quinta-feira, 26 de maio de 2016

Cor de burro quando foge

Se me pedissem para definir a minha vida em cores eu diria que na infância tudo era cor-de-rosa, amarelo claro e azul. Depois de um pouco crescida (e nem tanto quanto eu imaginava que era) as cores foram ficando escuras, frias, era lilás, em seguida roxo e logo - não muito demorado - chegou o preto.
Do preto e tentei sair pro verde e azul. Eu estava crescendo, então tudo indicava que eu tinha que ficar bege. Bege com branco porque é clássico.
Mas eu sempre fui tagarela, simpática - apesar de ser tímida demais para usar vermelho. A minha idade queria o vermelho. Eu queria arder de qualquer maneira, em alegrias ou em sofrimento. Bastaria que ardesse.
Minhas últimas semanas tiveram mais do preto e branco do que eu queria que tivesse e quase nada do cor de rosa, tão, tão raro.
Não dá pra forçar uma cor. Não dá pra forçar um estado de espírito. E tudo agora está sépia, oscilando entre o novo e o antigo.  Eu já não tenho coração ou inocência para viver o arco íris, os meus sentimentos querem sentir uma cor de cada vez, calmamente.
Gostaria que o sépia de agora se transformasse numa foto de casal numa formatura. Assim quem visse poderia imaginar as cores que quisesse e só eu saberia que seus olhos são azuis céu e ao nosso redor, viveríamos o vermelho rosado mais delicado do mundo.

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