domingo, 19 de junho de 2016

Diário de sonhos

Seguindo o conselho da Mayra, cá estou eu catalogando mais um sonho para que daqui a 20 anos eu descubra que na verdade sou um tipo de oráculo da Grécia antiga que prevê acontecimentos inúteis através de sonhos. Yeah.
Ok, vamos lá.

"De novo eu estava voando. Eu já procurei o que isso significa, mas cada site ou livro fala uma coisa diferente. E são tantos detalhes! Voar sozinho, voar acompanhado, voar com um grupo, voar triste, voar pensativo, voar feliz, cair em queda livre. Cada um desses tipos tem um significado diferente. Nesse sonho eu voava da minha casa para trocar de roupa e passar por um prédio que tinha grades e portas de ferro. O zelador não gostava nem um pouco de mim e trancava todas as possíveis entradas para o pátio do prédio que não era lá essas coisas, até bem feio.
Eu fiquei presa numa dessas grades porque meu quadril estava estranhamente grande e não passava. Estava muito frio e, por isso, eu vestia muitas roupas. Tive que tirar minhas roupas para passar pela grade e não ser pega pelo zelador, foi vergonhoso.
Bem, a angústia de ser capturada também era bem ruim.
Depois que saí dali sobrevoei uma cidade fria, com edifícios antigos (como no Centro do Rio ou Buenos Aires). As pessoas conversavam paradas pelas esquinas em grupos e se esquentavam com um tipo de lixeira-fogueira de metal. Eu só sei que teve um "corte" no sonho e eu desapareci. De repente observava um desses grupos de esquina e flagrei olhares nervosos entre uma mocinha e um rapaz. Eles estavam em grupos diferentes, mas com amigos em comum. Achei engraçado como a menina se forçava a não olhar naquela direção e minutos depois lá estava ela, tentando ver a ponta do casaco dele, ou um pedaço da cabeça, qualquer coisa, discretamente.
O rapaz desapareceu e ela começou a se concentrar nas pessoas a sua volta, nas conversas.
"Eu acho que isso vai render um bom dinheiro"; "Não sei o que vai acontecer com a casa se ela falecer..."; "Por que não marcamos naquele café? Tem karaokê!" (...)
Sentiu, de repente, uma sensação morna. Era um vapor pouco denso que esquentava, penetrou os ouvidos e provocou, por um momento, um estado de êxtase.
- Por que você está tão distante?
Claro, era o hálito quente daquele que observava. A voz era firme, convicta e ao mesmo tempo muito inocente. Ele não estava forçando uma sedução barata, não, o rapaz estava passando dos limites de relações interpessoais entre estranhos para que os demais não percebessem a intimidade que existia apenas no olhar. Aqueles olhares haviam sido o convite para uma relação de cumplicidade que ambos permitiram.
E no tempo de um "corte de sonho" estavam sobre uma cama de solteiro, sob cobertas pesadas, de pernas entrelaçadas.
- Se você pressionar com movimentos contínuos, vai ser ótimo. Assim, me dê sua mão.
Ele estendeu a mão e ela apertou a palma em movimentos circulares. O rapaz fechou os olhos em prazer e deixou o estímulo percorrer todo corpo."

Então acordei. Lembrei da cara do zelador, do prédio, das grades, da cidade fria, dos grupos que conversavam pelas esquinas, da moça e do rapaz que conversavam na cama e percebi que não conhecia nenhum deles na vida real.
Sonhos. Nem sempre querem dizer alguma coisa.

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