segunda-feira, 27 de junho de 2016

Enquanto eu estudo

Verbos de ligação são aqueles que não indicam ação. Fazem ligação entre 2 termos: sujeito e predicado. Até aí tudo bem, né?
Para Mateus et alii (que é uma mulher, acredite) os verbos podem ser: predicadores, de ligação, suporte e semi auxiliar.
Os predicadores são aqueles que podem ou não exigir argumentos (e suas condições semânticas e morfossintáticas, ou seja, o sentido que eu chamo de "ideal" do verbo, exemplo: verbo ligar nas frases "Eu liguei para o celular de Karen" e "Eu não liguei para o que a fulana disse". Na primeira frase seria o sentido ideal e na segunda um sentido que foi acrescentado com o tempo ao verbo - algo como se importar. Mas isso tudo é da minha cabeça, tá? Mateus el alii não falou nada disso, ela se refere a isso com a nomenclatura "sentido pleno", "sentido não-pleno")
Os de ligação são aqueles que operam num predicado complexo e se conectam SEMPRE a um elemento não verbal. (que seria o predicativo do sujeito). Exemplo: Mariana é estudiosa. (olha que mentira) "Estudiosa" é um adjetivo que se relaciona com o nome (que está exercendo papel de sujeito > Mariana)
Então eu parei e pensei

"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
e a falta que eu fiz nessa semana
coisas que pareceriam óbvias
até pra uma criança

Por onde andei?
enquanto você me procurava (...)"

Porra, o primeiro andei é muito diferente do segundo. Ou será que não? O cara não pode ter caminhado todo torto (errado) ou esse verbo está apenas ligando as informações "dizer" e "errado"?
No segundo é óbvio, pela frase seguinte pescamos a ideia de direção, andar com sentido pleno.
Essa foi a primeira dúvida.

Prosseguindo com os estudos...

Os verbos suporte também se ligam com elementos não verbais, usando verbos predicadores. Eles constroem frases enfáticas, que poderiam ser substituídas por outras menores e de mesmo significado (perdendo apenas o valor semântico do esforço)
Exemplo: Eu fiz ver a saída X Eu mostrei a saída    
                Eles fizeram menção a "Curtindo a Vida Adoidado" nos créditos de Deadpool X Mencionaram "Curtindo a Vida Adoidado" nos créditos de Deadpool
                O SBT não dá créditos as versões originais mexicanas que copiam descaradamente em versões brasileiras X O SBT não credita (...)
Os verbos semi auxiliares se unem se unem aos predicadores ou a estruturas complexas para acrescentarem algum tipo de significado extra (que não pode ser reconstruído através de outra forma mais simples)
Ex: vai estudar (sentido de futuro)
       pode ser feliz (possibilidade)

Outro problema:
"Queria saber voar 
pra lá do alto poder ver você
te ver sorrir, te ver sonhar
coisas lindas quero te dizer

se um anjo encontrar
eu vou pedir pra ele te proteger
oh estrela que me faz enxergar
que a vida é linda de viver."

Fudeu. Que a professora não conheça essa música.

domingo, 26 de junho de 2016

I am like fire

I like fire
I'm like fire
I am fire
Me sentia só e descobri que o que precisava era de fogo. Acendi uma vela e esperei me surpreender com uma grande chama. Por dez minutos tudo que aconteceu foi: nada. A minguada não vingava, não ardia. Busquei mais fogo no fogão e descobri que não fazia diferença, a chaminha era teimosa (ou seria preguiça?). Abri a gaveta e peguei uma vela de reza, grande, nova, forte. Daquela chaminha minguada de repente surgiu o fogo das minhas expectativas. Pronto, agora ela tinha uma companhia. Quem sabe agora crie forças para permanecer ao lado da outra? O tempo foi passando, a chaminha permaneceu acesa.
Pequena.
A outra seguiu forte, brilhosa e, curiosamente, a que mais me instigou foi a primeira que as vezes parecia apenas um pavio incandescente, as vezes parecia uma pequena vida, uma pequena morte, uma incrível dualidade humana enquanto a outra se consumia loucamente.

    

domingo, 19 de junho de 2016

Diário de sonhos

Seguindo o conselho da Mayra, cá estou eu catalogando mais um sonho para que daqui a 20 anos eu descubra que na verdade sou um tipo de oráculo da Grécia antiga que prevê acontecimentos inúteis através de sonhos. Yeah.
Ok, vamos lá.

"De novo eu estava voando. Eu já procurei o que isso significa, mas cada site ou livro fala uma coisa diferente. E são tantos detalhes! Voar sozinho, voar acompanhado, voar com um grupo, voar triste, voar pensativo, voar feliz, cair em queda livre. Cada um desses tipos tem um significado diferente. Nesse sonho eu voava da minha casa para trocar de roupa e passar por um prédio que tinha grades e portas de ferro. O zelador não gostava nem um pouco de mim e trancava todas as possíveis entradas para o pátio do prédio que não era lá essas coisas, até bem feio.
Eu fiquei presa numa dessas grades porque meu quadril estava estranhamente grande e não passava. Estava muito frio e, por isso, eu vestia muitas roupas. Tive que tirar minhas roupas para passar pela grade e não ser pega pelo zelador, foi vergonhoso.
Bem, a angústia de ser capturada também era bem ruim.
Depois que saí dali sobrevoei uma cidade fria, com edifícios antigos (como no Centro do Rio ou Buenos Aires). As pessoas conversavam paradas pelas esquinas em grupos e se esquentavam com um tipo de lixeira-fogueira de metal. Eu só sei que teve um "corte" no sonho e eu desapareci. De repente observava um desses grupos de esquina e flagrei olhares nervosos entre uma mocinha e um rapaz. Eles estavam em grupos diferentes, mas com amigos em comum. Achei engraçado como a menina se forçava a não olhar naquela direção e minutos depois lá estava ela, tentando ver a ponta do casaco dele, ou um pedaço da cabeça, qualquer coisa, discretamente.
O rapaz desapareceu e ela começou a se concentrar nas pessoas a sua volta, nas conversas.
"Eu acho que isso vai render um bom dinheiro"; "Não sei o que vai acontecer com a casa se ela falecer..."; "Por que não marcamos naquele café? Tem karaokê!" (...)
Sentiu, de repente, uma sensação morna. Era um vapor pouco denso que esquentava, penetrou os ouvidos e provocou, por um momento, um estado de êxtase.
- Por que você está tão distante?
Claro, era o hálito quente daquele que observava. A voz era firme, convicta e ao mesmo tempo muito inocente. Ele não estava forçando uma sedução barata, não, o rapaz estava passando dos limites de relações interpessoais entre estranhos para que os demais não percebessem a intimidade que existia apenas no olhar. Aqueles olhares haviam sido o convite para uma relação de cumplicidade que ambos permitiram.
E no tempo de um "corte de sonho" estavam sobre uma cama de solteiro, sob cobertas pesadas, de pernas entrelaçadas.
- Se você pressionar com movimentos contínuos, vai ser ótimo. Assim, me dê sua mão.
Ele estendeu a mão e ela apertou a palma em movimentos circulares. O rapaz fechou os olhos em prazer e deixou o estímulo percorrer todo corpo."

Então acordei. Lembrei da cara do zelador, do prédio, das grades, da cidade fria, dos grupos que conversavam pelas esquinas, da moça e do rapaz que conversavam na cama e percebi que não conhecia nenhum deles na vida real.
Sonhos. Nem sempre querem dizer alguma coisa.

sábado, 18 de junho de 2016

No me compares




Agora que gemem mais pálidas nossas memórias
Que há neve no televisor
Agora que chove na sala e se apagam
As velas do barco que me iluminou
Agora que canta o tempo chorando seus versos
E o mundo enfim despertou
Agora perdido em um silêncio feroz
Que quer desatar esses nós

Agora enxergamos direito
E podemos nos ver por detrás do rancor
Agora eu te digo de onde venho
E dos caminhos que a paixão tomou
Agora o destino é ermo
E nos encontramos neste furacão
Agora eu te digo de onde venho
E do que é feito o meu coração...

Vengo del aire
Que te secaba a ti la piel, mi amor
Yo soy la calle, donde te lo encontraste a él
No me compares, bajé a la tierra en un pincel por ti
Imperdonable, que yo no me parezco a él
Ni a él, ni a nadie

Ahora que saltan los gatos
Buscando las sobras, maúllas la triste canción
Ahora que tú te has quedao sin palabras
Comparas, comparas, con tanta pasión

Ahora podemos mirarnos
Sin miedo al reflejo en el retrovisor
Ahora te enseño de dónde vengo
Y las heridas que me dejó el amor
Ahora no quiero aspavientos
Tan sólo una charla tranquila entre nos
Si quieres te cuento por qué te quiero
Y si quieres cuento por qué no

Você não sabe
Por onde andei depois de tudo, amor
Eu sou a chave, da porta onde encontraste alguém
Não me compares
Não busque nela o olhar que dei a ti
Imperdoável que eu não seja igual a ela
Então não fale, que alguém te toca como eu toquei
Que se acabe e que tu partas sem saber
E para sempre, ninguém te toca como eu toquei
Que se acabe...
Yo soy tu alma tú eres mi aire!

Que nos separen, si es que pueden
Que nos separen, que lo intenten
Que nos separen, que lo intenten
Yo soy tu alma y tú mi suerte
Que nos separen, si es que pueden
Que nos desclaven, que lo intenten
Que nos separen, que lo intenten
Yo soy tu alma y tú mi suerte

terça-feira, 14 de junho de 2016

Fases - Hymn to the sea

Algumas coisas existem na nossa vida para passar mensagem de esperança e de amor. Essas coisas têm épocas para surgir e se surgem no momento errado, acabam passando alguma informação útil, mesmo que não seja a principal. 
É assim que eu me sinto assistindo a Titanic ou lendo "O pequeno príncipe". Meu coração pede pelo filme, só mais uma vez, só para perceber fatos que passaram despercebidos das últimas vezes, para - quem sabe - conseguir resgatar essa mensagem especial. 


Quinceañera

Meiga, sorriso de princesa
Assim é ela
Reservada em sua beleza
Insistente em sua confiança
Analisa os versos, monta as palavras
Num resplandecer de sonhos
Alma feminina surge

Contando estórias de tempos de paz
Unindo gestos em desejos de amizade
Nenhum momento é menos importante
Humor contido, mas verdadeiro
Andando a vida com desvelo

Divina luz que clareia encantos
Unge nas essências cristalinas
Toda felicidade desta vida
Respirando o ar, poder sublime
Amando o amor que nos une

---------------------------------------------------

Eu não seria tão narcisista a ponto de escrever algo desse nível sobre mim mesma, por isso agradeço a um fotógrafo amigo que há seis anos viu todas essas coisas em mim.

domingo, 12 de junho de 2016

Lost Canvas


Uma mulher pode sentir várias formas de amor. Amor próprio, amor materno, amor platônico, amor homem-mulher, amor de amiga, amor de mãe-de-bicho e até esse que me preenche quase que por completo, por uma história. Por personagens que carregam sozinhos os ideais de amizade, fidelidade e compaixão.
Meus queridos, como eu os amo! E como tudo parece mais ameno quando penso que, a pesar de tudo, vocês estão ali defendendo o amor e a justiça por Athena.  

sábado, 11 de junho de 2016

Livro de pedra


O problema de não se importar com o curso da história é ter a obrigação de caminhar sempre olhando para frente que é feito de nada. O caminho entre o passado, não de ruínas, mas de demolições, e o futuro vazio é um pouco perturbador. Se pendo para trás, não há onde apoiar, se pendo para frente caio num profundo poço de especulações. Uma professora incrível falou - por mais de uma aula - dos Livros de Pedra que apesar de parecerem fortes e indestrutíveis são mais frágeis que uma folha de papel. Querida, Luciana, eu já escrevi mais cartas do que plantei árvores, estou sentindo falta das pedras históricas.

Lustre


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Boa companhia

Vão para o caralho todas as músicas românticas. E que todos os amigos falsos cheguem a merda na velocidade da luz. Que as relações de interesse caiam por terra e um tribunal da justiça dos filhos da puta julguem as suas mães.
Que se fodam todas as declarações de amor do passado e as encenações ridículas de eternidade de sentimentos. Que se fodam todos vocês. Cansei. De verdade, eu cansei. Fiquem a vontade para me odiar agora, para falar do que eu fiz ou deixei de fazer e quantas bocas eu beijei. Porque, seus
 hipócritas, vocês estão sempre certos. Agora vocês podem falar o que quiser, se boazinha eu já era péssima, espera para ver o que eu posso fazer querendo ser ruim.
Ah, enfia sua carteirinha no cu.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ritual

Dia desses eu tomei ar e subi umas escadas. No final dessas escadas encontrei um lugar conhecido, pouco frequentado e cheio de recordações. Muita coisa aconteceu naquele local, conversas, sorrisos, olhares e até beijos. Era saudoso, aconchegante, confortável.
Sentei no chão para meditar e olhar a vista quando de repente senti uma presença ao meu lado esquerdo. Os fios dos braços se arrepiaram. Uma pessoa estava de pé, olhando para mim. Meus olhos estavam fechados, concentrados.
- Eu te vejo. - Disse mentalmente, esperando uma correspondência que foi não apenas um aceno de cabeça, mas o repouso da mão pesada no meu ombro.
- Eu te sinto.
E como se fosse automático, dos meus lábios saiu a última frase:
- Eu te perdoo.
A mão saiu do meu ombro e a presença continuou lá. Até que surgiu outra ao seu lado.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu me perdoo.
E assim memórias nítidas se posicionavam a minha frente, em semi-círculo, mantendo vivo aquele ritual de perdão e aceitação.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu te perdoo.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu te perdoo.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu... eu... me perdoo.
O perdão nem sempre foi para aquelas memórias, elas não estavam ali para pagar algo relativo ao meu passado, mas o contrário. Era necessário que eu me permitisse errar e pedir perdão a mim também. Naquele momento eu chorei ao me perdoar por erros passados e por perceber que aquelas memórias não poderiam se sustentar por mais tanto tempo na minha cabeça. Elas, assim como eu, precisavam ser libertas.
Após perceber que não havia mais memória a se apresentar eu me despedi e caí no sono. Foi um sono profundo, sem sonhos. Os fantasmas se foram.

Meg



A minha amiga não veio em forma de raposa nem de rosa, ela é uma passarinha!

Moreninha

Ela é um pouco tímida e muito séria. De vez em quando usa uma coisa no cabelo, gosta de casacos, sente muito frio. Parece se encontrar numa fase de acessórios, brincos e colares, lenços, pulseiras e até uma boina.
Ela é uma menina simples.
Eu não a vejo com muita frequência, e quando vejo dura pouco, porque como disse, ela é tímida e muito séria. Raramente se encontra no reflexo das vitrines ou fica na frente de espelhos... Pois, é uma pena que os livros não reflitam seu sorriso.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Transa à sós

Eu estava no sofá observando as minhas pernas dentro da calça legging e percebi que minhas carnes estão mais magras e com mais curvas. Levantei a blusa e me dei conta de que aqueles dedos de pele entre a blusa e o cós da calça - que deixavam meu umbigo a mostra - era muito sexy.
Um lado do casaco amarelo estava caído e o outro posicionado no lugar. Meus pés estavam nus e de repente todo movimento era suspeito. A iluminação era azul, do filme do Tim Maia, as músicas eram românticas, mas o pobre era extremamente obliterado por dentro.
Eu me via transando com meus princípios e isso começou quando eu não me importei, pela primeira vez, que a alça do meu sutiã estivesse numa zona visível, bem ali, preto, limpo, cheiroso, ao lado da manga de casaco caída. Eu podia ver meus olhos se abrindo e fechando entre as investidas, nossa, como aquilo era gostoso.
Os conceitos se esvaíam, as tranças se desfaziam, eu estava deitada sobre uma mesa de sinuca, completamente nua. O entrelaçar das pernas me fazia perceber o quanto as ideias eram relutantes.
"Oh, não, senhorita, desculpe." Essa era a resposta que eu dava ao deflorar-me.
A menininha se perdeu pelo caminho preto, pela alça de sutiã, pela vulgaridade - sem querer - de um ombro de fora. Ela não parecia triste em se entregar, pelo menos não para mim.
Não morra sem transar com seus princípios. Ainda que eles vençam, nunca se esquecerão da sensação do palpitar dos seios fartos de ternura e desejo de uma mulher inocente.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Piper


Monet

Era uma vez um homem que pintava quadros com a própria perspectiva. Esse pintor não seguia tendências anteriores, era o que chamamos... Excêntrico. Um belo dia resolveu expôr sua obra numa feira, galeria, sei lá, em algum lugar engomadinho desses que tem críticos. E os caras meteram o pau na arte dele. Disseram que aquilo não passava de uma "impressão" do que era a arte de verdade.
Monet tinha a opção de pegar o quadro, colocar debaixo do braço e nunca mais pintar nada parecido porque os "críticos" disseram blablabla. Ele também tinha a opção de ouvir, tirar algum proveito que fosse, se visse necessidade, e continuar pintando o que o coração mandava.
De um deboche surgiu o nome de um movimento e da crítica... Bem, nunca saberemos se Monet deu ouvidos, mesmo que não fosse para a parte técnica.
Não importa se um quadro dele hoje vale mais que todos os apartamentos do meu prédio. Isso não tem nada a ver com arte. Preço não tem nada a ver com arte.




Esse, por um acaso, é meu quadro preferido dele. Não sei se pela mistura de cores ou se pelo fato de estar amanhecendo, sei lá. Só sei que de todos os que vi esse me passou algo diferente.