domingo, 30 de outubro de 2016

Vida louca vida

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Quando ninguém olha quando você passa
Você logo acha "Eu tô carente"
"Eu sou manchete popular"
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar

Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual

Se alguém olha quando você passa
Você logo diz "Palhaço"
Você acha que não tá legal
Perde todos os sentidos a não ser o perigo
Você passa mal

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha "Eu tô carente"
"Eu sou manchete popular"
Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Não noticiaram o furto das minhas lembranças

Havia um nome, uma referência, um endereço. Havia uma história por trás de tudo que acontecia, um propósito, uma ligação e o mundo girava em torno das coincidências. A medida que o tempo passou, as mensagens subliminares foram ficando opacas, o significado nos desenhos dos olhos desapareceu.
O clima ficou seco, as relações mais distantes, as memórias dispersas entre o poço do amor e do esquecimento. As gavetas do meu cérebro foram tão remexidas que tudo que tinha nome agora se resume à Falta.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Quando você olha pra estrada do lado de fora do carro

É como se sentir um bichinho. Não se sabe o que vai acontecer, onde você vai ficar, quem vai te aceitar, a quem você não vai perturbar. Uma vida modesta, com um nome e um endereço são as minhas ambições no momento.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O terceiro discípulo

Um jovem uma vez soube da existência da lenda de um grande mestre sábio que vivia no alto das montanhas. Ávido por conhecimento, o jovem percorreu um caminho difícil, desfavorável, árduo, mas sem desistir de tudo que poderia aprender com o velho sábio.
Chegando lá no topo da montanha descobriu que não havia provas de resistência física, nem mental. Na verdade não havia nada. Nem seguidores, discípulos, ninguém. Apenas os sinos de vento assoviando uma triste melodia.
O templo principal estava tão empoeirado que suas pegadas ficaram registradas no chão. No centro de duas grandes e grossas pilastras brancas havia uma pintura. Uma silhueta contornava o vento com um grande chapéu, de costas para a pintura. A silhueta estava de pé, apoiado num bastão de madeira. Abaixo da pintura havia um circulo dourado em chamas. Chamas incandescentes que não se alimentavam de nada, apenas queimavam.
- Boa tarde? - Ele chamou.
Não houve respostas.
- Eu gostaria de falar com o mestre. - Anunciou em voz branda.
Também não obteve respostas.
- Aguardarei pelas instruções. Até lá, espero não incomodar se esperar nessa sala.
O jovem sentou em meditação e esperou. Passaram-se quatro noites e três dias. A sua paciência não foi alterada. Ele não pronunciou mais nenhuma palavra dentro do templo, não tentou buscar pistas, não foi além do ponto onde havia parado no primeiro dia.
Era num dos pontos da meditação que se confundia com o sono que sentiu a escuridão cobrir seu rosto. Quando abriu os olhos percebeu que de frente pra ele havia um homem muito enrugado.
- Obrigado por vir até mim, mestre. - Disse fazendo uma reverência.
O ancião fez sinal para que se colocasse de pé e caminhou para fora do templo. Por muitos tempo caminharam em silêncio, parecia uma eternidade. Foram muito além das árvores, para um lugar onde o templo era apenas uma mancha entre as montanhas.
O jovem era paciente. Esperaria até que o mestre falasse para que pudesse ouvir e assim aprender. E com esse pensamento não disse uma palavra por mais três dias. Foi levado a um campo de treino onde viu uma tímida urna de pedra guardando as cinzas de alguém.
Em seguida foi levado a um penhasco alto o qual também, na ponta, reservava uma urna de pedra. O mestre viu que nenhum músculo do jovem se moveu, nem os da face. Não havia espanto ou surpresa.
- De que forma você quer morrer? - Perguntou o ancião cuja voz de dragão fazia o ar vibrar.
O jovem contemplou a maravilhosa vista do céu que dava no precipício, olhou para o campo de batalha no campo oposto.
- Eu não penso na morte, senhor.
O ancião fez um sinal de positivo com a cabeça e apontou com o velho cajado de madeira para o sol.
- Também não deve pensar na vida.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Van Halen

Dois anos para encontrar essa música. Caralho, dois anos. 


Why can't this be love?

And I, I am feeling a little peculiar



O caminho do letrando

Lê uma poesia
Inspira-se
Ouve o som da risada
Sente o perfume
Escreve
Fode-se

Journey

Nada, além de um dragão, me fazia mal. Eu podia cantar e voar. Meu avatar parecia inocente, humilde e determinado. Senti os caminhos debaixo dos meus pés, a dificuldade do terreno. Passei por um grande templo onde encontrei meu semelhante, escorreguei nas dunas, dei vôos altos. Se você pega as letras, pode voar mais. Simbólico, não? Se bem que não há um passo que não seja metafórico. Tive companhia, tive paciência. Minha jornada foi menor que a do meu namorado, mas os dois nos demos conta de que os pés vão sozinhos no final das nossas jornadas.


O meu saco

,que está cheio, pediu para ser esvaziado e eu não faço ideia de como fazer isso. O meu saco está transbordando. Não aguento mais essa merda. Acho que preciso de um saco novo ou pelo menos rasgar esse e remendar um fundo maior. Talvez só fazer um buraquinho na base e deixar escorrer o que tem dentro resolva o meu problema para sempre.

Texto sobre a mentira

Depois que você ficou doente tudo mudou. Não sei se para mim, se você foi sempre assim. Só sei que via em você alguém para admirar, com princípios, inteligente e principalmente verdadeira. Minha querida, você sempre falou a verdade para todos porque desde aquela época já julgava o mundo podre demais e não queria fazer parte do outro lado da população que dava força sendo lixo.
Te coloquei num pedestal, fiz de você a minha estrela, quis te preservar e lustrar para que, além de mim, todos vissem a sua luz. Você sempre foi tão forte e frágil, sempre voltando aos meus braços para pedir conselhos ou só um carinho.
Eu te vi feliz por finalmente ter dado o primeiro beijo, vi desenhar coisas lindas, criar histórias. Ajudei na sua festa surpresa (que você adorou, e veja só, me fez dançar). Ao mesmo tempo que te vi apagar, piscar, falhar. Tentei entender se era uma fase passageira e o seu brilho retornaria em algum momento. Mas não, você virou pó, como todas as outras pessoas comuns, porque quis.
Desculpa, mas não consigo me acostumar com a pior versão de você. Não foi só o brilho que foi embora, foi a estrela e tudo que nela havia.