terça-feira, 12 de janeiro de 2016

15 anos

Quando eu morava em São Gonçalo, fazia viagens quase sempre com minha mãe e meu padrasto. Em uma dessas viagens conheci Casimiro de Abreu.
Eu era uma criança, estava na quarta ou terceira série primária. Não sabia quem tinha sido o cara, nem porque a cidade tinha o nome dele.
Durante a viagem fui a um recital de suas poesias e ganhei um livro de capa azul. Eu lia achando as rimas bonitas e não entendia grande parte do que o poema realmente queria dizer. Ah, isso não importava.
Eu só sei que lia o livrinho sentada na cadeira da sala. As refeições eram feitas na cozinha, a televisão da sala só era ligada quando eu queria assistir uma das minhas três fitas cassete: Oliver e sua turma, Aristogatas e A Dama e o Vagabundo. Então eu poderia ler em silêncio porque ninguém ia pra lá mesmo.
Já faz muito tempo, mas o único que eu entendi e fiz questão de mostrar pra minha mãe foi um que falava de uma debutante. A moça fazia quinze anos e havia leveza e uma simplicidade tão grande que eu conseguia entender.
Um tempo depois eu me mudei para o Rio e o livro foi perdido junto com o álbum de figurinhas das princesas Disney.
Eu não sei que poema é esse, mas hoje eu tive uma aula sobre Casimiro de Abreu e ele me pareceu - de novo - um cara muito simples, leve e fantástico.

Amor e Medo
(Casimiro de Abreu, 1858)
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010728.htm
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