terça-feira, 12 de janeiro de 2016

10/12/2015

Há mais de um mês comecei esse texto e - claro - aquele velho fantasma do "vai ficar uma merda" veio me visitar. Mas, eu falei Buuu porque tenho a carta "Clérigo" e então não preciso enfrentar esse monstro nível 12.

"Descalça, em minha sóbria elegância, percorri o caminho de volta para nosso terreno. A memória trouxe imagens do passado: naquela terra havia frutas, força e perfume. A planta de um esconderijo para zumbis tinha se desenhado a prova de opiniões alheias...
Enquanto dos pés eu pouco sentia, em meu peito as fibras quase se arrebentaram. Sorte eu tinha - e muita - de não voltar sozinha.
Quando cheguei, você estava distraído, com cara de quem não sabia se prosseguia capinando o imenso espaço maltratado ou se colocava a mochila nas costas e simplesmente ia embora. Eu já não via o mesmo homem e, por pouco, não reconheci meu antigo lugar.
Havia uma casa pequena cujas paredes estavam desenhadas, escritas, com fotos e figuras penduradas. A tinta branca funcionava como rascunho para todas as ideias que ilustravam os nossos sonhos, o que planejávamos fazer naquela terra. Havia um violão, uma cadeira, uma mochila na varanda e a porta estava aberta.
O interior estava escuro... Não dava pra ver se tinha algo lá dentro. Ao redor dela, o mato crescia violentamente escondendo todas as minhas mudas de Jabô.
Meu coração palpitou e a minha irmã me segurou firme pelo braço.
- Quando você quiser eu te levo para casa. É só me falar, ta? Mas vamos tentar chegar lá pelo menos. Ele percebeu que não estava sozinho, Já estava com a mochila nas costas - a mesma - quando encontrou meus olhos marejados.
A reação dele foi esconder o rosto com as mãos e voltar-se de costas por alguns instantes. Aquilo me matou, achei que ele estivesse se lamentando por ter que me ver depois de tanto tempo livre desse incômodo.
Ele trocou palavras com a minha irmã, falou sobre um caderno da morte e eu tive ainda mais medo. Definitivamente minha presença era indesejada. Deus, como eu quis voar de volta pra casa para evitar um dia inteiro assim.
Minha irmã me alertou, disse que eu estava me precipitando e também que se o real interesse fosse me manter longe, ele não estaria há um metro de distância de mim.
Então eu fiquei e em menos de uma hora estava implorando pra ele não soltar minhas mãos (mesmo que fosse apenas para eu não cair no chão) e o mais impressionante foi que ele não soltou, está segurando até agora.
Nosso terreno está limpo, forte, cheio de mudas, de vida e, finalmente, do nosso amor."


Nenhum comentário:

Postar um comentário