilo do rock gemente que eu adoro.

https://www.youtube.com/watch?v=ylbmc1hAofg


segunda-feira, 20 de março de 2017

Livrai-nos de todo mal

Se eu pudesse desenhar, faria muitos traços fortes contrastando com linhas finas no mesmo sentido, para que ficasse bem dramático, bem pesado. Seria uma amazona de um metro e oitenta, com os cabelos escuros ao vento, encaixando o elmo da armadura no topo da cabeça.
A armadura estaria chamuscada, amassada, um pouco gasta de todas as batalhas que ela enfrentou, e apesar de tudo isso, seu rosto ainda estaria sereno. Uma espada e um grande escudo solar no chão. Uma capa esvoaçante e surrada também não cairia mal. Por baixo de todo metal há um corpo feminino, acreditem.
Se pudessem ver o desenho dessa mulher, sentiriam seus corações se curvarem diante de tamanha coragem. Seus olhos estão fechados, voltados para dentro em seu ritual. Não há nada em sua mente, não há uma prega de incerteza na testa, nem tremor nas mãos delicadas.
Ela sabe que nasceu com um propósito, ela sabe que ainda não foi cumprido e que há muitas estradas deveras distantes a percorrer, perigos, e aventuras a sua espera, já era hora de vestir a armadura novamente. Não há arrependimento, tudo é aprendizado, até a queda. Os cabelos estão crescidos, repare, preste bem atenção no tempo que passou. Foi mais que o suficiente.
Ela está pronta para lutar pela justiça, pelo amor, pela paz, por Athena.

Amém.


It's make me wonder


sexta-feira, 10 de março de 2017

Receita - Panetone Trufado

Ingredientes

1 panetone

Para trufa
500g de chocolate ao leite
1 lata de creme de leite com soro
3 gotas de essência de baunilha

Para calda
1 xícara (chá) de água
1 xícara (chá) de açúcar
2 cravos
1 pau de canela

Modo de Fazer

Corte o panetone em rodelas de aproximadamente 2 dedos e reserve.
Para a trufa, aqueça em banho-maria o creme de leite, sem deixá-lo ferver, Acrescente o chocolate picado com a baunilha. Misture bem até tingir uma mistura homogênea. Leve à geladeira.

Misture em seguida todos os ingredientes da calda e leve ao fogo até atingir uma consistência de calda (não em fio). Regue todas as fatias do panetone com a calda e recheie cada camada com a trufa. Enfeite com raspas de chocolate, frutas cristalizadas, cerejas e nozes.

Uma Cunha uma vez disse

Sou todos os poetas que li, mas eles não são eu.

Eu sou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em min toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
Que eu sou a a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
Gitâ, Gita Gita Gita!
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo o dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos "peg-pagues" do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
É, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio

quarta-feira, 8 de março de 2017

Rotina

Ocupar a cabeça com coisas academicamente importantes é bem fácil. Primeiro você começa a ler todos os textos indicados pelos professores e não fica só na leitura obrigatória, isso já consome todo tempo. Depois você vai nos assuntos relacionados para se aprofundar um pouco mais e ter um leque maior de comparações, citações, e falando em citações, também é possível considerar a memorização de algumas poesias, só por esporte. Um esporte culto, veja bem.
A seguir, aceite todos os convites para iniciação científica e encontros em grupos de estudo. Quando pensar que já tem coisa demais, lembre-se, você ainda tem tempo para tomar banho, esfregar as próprias costas e deitar. Exercitar as curvas mais lindas do seu corpo não será propriamente dolorido, no máximo exaustivo - psicologicamente falando, no entanto, o coração continua batendo.

terça-feira, 7 de março de 2017

O pote de moedas

- Quando precisar, tire de qualquer outro lugar. Não tire do sonho.

Era só pra dar o troco, mas a frase foi tão profunda que eu acabei tirando do dinheiro da xerox da faculdade.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Receita - Docinho de Panetone

Rende 50 unidades
Tempo de preparo 40min

Ingredientes

1/2 chocotone
1 caixa ou lata de leite condensado
2 xícaras (chá) de amendoim torrado descascado moído sem sal
1/2 xícara (chá) de uva passas 
manteiga para untar as mãos

Modo de fazer

Em uma tigela, mistura o panetone, o leite condensado, metade do amendoim e as uva-passas até formar uma massa homogênea.
Unte as mãos com a manteiga e faça bolinhas com a massa de panetone. 
Passe as bolinhas no restante do amendoim moído e coloque-as em forminhas de docinhos.



quarta-feira, 1 de março de 2017

Retiro Espiritual

Ficar em silêncio, na companhia apenas dos pensamentos, é perceber que a nossa voz é muito alta e quase sempre desnecessária. A dieta das palavras consiste em permanecer com a boca fechada e os ouvidos abertos. Nessa peregrinação pelo seu verdadeiro eu, acaba-se descobrindo que seu trabalho não é procurar, porque ele sempre esteve lá, é só aceitar.
Eu sou a Mariana, adoro crianças, música velha e vídeo game. Sou uma pessoa carente de atenção, canceriana, prefiro o inverno e minha cor preferida é o branco. Entre gato e cachorro, eu prefiro calopsita e meus passa-tempos são: ler, bordar e escrever textos como este. Sou professora de espanhol e português.
Já estudei inglês, espanhol, japonês, italiano, hebraico, latim e grego. Acho que tenho um fraco por idiomas. Sou apaixonada por chocolate, mas morro por uma torta de limão (aqui percebemos os primeiros paradoxos da minha personalidade. Quando for doce, que seja doce, mas quando não, quanto mais azedo melhor. Eu disse AZEDO e não amargo).
Faço coleção de mangás e os amo como se fossem parte de mim, em especial os Cavaleiros do Zodíaco. Também amo a Disney, as minhas princesas são: a Pocahontas, depois a Jasmine, Mulan e Bela <3
Descobri que apesar de simpática e amável, sou muito tímida. Sonho em viajar de novo de navio, visitar o Japão, a Espanha, a Grécia, Macau e Marrocos.
Tenho uma tatuagem do Peter Pan, meu filme favorito continua sendo Titanic, e a música, "Every Breath you take" do The Police. Meu posicionamento político-social é "cuide da sua vida e pare de opinar numa felicidade que não é a sua" e isso vale para as causas feministas, homossexuais, LGBT, etc. Sou uma pessoa indecisa, estou há três anos para decidir o que fazer com a parede do quarto, mas já sei o tema da dissertação de mestrado.
Eu não gosto de baladas (apesar de nunca ter ido a uma, a ideia já me deixa claustrofóbica), odeio a ideia de relacionamentos compartilhados, abertos, traições, chifres e tudo o mais. Gostaria de um dia me casar com vestido e veuzinho, ter filhos e fazer Natais com amigo oculto com a família toda.
Quem sabe ter uma espécie de sítio com árvores frutíferas, uns bichinhos, uma casa na árvore e piscina, as festas juninas lá seriam ótimas! Na lista do que eu quero ver está a neve, o monte Fuji, os jardins do Louvre, a muralha da China e o fundo do mar. Pretendo voltar a dançar a dança do ventre, pular de asa delta, aprender a tocar violão e andar de bicicleta. AH, eu também quero muito ir numa roda gigante.

Enfim, no meu retiro espiritual descobri que sou feita de sonhos e esforços e isso não faz mal a ninguém.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Fechar os olhos é como trancar uma porta"

Mariana, Rosário, Perpétua e Manuela

Carta 2

A luz do abajur ilumina o meu companheiro cujo cansaço é quase tão evidente quanto o meu. Há meses vem pelejando nesta guerra cheia de fundamentos, esperança e morte. O livro é longo e, quando quer, mostra o quão difícil e massante pode ser uma leitura de derrotas.
Angustio-me, choro, fico feliz por Perpétua e inconformada com o destino de Rosário. Sigo identificando-me com Manuela, a que narra e faz diários.
Privo-me do sono como uma viúva das cores, numa conformidade religiosa. Dormir tem me assustado. Temo que os sonhos continuem falando-me e portanto, faço da leitura um belo castigo no qual me encontro, em romance, com a minha face mais moça, a parte sonhadora que preocupa, mas não dói.


A marca na minha pele

Acabo de chegar a conclusão de que as pessoas que mais amei (convicta desse amor) foram as que mais me ensinaram sobre o amor próprio. Não bastava pra elas que eu as adorasse, elas precisavam me mostrar que todo aquele amor exacerbado estava errado porque todos querem ser lembrados, mas apenas quando se sentem carentes.
O ser humano tem dessas de querer se sentir desejado pelo inalcançável e possuir avidamente tudo aquilo que não está ao alcance das mãos. Falo por mim também. E apesar de saber que também sou pecadora, odeio meus semelhantes por tal desdém, pela sua capacidade de jogar fora o amor que - erroneamente - não dediquei a mim, mas a eles. 
Matemática é ridículo de difícil, mas sociologia é um bicho fantasiado de notas boas. Escreve num muro qualquer dia desses "O que significa viver em sociedade?" que o muro vai ser rebocado, pintado, pichado, coberto de limo, demolido por uma empresa de construção de estradas intergalácticas e a pergunta vai ficar ecoando pelo espaço para sempre até todos os seres humanos estejam desnutridos de sentimentos ou simplesmente mortos. Mortos!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rafaela e Núbia

No último domingo eu estive tomando conta de duas menininhas. Uma de seis (sete agora dia 22/02) e a outra, mais velha, de nove anos. Eram irmãs, mas muito opostas, a mais velha era mais obediente, companheira, sem perder a infantilidade, claro. E a mais novinha, completamente espevitada, corajosa, o tipo de criança que sabe te testar.
A Núbia andou de braço dado comigo, deitou a cabeça no meu corpo na segunda vez que eu dei um "olá".
- Não sei se você sabe, mas a gente já brincou um dia. - Ela disse quando nos reencontramos pela manhã depois de alguns anos sem nos vermos (que pelos meus cálculos, seriam uns três anos).
- Eu sei, lembro-me bem, eu até fiz pipoca pra gente comer junto.
A minha frase a iluminou. "Como é bom quando somos lembrados" pude depreender da expressão facial daquela criança.
Elas pediram para ir à piscina, pediram para a mãe permissão para que eu tomasse conta, porque, afinal, eu já sou grande e posso olhá-las. É uma responsabilidade muito grande, mas eu fui, e já fui ditando as regras.
- Não passem da metade pra lá porque não consigo vê-las e se acontecer algo eu não posso pular pra salvar vocês.
- A sua mãe me disse mais cedo que você não pode entrar na água porque está com cólica. A minha mãe disse que eu tinha muita cólica quando era bebê... Isso quer dizer que você não pode tomar banho? - Perguntou Núbia.
- Hm... - Busquei na memória com que idade, exatamente, a minha mãe tinha me explicado o que era "virar uma mocinha", mas não tive tempo de raciocinar porque já estava demorando muito para dar a resposta, então só disse - É complicado. Eu fico aqui da sombra olhando vocês. Podem ir, mas antes, coloquem os chinelos na sombra.
Núbia brincava na borda rasa da piscina, intencionalmente na minha frente, para facilitar meu trabalho enquanto Rafaela, vulgo Fafinha, dava altas barrigadas quando descia do tobogã. Elas conversaram na borda, Núbia me apontou uma garota com um belo maiô, Rafaela se atreveu a ir pouco além do que eu tinha permitido. Eu incumbi Núbia de ir buscá-la e relembrar meu pedido/proibição. Depois disso eu estive no parquinho, na gangorra, no pula-pula, na sala de computadores vestindo princesas online, e no quarto ao brincar com uma parte da coleção de lego que elas tinham. Minha cabeça voou. Eu já não sabia o que a minha companhia refletia, se eu sentia mais vontade de ser amiga das crianças ou se eu queria uma pra mim.

"Você deve ser a menina mais especial da sua sala."
Tive que segurar o choro quando a Núbia disse isso quando estávamos no balanço. Ela com certeza repararia minha lágrima, só não teria maturidade para entender a minha dor.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quem precisa de um título?

Não importa se a minha amiga vem me ver e assiste a programas de menininha na TV comigo só pra me fazer companhia, ou se ela passa horas falando da reforma da casa pra me animar. Não importa se eu vejo Ross e Rachel se separando, se entendendo e se amando em segredo porque você não sabe nada de Friends mesmo. E não importa se eu vou querer desesperadamente que dormir ao meu lado signifique pra você mais que um estorvo que se mexe demais a noite.
As músicas românticas sempre vão tocar e eu vou me lembrar da música lenta que não dancei com você, da roupa que eu não vesti pra você elogiar ou sei lá, tirar. Nada mais importa, porque não são os textos nem a cor do cabelo, não foi nada disso, nada disso. Foram três dias em que o tempo parou pra que eu percebesse que nada disso importa, mas foi suficiente pra tudo ficar confuso, estranho e eu sentir vontade de não escrever por medo, vergonha ou lucidez demais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Algum dia de fevereiro

Se me perguntassem, eu diria "escrevo" cartas, não "respondo". Ter o ímpeto de escrever demonstra cuidado com as palavras. O uso de rascunhos, a atenção à caligrafia, ortografia, rasuras e as pausas para a respiração do próximo fazem da carta um produto idealizado unicamente ao meu destinatário - que pode nunca ter reparado nessas regalias.
É difícil planejar sua extensão ou ter estimativas do quão clara ela será... De qualquer forma, se houver algo nas entrelinhas, isso estará protegido dos olhos curiosos, sempre tão leigos.
Concebo neste velho e pouco usado português uma tentativa de valorização para o que nunca se faz e pouco vê. Ria com o bilhete, curta o aviso e a nota, mas ame sua carta. Comunicar-se nos dias atuais por meios tão frívolos pode ser fácil, escrever não.

Atenciosamente,
Remetente.

Ps. Aqui geralmente fica o que você gostaria de ter dito na primeira linha.
Ps.2 Ou algo que tenha esquecido e não pode passar em branco.
Ps. 3 Apesar de "Eu te amo" não precisar de regras de posicionamento ou ser esquecido com facilidade.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A greyness I used to call freedom

Havia uma cama de casal, um armário a esquerda e uma tv em frente, não a mim, mas a você. Diante dos meus olhos apenas letras de um livro eletrônico o qual eu pausava, às vezes, para te perturbar com os pés. O fio o conectava ao videogame que por sua vez o conectava a tela da tv e ao mundo imaginário cujo herói usava uma espada, mas na realidade coçava os dedos para não ajeitar os óculos. Cansado de talvez ser incomodado com aquela baboseira de massagem, você puxou meu pé direito para o colo e num movimento rápido com a cabeça mandou-me sossegar porque travara uma batalha muito importante.
Permaneci comportada passando as páginas do livro, no entanto a atenção estava de fato na coluna corcunda e pernas de índio cruzadas lá na ponta da cama. Comecei a mover os dedos do pé em sua barriga na tentativa de cócegas e consegui arrancar um sorrisinho, eu vi, eu juro que vi. E eu adorava quando você dava corda.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

WestWorld

Sinopse

Westworld é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por andróides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à "evolução do pecado". Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), programada para ser a típica garota da fazenda, que está prestes a descobrir que toda a sua existência não passa de bem arquitetada mentira.



O que eu gostaria de refletir (Spoiler)

Parece que, nessa altura da vida, o mundo já não se interessa pelo sobrenatural. Filmes, novelas e programas de TV não prendem a atenção falando do desconhecido. Não há mais conquistas de territórios, já cantamos muita glória em cima das guerras. Os deuses de todo tipo de mitologia já foram incansavelmente usados, reutilizados e novamente descartados. Não há mais bruxas, vampiros e lobisomens são um assunto clichê, anjos e demônios foram aposentados.
Não nos interessamos por nada que venha de fora, julgamo-nos controladores de todas as rédeas do universo (apesar dos filmes de astronautas sempre mostrarem tragédias e famílias destruídas). Agora, o que vale a pena, o que ganha atenção é até aonde conseguimos chegar a partir de uma característica que nos torna nobres seres humanos como a ganância elevada ao extremo.
Eu vejo nessa série uma tendência que começou com Matrix, só que um pouco mais aprofundada. Há muitos detalhes, muitas nuances a se perceber no âmbito religioso, simbólico, artístico e fotográfico. Somente hoje, algumas horas depois de ter visto o décimo e último episódio, percebo, homens como criadores, a Dolores é a Eva de WestWorld. Veja só, uma mulher que tem o fruto do conhecimento (metaforicamente simbolizado por um labirinto) e é a responsável pelo caos daquele pequeno mundo.
A igreja funciona como portal para a consciência e o mais incrível, o mais incrível, é como as pessoas se transformam quando tem todas as possibilidades na mão.
"Que tipo de pessoa você se transformaria se visitasse westworld? Um (a) simples depravado, um (a) assassino, aventureiro? Não se acanhe, eu sei que você seria alguém completamente diferente do que finge ser aqui fora." Foi essa mensagem que eu tirei do primeiro episódio e foi com essa que eu terminei o último. Gosto de séries que não se contradizem, que me inspiram e geram questionamento. Voltemos então ao início desse texto, somos ou não uma geração de Narcisos?


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Deus nunca dará o que não conseguimos suportar

As pessoas se esquecem que vivem o que precisam e não o que querem e nesse esquecimento vão acumulando mágoas e culpas que não tem onde jogar porque, afinal, criam expectativas na ilusória sensação de que tudo vai correr como planejado. Essas mesmas pessoas não entendem que por mais que repitam um mantra - muito conhecido - "tudo vai acabar bem, tudo vai acabar bem", que pode ser que se resuma a "seja bom (a) sem precisar de um motivo ou compensação", às vezes, ser bom não será o suficiente e "acabar bem" é apenas um ponto de vista - que, no caso, mesmo que você queira, não será sempre o seu. E apesar de todas as adversidades, pontos de vista, mantras e o caralho, eu diria que as pessoas - e aqui finalmente me incluo explicitamente - deveriam apenas lutar para não se esquecer de quem são.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Eu acho que tive uma síncope quando ouvi uma seguida da outra e notei a semelhança




OBS:. Eu adoro essa capa de CD.

Always Somewhere - Scorpions

Arrive at seven the place feels good
No time to call you today
Encores till eleven then Chinese food
Back to the hotel again

I call your number the line ain't free
I'd like to tell you come to me
A night without you seems like a lost dream
Love I can't tell you how I feel

Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again [2x]

[Solo]

Another morning another place

The only day off is far away
But every city has seen me in the end
And brings me to you again

Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again [2x]




Simple man - (Uma banda com muitos "y" e consoantes)

Mama told me when I was young 
Come sit beside me, my only son 
And listen closely to what I say. 
And if you do this 
It will help you some sunny day. 
Take your time... Don't live too fast, 
Troubles will come and they will pass. 
Go find a woman and you'll find love, 
And don't forget son, 
There is someone up above.

(Chorus) 
And be a simple kind of man. 
Be something you love and understand. 
Baby, be a simple kind of man. 
Won't you do this for me son, 
If you can?

Forget your lust for the rich man's gold 
All that you need is in your soul, 
And you can do this if you try. 
All that I want for you my son, 
Is to be satisfied.

(Chorus)

Boy, don't you worry... you'll find yourself. 
Follow you heart and nothing else. 
And you can do this if you try. 
All that I want for you my son, 
Is to be satisfied.

(Chorus)