segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Trust no bitch

Eu me sinto doente.
Sinto-me sofrendo de uma daquelas doenças que não tem cura nesse tipo de mundo.
Eu tenho dinheiro e não quero pagar minhas dívidas,
Tenho um problema sem solução que depende só da minha cabeça
e uma porra de uma memória que é fraca pra tudo que é importante
e o que eu não deveria lembrar está latente,
como uma tatuagem,
neon.
"Ser bom é diferente de ser otário", ouvi no ônibus esses dias
Em que momento você percebe que está beirando o limite de se foder?
Eu acho que a gente só percebe quando se fode.
Pois é,
No século XXI é assim:
Ou você é uma mulher que acredita e vive em paz com uma galhada maior do que todas as renas do papai noel (porque se você for do tipo que acredita, ele também será real)
Ou você não acredita e morre se perguntando porque não comprou um vestido de noiva e saiu por aí bebendo todos os drinks que não provou, mandando todo mundo ir à merda.

Freddy & Ópera

How can I go on?
How can I go on this way...

When all the salt is taken from the sea
I stand dethroned
I'm naked and I bleed
But when your finger points so savagely
Is anybody there to believe in me?
To hear my plea and take care of me?

How can I go on
From day to day
Who can make me strong in every way
Where can I be safe
Where can I belong
In this great big world of sadness
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're no where to be found
How can I go on?

Sometimes I start to tremble in the dark
I cannot see
When people frighten me
I try to hide myself so far from the crowd
Is anybody there to comfort me
Precious Lord... Hear my plea and take care of me

How can I go on
From day to day
Who can make me strong in every way
Where can I be safe
Where can I belong
In this great big world of sadness
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're no where to be found

How can I go on?


Fim de ano

Só queria dizer que 2016 foi uma merda mesmo e tem que acabar logo.
Eee, feliz ano novooo.

Frase de impacto

A coca-cola é vermelha, o natal não.


sábado, 26 de novembro de 2016

Muertos

"Los héroes sólo son héroes cuando se mueren o los matan. Y los héroes de verdad nacen en la guerra y mueren en la guerra. No hay héroes vivos, joven. Todos están muertos. Muertos, muertos, muertos."

Essa história de discutir heróis me deixou bem pensativa.

De mês a mês

Se me perguntasses o motivo de seguir com pensamentos tais que me fazem perder o sono eu responderia da forma mais simples e objetiva, porque a vida é assim, que tudo permanece vivo em nossa mente até que o corpo aguente. Quando chegar o tempo em que o corpo não suporte, esses são retirados abruptamente e tudo no mundo terá a aparência de uma chupeta banhada em licor de chocolate. O que já não fazia o menor sentido se mostrará real e eu ficaria desesperada por me dar conta de que havia esquecido desse punhado de coisas tão importantes como a morte, o amor e a capacidade humana de magoar o próximo.
Falando de amor, se me perguntasses porque amo, eu responderia - certamente - a verdade: que não sei. Às vezes parece ser coisa da idade, outras vezes, da minha pessoa, mas como tudo é muito especulativo, prefiro nem tentar justificar ou tomar posse de metáforas de poetas que eram loucos, no entanto mais sãos do que eu, para exemplificar a minha dúvida. Este impasse pode não ser resolvido, mas eu não me importo, porque se perguntasses, eu...

sábado, 5 de novembro de 2016

O cágado, Almada Negreiros

Havia um homem que era muito senhor da sua vontade. Andava às vezes sozinho pelas estradas a passear. Por uma dessas vezes viu no meio da estrada um animal que parecia não vir a propósito — um cágado.

O homem era muito senhor da sua vontade, nunca tinha visto um cágado; contudo, agora estava a acreditar. Acercou-se mais e viu com os olhos da cara que aquilo era, na verdade, o tal cágado da zoologia.

O homem que era muito senhor da sua vontade ficou radiante, já tinha novidades para contar ao almoço, e deitou a correr para casa. A meio caminho pensou que a família era capaz de não aceitar a novidade por não trazer o cágado com ele, e parou de repente. Como era muito senhor da sua vontade, não poderia suportar que a família imaginasse que aquilo do cágado era história dele, e voltou atrás. 0uando chegou perto do tal sítio, o cágado, que já tinha desconfiado da primeira vez, enfiou buraco abaixo como quem não quer a coisa.

O homem que era muito senhor da sua vontade pôs-se a espreitar para dentro e depois de muito espreitar não conseguiu ver senão o que se pode ver para dentro dos buracos, isto é, muito escuro. Do cágado, nada. Meteu a mão com cautela e nada; a seguir até ao cotovelo e nada; por fim o braço todo e nada. Tinham sido experimentadas todas as cautelas e os recursos naturais de que um homem dispõe até ao comprimento do braço e nada.

Então foi buscar auxílio a uma vara compridíssima, que nem é habitual em varas haver assim tão compridas, enfiou-a pelo buraco abaixo, mas o cágado morava ainda muito mais lá para o fundo. Quando largou a vara, ela foi por ali abaixo, exatamente como uma vara perdida.

Depois de estudar novas maneiras, a ofensiva ficou de fato submetida a nova orientação. Havia um grande tanque de lavadeiras a dois passos e ao lado do tanque estava um bom balde dos maiores que há. Mergulhou o balde no tanque e, cheio até mais não, despejou-o inteiro para dentro do buraco do cágado. Um balde só já ele sabia que não bastava, nem dez, mas quando chegou a noventa e oito baldes e que já faltavam só dois para cem e que a água não havia meio de vir ao de cima, o homem que era muito senhor da sua vontade pôs-se a pensar em todas as espécies de buracos que possa haver.

— E se eu dissesse à minha família que tinha visto o cágado? - pensava para si o homem que era muito senhor da sua vontade. Mas não! Toda a gente pode pensar assim menos eu, que sou muito senhor da minha vontade.

O maldito sol também não ajudava nada. Talvez que fosse melhor não dizer nada do cágado ao almoço. A pensar se sim ou não, os passos dirigiam-se involuntariamente para as horas de almoçar.

— Já não se trata de eu ser um incompreendido com a história do cágado, não; agora trata-se apenas da minha força de vontade. É a minha força de vontade que está em prova, esta é a ocasião propícia, não percamos tempo! Nada de fraquezas!

Ao lado do buraco havia uma pá de ferro, destas dos trabalhadores rurais. Pegou na pá e pôs-se a desfazer o buraco. A primeira pazada de terra, a segunda, a terceira, e era uma maravilha contemplar aquela majestosa visibilidade que punha os nossos olhos em presença do mais eficaz testemunho da tenacidade, depois dos antigos. Na verdade, de cada vez que enfiava a pá na terra, com fé, com robustez, e sem outras intenções a mais, via-se perfeitamente que estava ali uma vontade inteira; e ainda que seja cientificamente impossível que a terra rachasse de cada vez que ele lhe metia a pá, contudo era indiscutivelmente esta a impressão que lhe dava. Ah, não! Não era um vulgar trabalhador rural. Via-se perfeitamente que era alguém muito senhor da sua vontade e que estava por ali por acaso, por imposição própria, contrafeito, por necessidade do espírito, por outras razões diferentes das dos trabalhadores rurais, no cumprimento de um dever, um dever importante, uma questão de vida ou de morte — a vontade.

Já estava na nonagésima pazada de terra; sem afrouxar, com o mesmo ímpeto da inicial, foi completamente indiferente por um almoço a menos. Fosse ou não por um cágado, a humanidade iria ver solidificada a vontade de um homem.

A mil metros de profundidade a pino, o homem que era muito senhor da sua vontade foi surpreendido por dolorosa dúvida — já não tinha nem a certeza se era a qüinquagésima milionésima octogésima quarta. Era impossível recomeçar, mais valia perder uma pazada.

Até ali não havia indícios nem da passagem da vara, da água ou do cágado. Tudo fazia crer que se tratava de um buraco supérfluo; contudo, o homem era muito senhor da sua vontade, sabia que tinha de haver-se de frente com todas as más impressões. De fato, se aquela tarefa não houvesse de ser árdua e difícil, também a vontade não podia resultar superlativamente dura e preciosa.

Todas as noções de tempo e de espaço, e as outras noções pelas quais um homem constata o quotidiano, foram todas uma por uma dispensadas de participar no esburacamento. Agora, que os músculos disciplinados num ritmo único estavam feitos ao que se quer pedir, eram desnecessários todos os raciocínios e outros arabescos cerebrais, não havia outra necessidade além da dos próprios músculos.

Umas vezes a terra era mais capaz de se deixar furar por causa das grandes camadas de areia e de lama; todavia, estas facilidades ficavam bem subtraídas quando acontecia ser a altura de atravessar uma dessas rochas gigantescas que há no subsolo. Sem incitamento nem estímulo possível por aquelas paragens, é absolutamente indispensável recordar a decisão com que o homem muito senhor da sua vontade pegou ao princípio na pá do trabalhador rural para justificarmos a intensidade e a duração desta perseverança. Inclusive, a própria descoberta do centro da Terra, que tão bem podia servir de regozijo ao que se aventura pelas entranhas do nosso planeta, passou infelizmente desapercebida ao homem que era muito senhor da sua vontade. O buraco do cágado era efetivamente interminável. Por mais que se avançasse, o buraco continuava ainda e sempre. Só assim se explica ser tão rara a presença de cágados à superfície devido à extensão dos corredores desde a porta da rua até aos aposentos propriamente ditos.

Entretanto, cá em cima na terra, a família do homem que era muito senhor da sua vontade, tendo começado por o ter dado por desaparecido, optara, por último, pelo luto carregado, não consentindo a entrada no quarto onde ele costumava dormir todas as noites.

Até que uma vez, quando ele já não acreditava no fim das covas, já não havia, de fato, mais continuação daquele buraco, parava exatamente ali, sem apoteose, sem comemoração, sem vitória, exatamente como um simples buraco de estrada onde se vê o fundo ao sol. Enfim, naquele sítio nem a revolta servia para nada.

Caindo em si, o homem que era muito senhor da sua vontade pediu-lhe decisões, novas decisões, outras; mas ali não havia nada a fazer, tinha esquecido tudo, estava despejado de todas as coisas, só lhe restava saber cavar com uma pá. Tinha, sobretudo, muito sono, lembrou-se da cama com lençóis, travesseiro e almofada fofa, tão longe! Maldita pá! 0 cágado! E deu com a pá com força no fundo da cova. Mas a pá safou-se-lhe das mãos e foi mais fundo do que ele supunha, deixando uma greta aberta por onde entrava uma coisa de que ele já se tinha esquecido há muito - a luz do sol. A primeira sensação foi de alegria, mas durou apenas três segundos, a segunda foi de assombro: teria na verdade furado a Terra de lado a lado?

Para se certificar alargou a greta com as unhas e espreitou para fora. Era um país estrangeiro; homens, mulheres, árvores, montes e casas tinham outras proporções diferentes das que ele tinha na memória. 0 sol também não era o mesmo, não era amarelo, era de cobre cheio de azebre e fazia barulho nos reflexos. Mas a sensação mais estranha ainda estava para vir: foi que, quando quis sair da cova, julgava que ficava em pé em cima do chão como os habitantes daquele país estrangeiro, mas a verdade é que a única maneira de poder ver as coisas naturalmente era pondo-se de pernas para o ar...

Como tinha muita sede, resolveu ir beber água ali ao pé e teve de ir de mãos no chão e o corpo a fazer o pino, porque de pé subia-lhe o sangue à cabeça. Então, começou a ver que não tinha nada a esperar daquele país onde nem sequer se falava com a boca, falava-se com o nariz.

Vieram-lhe de uma vez todas as saudades da casa, da família e do quarto de dormir. Felizmente estava aberto o caminho até casa, fora ele próprio quem o abrira com uma pá de ferro. Resolveu-se. Começou a andar o buraco todo ao contrário. Andou, andou, andou; subiu, subiu, subiu...

Quando chegou cá acima, ao lado do buraco estava uma coisa que não havia antigamente — o maior monte da Europa, feito por ele, aos poucochinhos, às pazadas de terra, uma por uma, até ficar enorme, colossal, sem querer, o maior monte da Europa.

Este monte não deixava ver nem a cidade onde estava a casa da família, nem a estrada que dava para a cidade, nem os arredores da cidade que faziam um belo panorama. O monte estava por cima disto tudo e de muito mais.

O homem que era muito senhor da sua vontade estava cansadíssimo por ter feito duas vezes o diâmetro da Terra. Apetecia-lhe dormir na sua querida cama, mas para isso era necessário tirar aquele monte maior da Europa, de cima da cidade, onde estava a casa da sua família. Então, foi buscar outra pá dos trabalhadores rurais e começou logo a desfazer o monte maior da Europa. Foi restituindo à Terra, uma por uma, todas as pazadas com que a tinha esburacado de lado a lado. Começavam já a aparecer as cruzes das torres, os telhados das casas, os cumes dos montes naturais, a casa da sua família, muita gente suja de terra, por ter estado soterrada, outros que ficaram aleijados, e o resto como dantes.

O homem que era muito senhor da sua vontade já podia entrar em casa para descansar, mas quis mais, quis restituir à Terra todas as pazadas, todas. Faltavam poucas, algumas dúzias apenas. Já agora valia a pena fazer tudo bem até ao fim. Quando já era a última pazada de terra que ele ia meter no buraco, portanto a primeira que ele tinha tirado ao princípio, reparou que o torrão estava a mexer por si, sem ninguém lhe tocar; curioso, quis ver porque era — era o cágado.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Quem inventou o amor, me explica, por favor

Eu cantei, acariciei, dormi ao seu lado, fiz surpresas, escrevi textos, poemas, desenhos. Me dediquei, te cuidei, abri mão do que eu queria, te assisti, dei assistência, conselhos, colo. Massageei seu corpo buscando tomar toda energia ruim para mim, porque seu sofrimento era o motivo da minha infelicidade. Gostaria de saber para onde foi todo o meu amor. Será que alguém pode responder como todo meu amor não foi suficiente? 
Meu castelo era de papel, as árvores e o terreno de pura imaginação. Vivi sozinha duplos sentimentos e agora vivo sozinha a solidão e a tristeza que parecem ser do mundo inteiro.

domingo, 30 de outubro de 2016

Vida louca vida

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Quando ninguém olha quando você passa
Você logo acha "Eu tô carente"
"Eu sou manchete popular"
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar

Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual

Se alguém olha quando você passa
Você logo diz "Palhaço"
Você acha que não tá legal
Perde todos os sentidos a não ser o perigo
Você passa mal

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa
Você logo acha "Eu tô carente"
"Eu sou manchete popular"
Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Não noticiaram o furto das minhas lembranças

Havia um nome, uma referência, um endereço. Havia uma história por trás de tudo que acontecia, um propósito, uma ligação e o mundo girava em torno das coincidências. A medida que o tempo passou, as mensagens subliminares foram ficando opacas, o significado nos desenhos dos olhos desapareceu.
O clima ficou seco, as relações mais distantes, as memórias dispersas entre o poço do amor e do esquecimento. As gavetas do meu cérebro foram tão remexidas que tudo que tinha nome agora se resume à Falta.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Quando você olha pra estrada do lado de fora do carro

É como se sentir um bichinho. Não se sabe o que vai acontecer, onde você vai ficar, quem vai te aceitar, a quem você não vai perturbar. Uma vida modesta, com um nome e um endereço são as minhas ambições no momento.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O terceiro discípulo

Um jovem uma vez soube da existência da lenda de um grande mestre sábio que vivia no alto das montanhas. Ávido por conhecimento, o jovem percorreu um caminho difícil, desfavorável, árduo, mas sem desistir de tudo que poderia aprender com o velho sábio.
Chegando lá no topo da montanha descobriu que não havia provas de resistência física, nem mental. Na verdade não havia nada. Nem seguidores, discípulos, ninguém. Apenas os sinos de vento assoviando uma triste melodia.
O templo principal estava tão empoeirado que suas pegadas ficaram registradas no chão. No centro de duas grandes e grossas pilastras brancas havia uma pintura. Uma silhueta contornava o vento com um grande chapéu, de costas para a pintura. A silhueta estava de pé, apoiado num bastão de madeira. Abaixo da pintura havia um circulo dourado em chamas. Chamas incandescentes que não se alimentavam de nada, apenas queimavam.
- Boa tarde? - Ele chamou.
Não houve respostas.
- Eu gostaria de falar com o mestre. - Anunciou em voz branda.
Também não obteve respostas.
- Aguardarei pelas instruções. Até lá, espero não incomodar se esperar nessa sala.
O jovem sentou em meditação e esperou. Passaram-se quatro noites e três dias. A sua paciência não foi alterada. Ele não pronunciou mais nenhuma palavra dentro do templo, não tentou buscar pistas, não foi além do ponto onde havia parado no primeiro dia.
Era num dos pontos da meditação que se confundia com o sono que sentiu a escuridão cobrir seu rosto. Quando abriu os olhos percebeu que de frente pra ele havia um homem muito enrugado.
- Obrigado por vir até mim, mestre. - Disse fazendo uma reverência.
O ancião fez sinal para que se colocasse de pé e caminhou para fora do templo. Por muitos tempo caminharam em silêncio, parecia uma eternidade. Foram muito além das árvores, para um lugar onde o templo era apenas uma mancha entre as montanhas.
O jovem era paciente. Esperaria até que o mestre falasse para que pudesse ouvir e assim aprender. E com esse pensamento não disse uma palavra por mais três dias. Foi levado a um campo de treino onde viu uma tímida urna de pedra guardando as cinzas de alguém.
Em seguida foi levado a um penhasco alto o qual também, na ponta, reservava uma urna de pedra. O mestre viu que nenhum músculo do jovem se moveu, nem os da face. Não havia espanto ou surpresa.
- De que forma você quer morrer? - Perguntou o ancião cuja voz de dragão fazia o ar vibrar.
O jovem contemplou a maravilhosa vista do céu que dava no precipício, olhou para o campo de batalha no campo oposto.
- Eu não penso na morte, senhor.
O ancião fez um sinal de positivo com a cabeça e apontou com o velho cajado de madeira para o sol.
- Também não deve pensar na vida.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Van Halen

Dois anos para encontrar essa música. Caralho, dois anos. 


Why can't this be love?

And I, I am feeling a little peculiar



O caminho do letrando

Lê uma poesia
Inspira-se
Ouve o som da risada
Sente o perfume
Escreve
Fode-se

Journey

Nada, além de um dragão, me fazia mal. Eu podia cantar e voar. Meu avatar parecia inocente, humilde e determinado. Senti os caminhos debaixo dos meus pés, a dificuldade do terreno. Passei por um grande templo onde encontrei meu semelhante, escorreguei nas dunas, dei vôos altos. Se você pega as letras, pode voar mais. Simbólico, não? Se bem que não há um passo que não seja metafórico. Tive companhia, tive paciência. Minha jornada foi menor que a do meu namorado, mas os dois nos demos conta de que os pés vão sozinhos no final das nossas jornadas.


O meu saco

,que está cheio, pediu para ser esvaziado e eu não faço ideia de como fazer isso. O meu saco está transbordando. Não aguento mais essa merda. Acho que preciso de um saco novo ou pelo menos rasgar esse e remendar um fundo maior. Talvez só fazer um buraquinho na base e deixar escorrer o que tem dentro resolva o meu problema para sempre.

Texto sobre a mentira

Depois que você ficou doente tudo mudou. Não sei se para mim, se você foi sempre assim. Só sei que via em você alguém para admirar, com princípios, inteligente e principalmente verdadeira. Minha querida, você sempre falou a verdade para todos porque desde aquela época já julgava o mundo podre demais e não queria fazer parte do outro lado da população que dava força sendo lixo.
Te coloquei num pedestal, fiz de você a minha estrela, quis te preservar e lustrar para que, além de mim, todos vissem a sua luz. Você sempre foi tão forte e frágil, sempre voltando aos meus braços para pedir conselhos ou só um carinho.
Eu te vi feliz por finalmente ter dado o primeiro beijo, vi desenhar coisas lindas, criar histórias. Ajudei na sua festa surpresa (que você adorou, e veja só, me fez dançar). Ao mesmo tempo que te vi apagar, piscar, falhar. Tentei entender se era uma fase passageira e o seu brilho retornaria em algum momento. Mas não, você virou pó, como todas as outras pessoas comuns, porque quis.
Desculpa, mas não consigo me acostumar com a pior versão de você. Não foi só o brilho que foi embora, foi a estrela e tudo que nela havia.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Patins:

A qualidade é com a gente e a confiança toda sua. 

Que isso, sou muito boa nos marketings ambíguos. 

O meu lado egocêntrico

- Turma, o segundo livro de Borges se chama "El Aleph" e foi publicado em 1949. O que significa Aleph?
- A letra "a" em hebraico, professor. - Respondi naturalmente.

A última folha do caderno

É onde você encontra números de telefones, lembretes, lista de mercado, estrelas e corações. É lá que você escreve aquele assunto que não pode esperar a aula acabar e a sua amiga, que está do seu lado, TEM que saber. As suas iniciais num coração. Ou sem o coração porque agora isso é brega. Até em árvores que dirá em folhas de caderno. É lá que você descobre a música que ouvia, o menino que amava, que pendências você deixou para o outro dia.
Você é burro de pensar que na última folha do caderno daquela CDF que senta na primeira fileira não tem nada só porque ela é uma menina certinha. Desconfie, seja esperto, as últimas folhas guardam as melhores ideias, os segredos mais surpreendentes.

Receita da opressão

Eu gostaria de estar nua. É mais confortável, aumenta - com o passar do tempo - o nível de aceitabilidade do meu corpo. Talvez, se passasse mais tempo nua, não sentiria tanta vergonha de mim mesma na praia ou na hora de fazer amor.
Acho que todos deveriam ter horas diárias de nudez em suas casas. Para se amar mais, se gostar mais. Mas estou vestida e na faculdade. Queria ficar parada, olhando o nada e tirando meleca se sentisse que algo lá dentro está me incomodando. Aqui as pessoas debatem e argumentam falando e escrevendo, mas olham torto se te vêem em silêncio.
Minha solução foi abrir um texto qualquer e pôr no colo para fingir estar olhando para uma direção (e quem passasse ainda acharia exemplar) e depois colocar os óculos escuros na cara para o caso de querer fechar os olhos e pensar mais intensamente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Garcilaso de la Vega

Soneto I

Cuando me paro a contemplar mi estado
y a ver los pasos por do me han traído,
hallo, según por do anduve perdido,
que a mayor mal pudiera haber llegado;

mas cuando del camino estó olvidado,
a tanto mal no sé por do he venido;
sé que me acabo, y más he yo senttido
ver acabar comigo mi cuidado.

Yo acabaré, que me entregué sin arte
a quien sabrá perderme y acabarme
si quisiere, y aún sabrá querello;

que, pues mi voluntad puede matarme,
la suya, que no es tanto de mi parte,
pudiendo, ¿ qué hará sino hacerllo?


Notas:
do: donde
estó: estoy
me acabo: en este caso, consumirse, caminar hacia la muerte; en el siguiente verso vale por morir y en v.10 por matar.
comigo: conmigo
sin arte: sin engaño ni recelo
y aún sabrá querello: y claro que sabrá quererlo
hacello: hacerlo

domingo, 18 de setembro de 2016

A mesma idade que a idade do céu


Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Ranhan! Anhan! Hum! Hum!

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...

Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah!

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...(2x)

A mesma idade
Que a idade do céu
Calma!

sábado, 17 de setembro de 2016

22

When she was 22 the future looked bright
But she's nearly 30 now and she's out every night
I see that look in her face she's got that look in her eye
She's thinking: How did I get here? And wondering why

It's sad but it's true how society says
Her life is already over
There's nothing to do and there's nothing to say
Til the man of her dreams comes along picks her up and puts her over his shoulder
It seems so unlikely in this day and age

She's got an alright job but it's not a career
Wherever she thinks about it, it brings her to tears
Cause all she wants is a boyfriend
She gets one-night stands
She's thinking: How did I get here?
I'm doing all that I can

It's sad but it's true how society says
Her life is already over
There's nothing to do and there's nothing to say
Til the man of her dreams comes along picks her up and puts her over his shoulder
It seems so unlikely in this day and age

It's sad but it's true how society says
Her life is already over
There's nothing to do and there's nothing to say
Til the man of her dreams comes along picks her up and puts her over his shoulder
It seems so unlikely in this day and age

domingo, 11 de setembro de 2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Estudos antropológicos advertem:

Assistir filme pornô seguido de música romântica só quer dizer que você está carente.

domingo, 4 de setembro de 2016

Ar e fogo, terra e água

É um tanto quanto desconfortante saber que alguns entendem a ideia da passagem pela vida das pessoas e encaram isso como algo natural. As vezes parece cruel a simplicidade com que entram ou saem, você se sente... uma estrada e não um porto. Sem querer desmerecer o ensinamento da viagem, mas dói perceber a necessidade de ser um ponto final para alguém que vê a vida como um carro.

Que a minha água flua por pequenos rios, que eu alimente pequenas nascentes e finalmente desemboque num mar infinito.

Efeitos canalizados pela menstruação

Vestida para o Oscar com a segurança de uma folha no meio do outono. O que está acontecendo? Milhões de frases sem nenhuma cor.
Querida, você sempre foi cheia de assuntos. Não calava a porra da boca um minuto porque queria falar de tudo para todos que quisessem ouvir.
"Fala pra caralho"
"Respira, cara"
"Você está muito quieta, ta doente?"
A sua roupa pode ser de ouro, as pessoas vão te ver, mas não te ouvir. O que você tem a dizer? O que tem feito para rechear a sua cabeça de novidades? Esse é o seu corpo, essa é a sua vida: uma memória de merda com muita capacidade de estudar, um corpo bonito que deveria dançar, meditar.
O que você está dizendo? O que você está fazendo? Por que está fazendo assim?
Volta pra dança. Volta a estudar japonês. Volta a escrever. Volta a ser e fazer coisas que fazem de você mais do que uma menina que se veste bem.

04/09/2016

 Ontem eu fui a casa da Karen e ela decidiu parar tudo que estava fazendo para escrever em seu diário.
Mas ela tem um tumblr, por que escrever num caderno para que ninguém veja? Talvez algo mais secreto, mais íntimo, menos interessante ao olhar internauta. Ela pode achar que não vale a pena postar, que as pessoas vão julgá-la e outros mil motivos. Comecei a me lembrar de quando tive um diário. A última vez, foi o Caderno.
O meu blog não tem funcionado como um diário. Não como o anterior... Estranho. Por quê? Páginas na internet não contém só textos inteligentes, com mensagens subliminares ou surpresa no final, Mariana. Por que esperar para postar no seu blog apenas uma poesia, uma música bonita ou um texto que você passou horas remendando? Você nunca teve medo de escrever aqui, por que se limitar agora? Precisa deixar de ser boba. Antes você só sentava, escrevia tudo o que vinha pela cabeça e pimba, postava. Fazia bem... Alívio.

domingo, 21 de agosto de 2016

Às 23h

Eu não estava nervosa e, surpreendentemente, não tremia. Poucas vezes na vida me senti tão segura do que queria. Aguardei perfumada, penteada e bem vestida. Recebi-o carinhosa, falando doce. Esperei que ele dissesse as palavras que já sabíamos que seriam pronunciadas aquela noite.
Questionei-me se caberíamos os dois na cama de solteiro e em resposta ele me puxou pela cintura. Claro, agarrados dava e sobrava espaço. No meio do ocorrido abri meus olhos por alguns minutos e quase não acreditei que o que via era real. Ele estava diante de mim, completamente entregue. Senti como se estivéssemos valsando: os movimentos eram reflexivos. Se ele se virava, me virava junto. No dia seguinte soube que não sou tão carinhosa quanto ele gostaria que eu fosse. Desculpe-me, querido, se cometi alguns erros, foi a minha primeira vez. Eu nunca tinha dormido ao lado de um homem.

Eu tenho sede

Pode ser que eu corte o meu cabelo e mude de estilo, que eu vire aeromoça, diretora de escola ou dona de loja. Pode ser que eu me mude, faça um concurso público ou vá fazer mestrado em outro país. Pode ser que eu acredite numa causa e passar o resto da minha vida a defendendo.
Pode ser que eu doe sangue ou qualquer órgão do meu corpo a qualquer momento. Pode ser que eu adoeça, escreva um livro e descubra a razão da vida ou posso simplesmente passar meus dias existindo. O apocalipse, fim do mundo, terceira guerra mundial, pode ser que eu seja demitida. Adote um cachorro, seja vó de calopsitinhas, tire fotos com uma lhama de verdade. O mundo gire para o inverso, a lua se perda pela via láctea e vá morar em Marte. Quebre a unha, ensine uma criança a ler, compre todos os itens da minha lista de desejos.
Tudo pode mudar, tudo pode ser passageiro ou permanente, tudo pode. A única coisa que não pode, mas é, é o meu conhecimento. Quero saber para sempre, em todos os lugares, com qualquer tipo de cabelo, crença ou posses.

domingo, 7 de agosto de 2016

Shhh

É muita exposição, é muita pena, é muito do que não se deve para escrever. A censura excita a vontade, a crítica arde, ácida, na obra de arte. O poeta, passa de frágil, pobrezinho, é dependente. A pesar de doer mais para escrever, de suar mais para compôr, de ter muito mais coragem para ser sensível e sentimentalista do que essas rochas firmes de pedra pomes. E é por isso que de amor eu não falo mais. Nunca mais.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Emoticon do facebook

O coração é mais de quem manda e espera subir do que do seu receptor que não pode vê-los. O amor é recíproco não quando a tecla funciona e o outro, por um acaso, pode ver os corações subindo, mas quando ele também faz o coração esperando outros subirem por você.
Não é pra você ver e pelo que ele sente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

SACANAGEM

 Martha Medeiros

Vou falar de amor, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. O momento é ideal para falar de sacanagem.
Se dei a impressão de que o assunto será ménages-à-trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludi-los. Pretendo, sim, falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que o amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes do 30 anos. Não contaram pra nós que o amor não é racionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, só é mais rápido.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que o casamento era obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre deve haver um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existem mais cabeças tortas do que pés.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.
Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples – só é ruim quando feito sem vontade.
Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Shh

Silêncio, mundo! Eu estou amando.


Versinhos que o amor que vive em mim me fez escrever

Começou de forma sutil, uma florzinha de mato e depois uma sensação. Deixei que a cor invadisse o meu mundo e você a trouxe como nome num buquê fino. O casaco, o esmalte, as maçãs do meu rosto. Em breve até o meu sangue mergulhará nesse mar cor de rosa que o seu amor me meteu. Eu te amo com a inocência de uma menina que sente o perfume da margarida. Te amo como se ama a natureza, do jeito que é, na espera paciente do florescer, admirando sem arrancar, me alimentando com o que tem pra dar. Assim viveremos em harmonia, para sempre.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Protectina

Quando você estiver ficando desesperado (a) e começar a andar para os lados, sentir o coração palpitar e o rosto corar, pare. Quando a respiração ficar irregular e os olhos não distinguirem meio metro a sua frente, pare. E ainda quando seu corpo explodir em lágrimas e suor, pare.
Pare o coração, a respiração, os olhos e as lágrimas.
O medo nos deixa cegos.
E o medo não está preocupado com o seu problema, não está preocupado com a solução do que te causou o desespero. Por isso, pare. Eu precisei parar para descobrir que me desesperar não vai resolver o meu problema. Eu preciso levantar, fazer meus trabalhos, minhas matérias, ir nos meus médicos e me desligar de problemas pequenos,
Tudo está parecendo um livro de auto-ajuda. Que se foda. Tudo é muito complicado, o que parece ou deixa de parecer não deve ser assim tão importante.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Just the way you are

As vezes me pego pensando se consigo pôr para fora, em palavras, tudo que sinto. Já descobri que não sou muito boa falando, mas há outros recursos... Eu posso falar com o corpo, com os dedos. Você consegue sentir todo o meu carinho? Consegue sentir esse amor puro? Estou desejando ouvir sua risada sincera e despretensiosa de novo. Estou querendo você na minha frente agora para te fazer um carinho e ler seus olhos.


domingo, 10 de julho de 2016

Só acato ordens, senhor

Quando o coração manda você relê um texto, uma duas vezes. De trás pra frente, de frente pra trás, do meio pro final.
Quando o coração manda você dança na cozinha e aproveita que seus pais saíram de casa pra ficar de calcinha porque assim você se move, trabalha e se aceita melhor.
Quando seu coração manda, você escuta uma música que não sabe o nome, mas cantarola todos os "tanãnãs" até encontrar uma palavra que seja para que o Google faça seu trabalho.
Quando seu coração manda, você fala e faz o que tem que ser feito. Tremendo, suando, gaguejando, mas você faz.
O que o seu manda. Preocupe-se mais com isso.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Overdose

Era pra ser uma pausa no trabalho da faculdade. Eu estava cansada, enjoada, já não tinha certeza se o que estava fazendo era bom ou se fazia algum sentido, então eu pensei: nada melhor que uma música pra dar uma acalmada, não é mesmo?
Pois bem.

https://www.youtube.com/watch?v=okawX34uhq4

Quando o vídeo acabou eu estava tonta.
Wasted Time - Skid Row

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Enquanto eu estudo

Verbos de ligação são aqueles que não indicam ação. Fazem ligação entre 2 termos: sujeito e predicado. Até aí tudo bem, né?
Para Mateus et alii (que é uma mulher, acredite) os verbos podem ser: predicadores, de ligação, suporte e semi auxiliar.
Os predicadores são aqueles que podem ou não exigir argumentos (e suas condições semânticas e morfossintáticas, ou seja, o sentido que eu chamo de "ideal" do verbo, exemplo: verbo ligar nas frases "Eu liguei para o celular de Karen" e "Eu não liguei para o que a fulana disse". Na primeira frase seria o sentido ideal e na segunda um sentido que foi acrescentado com o tempo ao verbo - algo como se importar. Mas isso tudo é da minha cabeça, tá? Mateus el alii não falou nada disso, ela se refere a isso com a nomenclatura "sentido pleno", "sentido não-pleno")
Os de ligação são aqueles que operam num predicado complexo e se conectam SEMPRE a um elemento não verbal. (que seria o predicativo do sujeito). Exemplo: Mariana é estudiosa. (olha que mentira) "Estudiosa" é um adjetivo que se relaciona com o nome (que está exercendo papel de sujeito > Mariana)
Então eu parei e pensei

"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
e a falta que eu fiz nessa semana
coisas que pareceriam óbvias
até pra uma criança

Por onde andei?
enquanto você me procurava (...)"

Porra, o primeiro andei é muito diferente do segundo. Ou será que não? O cara não pode ter caminhado todo torto (errado) ou esse verbo está apenas ligando as informações "dizer" e "errado"?
No segundo é óbvio, pela frase seguinte pescamos a ideia de direção, andar com sentido pleno.
Essa foi a primeira dúvida.

Prosseguindo com os estudos...

Os verbos suporte também se ligam com elementos não verbais, usando verbos predicadores. Eles constroem frases enfáticas, que poderiam ser substituídas por outras menores e de mesmo significado (perdendo apenas o valor semântico do esforço)
Exemplo: Eu fiz ver a saída X Eu mostrei a saída    
                Eles fizeram menção a "Curtindo a Vida Adoidado" nos créditos de Deadpool X Mencionaram "Curtindo a Vida Adoidado" nos créditos de Deadpool
                O SBT não dá créditos as versões originais mexicanas que copiam descaradamente em versões brasileiras X O SBT não credita (...)
Os verbos semi auxiliares se unem se unem aos predicadores ou a estruturas complexas para acrescentarem algum tipo de significado extra (que não pode ser reconstruído através de outra forma mais simples)
Ex: vai estudar (sentido de futuro)
       pode ser feliz (possibilidade)

Outro problema:
"Queria saber voar 
pra lá do alto poder ver você
te ver sorrir, te ver sonhar
coisas lindas quero te dizer

se um anjo encontrar
eu vou pedir pra ele te proteger
oh estrela que me faz enxergar
que a vida é linda de viver."

Fudeu. Que a professora não conheça essa música.

domingo, 26 de junho de 2016

I am like fire

I like fire
I'm like fire
I am fire
Me sentia só e descobri que o que precisava era de fogo. Acendi uma vela e esperei me surpreender com uma grande chama. Por dez minutos tudo que aconteceu foi: nada. A minguada não vingava, não ardia. Busquei mais fogo no fogão e descobri que não fazia diferença, a chaminha era teimosa (ou seria preguiça?). Abri a gaveta e peguei uma vela de reza, grande, nova, forte. Daquela chaminha minguada de repente surgiu o fogo das minhas expectativas. Pronto, agora ela tinha uma companhia. Quem sabe agora crie forças para permanecer ao lado da outra? O tempo foi passando, a chaminha permaneceu acesa.
Pequena.
A outra seguiu forte, brilhosa e, curiosamente, a que mais me instigou foi a primeira que as vezes parecia apenas um pavio incandescente, as vezes parecia uma pequena vida, uma pequena morte, uma incrível dualidade humana enquanto a outra se consumia loucamente.

    

domingo, 19 de junho de 2016

Diário de sonhos

Seguindo o conselho da Mayra, cá estou eu catalogando mais um sonho para que daqui a 20 anos eu descubra que na verdade sou um tipo de oráculo da Grécia antiga que prevê acontecimentos inúteis através de sonhos. Yeah.
Ok, vamos lá.

"De novo eu estava voando. Eu já procurei o que isso significa, mas cada site ou livro fala uma coisa diferente. E são tantos detalhes! Voar sozinho, voar acompanhado, voar com um grupo, voar triste, voar pensativo, voar feliz, cair em queda livre. Cada um desses tipos tem um significado diferente. Nesse sonho eu voava da minha casa para trocar de roupa e passar por um prédio que tinha grades e portas de ferro. O zelador não gostava nem um pouco de mim e trancava todas as possíveis entradas para o pátio do prédio que não era lá essas coisas, até bem feio.
Eu fiquei presa numa dessas grades porque meu quadril estava estranhamente grande e não passava. Estava muito frio e, por isso, eu vestia muitas roupas. Tive que tirar minhas roupas para passar pela grade e não ser pega pelo zelador, foi vergonhoso.
Bem, a angústia de ser capturada também era bem ruim.
Depois que saí dali sobrevoei uma cidade fria, com edifícios antigos (como no Centro do Rio ou Buenos Aires). As pessoas conversavam paradas pelas esquinas em grupos e se esquentavam com um tipo de lixeira-fogueira de metal. Eu só sei que teve um "corte" no sonho e eu desapareci. De repente observava um desses grupos de esquina e flagrei olhares nervosos entre uma mocinha e um rapaz. Eles estavam em grupos diferentes, mas com amigos em comum. Achei engraçado como a menina se forçava a não olhar naquela direção e minutos depois lá estava ela, tentando ver a ponta do casaco dele, ou um pedaço da cabeça, qualquer coisa, discretamente.
O rapaz desapareceu e ela começou a se concentrar nas pessoas a sua volta, nas conversas.
"Eu acho que isso vai render um bom dinheiro"; "Não sei o que vai acontecer com a casa se ela falecer..."; "Por que não marcamos naquele café? Tem karaokê!" (...)
Sentiu, de repente, uma sensação morna. Era um vapor pouco denso que esquentava, penetrou os ouvidos e provocou, por um momento, um estado de êxtase.
- Por que você está tão distante?
Claro, era o hálito quente daquele que observava. A voz era firme, convicta e ao mesmo tempo muito inocente. Ele não estava forçando uma sedução barata, não, o rapaz estava passando dos limites de relações interpessoais entre estranhos para que os demais não percebessem a intimidade que existia apenas no olhar. Aqueles olhares haviam sido o convite para uma relação de cumplicidade que ambos permitiram.
E no tempo de um "corte de sonho" estavam sobre uma cama de solteiro, sob cobertas pesadas, de pernas entrelaçadas.
- Se você pressionar com movimentos contínuos, vai ser ótimo. Assim, me dê sua mão.
Ele estendeu a mão e ela apertou a palma em movimentos circulares. O rapaz fechou os olhos em prazer e deixou o estímulo percorrer todo corpo."

Então acordei. Lembrei da cara do zelador, do prédio, das grades, da cidade fria, dos grupos que conversavam pelas esquinas, da moça e do rapaz que conversavam na cama e percebi que não conhecia nenhum deles na vida real.
Sonhos. Nem sempre querem dizer alguma coisa.

sábado, 18 de junho de 2016

No me compares




Agora que gemem mais pálidas nossas memórias
Que há neve no televisor
Agora que chove na sala e se apagam
As velas do barco que me iluminou
Agora que canta o tempo chorando seus versos
E o mundo enfim despertou
Agora perdido em um silêncio feroz
Que quer desatar esses nós

Agora enxergamos direito
E podemos nos ver por detrás do rancor
Agora eu te digo de onde venho
E dos caminhos que a paixão tomou
Agora o destino é ermo
E nos encontramos neste furacão
Agora eu te digo de onde venho
E do que é feito o meu coração...

Vengo del aire
Que te secaba a ti la piel, mi amor
Yo soy la calle, donde te lo encontraste a él
No me compares, bajé a la tierra en un pincel por ti
Imperdonable, que yo no me parezco a él
Ni a él, ni a nadie

Ahora que saltan los gatos
Buscando las sobras, maúllas la triste canción
Ahora que tú te has quedao sin palabras
Comparas, comparas, con tanta pasión

Ahora podemos mirarnos
Sin miedo al reflejo en el retrovisor
Ahora te enseño de dónde vengo
Y las heridas que me dejó el amor
Ahora no quiero aspavientos
Tan sólo una charla tranquila entre nos
Si quieres te cuento por qué te quiero
Y si quieres cuento por qué no

Você não sabe
Por onde andei depois de tudo, amor
Eu sou a chave, da porta onde encontraste alguém
Não me compares
Não busque nela o olhar que dei a ti
Imperdoável que eu não seja igual a ela
Então não fale, que alguém te toca como eu toquei
Que se acabe e que tu partas sem saber
E para sempre, ninguém te toca como eu toquei
Que se acabe...
Yo soy tu alma tú eres mi aire!

Que nos separen, si es que pueden
Que nos separen, que lo intenten
Que nos separen, que lo intenten
Yo soy tu alma y tú mi suerte
Que nos separen, si es que pueden
Que nos desclaven, que lo intenten
Que nos separen, que lo intenten
Yo soy tu alma y tú mi suerte

terça-feira, 14 de junho de 2016

Fases - Hymn to the sea

Algumas coisas existem na nossa vida para passar mensagem de esperança e de amor. Essas coisas têm épocas para surgir e se surgem no momento errado, acabam passando alguma informação útil, mesmo que não seja a principal. 
É assim que eu me sinto assistindo a Titanic ou lendo "O pequeno príncipe". Meu coração pede pelo filme, só mais uma vez, só para perceber fatos que passaram despercebidos das últimas vezes, para - quem sabe - conseguir resgatar essa mensagem especial. 


Quinceañera

Meiga, sorriso de princesa
Assim é ela
Reservada em sua beleza
Insistente em sua confiança
Analisa os versos, monta as palavras
Num resplandecer de sonhos
Alma feminina surge

Contando estórias de tempos de paz
Unindo gestos em desejos de amizade
Nenhum momento é menos importante
Humor contido, mas verdadeiro
Andando a vida com desvelo

Divina luz que clareia encantos
Unge nas essências cristalinas
Toda felicidade desta vida
Respirando o ar, poder sublime
Amando o amor que nos une

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Eu não seria tão narcisista a ponto de escrever algo desse nível sobre mim mesma, por isso agradeço a um fotógrafo amigo que há seis anos viu todas essas coisas em mim.

domingo, 12 de junho de 2016

Lost Canvas


Uma mulher pode sentir várias formas de amor. Amor próprio, amor materno, amor platônico, amor homem-mulher, amor de amiga, amor de mãe-de-bicho e até esse que me preenche quase que por completo, por uma história. Por personagens que carregam sozinhos os ideais de amizade, fidelidade e compaixão.
Meus queridos, como eu os amo! E como tudo parece mais ameno quando penso que, a pesar de tudo, vocês estão ali defendendo o amor e a justiça por Athena.  

sábado, 11 de junho de 2016

Livro de pedra


O problema de não se importar com o curso da história é ter a obrigação de caminhar sempre olhando para frente que é feito de nada. O caminho entre o passado, não de ruínas, mas de demolições, e o futuro vazio é um pouco perturbador. Se pendo para trás, não há onde apoiar, se pendo para frente caio num profundo poço de especulações. Uma professora incrível falou - por mais de uma aula - dos Livros de Pedra que apesar de parecerem fortes e indestrutíveis são mais frágeis que uma folha de papel. Querida, Luciana, eu já escrevi mais cartas do que plantei árvores, estou sentindo falta das pedras históricas.

Lustre


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Boa companhia

Vão para o caralho todas as músicas românticas. E que todos os amigos falsos cheguem a merda na velocidade da luz. Que as relações de interesse caiam por terra e um tribunal da justiça dos filhos da puta julguem as suas mães.
Que se fodam todas as declarações de amor do passado e as encenações ridículas de eternidade de sentimentos. Que se fodam todos vocês. Cansei. De verdade, eu cansei. Fiquem a vontade para me odiar agora, para falar do que eu fiz ou deixei de fazer e quantas bocas eu beijei. Porque, seus
 hipócritas, vocês estão sempre certos. Agora vocês podem falar o que quiser, se boazinha eu já era péssima, espera para ver o que eu posso fazer querendo ser ruim.
Ah, enfia sua carteirinha no cu.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ritual

Dia desses eu tomei ar e subi umas escadas. No final dessas escadas encontrei um lugar conhecido, pouco frequentado e cheio de recordações. Muita coisa aconteceu naquele local, conversas, sorrisos, olhares e até beijos. Era saudoso, aconchegante, confortável.
Sentei no chão para meditar e olhar a vista quando de repente senti uma presença ao meu lado esquerdo. Os fios dos braços se arrepiaram. Uma pessoa estava de pé, olhando para mim. Meus olhos estavam fechados, concentrados.
- Eu te vejo. - Disse mentalmente, esperando uma correspondência que foi não apenas um aceno de cabeça, mas o repouso da mão pesada no meu ombro.
- Eu te sinto.
E como se fosse automático, dos meus lábios saiu a última frase:
- Eu te perdoo.
A mão saiu do meu ombro e a presença continuou lá. Até que surgiu outra ao seu lado.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu me perdoo.
E assim memórias nítidas se posicionavam a minha frente, em semi-círculo, mantendo vivo aquele ritual de perdão e aceitação.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu te perdoo.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu te perdoo.
- Eu te vejo. Eu te sinto. Eu... eu... me perdoo.
O perdão nem sempre foi para aquelas memórias, elas não estavam ali para pagar algo relativo ao meu passado, mas o contrário. Era necessário que eu me permitisse errar e pedir perdão a mim também. Naquele momento eu chorei ao me perdoar por erros passados e por perceber que aquelas memórias não poderiam se sustentar por mais tanto tempo na minha cabeça. Elas, assim como eu, precisavam ser libertas.
Após perceber que não havia mais memória a se apresentar eu me despedi e caí no sono. Foi um sono profundo, sem sonhos. Os fantasmas se foram.

Meg



A minha amiga não veio em forma de raposa nem de rosa, ela é uma passarinha!

Moreninha

Ela é um pouco tímida e muito séria. De vez em quando usa uma coisa no cabelo, gosta de casacos, sente muito frio. Parece se encontrar numa fase de acessórios, brincos e colares, lenços, pulseiras e até uma boina.
Ela é uma menina simples.
Eu não a vejo com muita frequência, e quando vejo dura pouco, porque como disse, ela é tímida e muito séria. Raramente se encontra no reflexo das vitrines ou fica na frente de espelhos... Pois, é uma pena que os livros não reflitam seu sorriso.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Transa à sós

Eu estava no sofá observando as minhas pernas dentro da calça legging e percebi que minhas carnes estão mais magras e com mais curvas. Levantei a blusa e me dei conta de que aqueles dedos de pele entre a blusa e o cós da calça - que deixavam meu umbigo a mostra - era muito sexy.
Um lado do casaco amarelo estava caído e o outro posicionado no lugar. Meus pés estavam nus e de repente todo movimento era suspeito. A iluminação era azul, do filme do Tim Maia, as músicas eram românticas, mas o pobre era extremamente obliterado por dentro.
Eu me via transando com meus princípios e isso começou quando eu não me importei, pela primeira vez, que a alça do meu sutiã estivesse numa zona visível, bem ali, preto, limpo, cheiroso, ao lado da manga de casaco caída. Eu podia ver meus olhos se abrindo e fechando entre as investidas, nossa, como aquilo era gostoso.
Os conceitos se esvaíam, as tranças se desfaziam, eu estava deitada sobre uma mesa de sinuca, completamente nua. O entrelaçar das pernas me fazia perceber o quanto as ideias eram relutantes.
"Oh, não, senhorita, desculpe." Essa era a resposta que eu dava ao deflorar-me.
A menininha se perdeu pelo caminho preto, pela alça de sutiã, pela vulgaridade - sem querer - de um ombro de fora. Ela não parecia triste em se entregar, pelo menos não para mim.
Não morra sem transar com seus princípios. Ainda que eles vençam, nunca se esquecerão da sensação do palpitar dos seios fartos de ternura e desejo de uma mulher inocente.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Piper


Monet

Era uma vez um homem que pintava quadros com a própria perspectiva. Esse pintor não seguia tendências anteriores, era o que chamamos... Excêntrico. Um belo dia resolveu expôr sua obra numa feira, galeria, sei lá, em algum lugar engomadinho desses que tem críticos. E os caras meteram o pau na arte dele. Disseram que aquilo não passava de uma "impressão" do que era a arte de verdade.
Monet tinha a opção de pegar o quadro, colocar debaixo do braço e nunca mais pintar nada parecido porque os "críticos" disseram blablabla. Ele também tinha a opção de ouvir, tirar algum proveito que fosse, se visse necessidade, e continuar pintando o que o coração mandava.
De um deboche surgiu o nome de um movimento e da crítica... Bem, nunca saberemos se Monet deu ouvidos, mesmo que não fosse para a parte técnica.
Não importa se um quadro dele hoje vale mais que todos os apartamentos do meu prédio. Isso não tem nada a ver com arte. Preço não tem nada a ver com arte.




Esse, por um acaso, é meu quadro preferido dele. Não sei se pela mistura de cores ou se pelo fato de estar amanhecendo, sei lá. Só sei que de todos os que vi esse me passou algo diferente.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Quadro e cuspe

É o nome de uma técnica de ensino ultrapassada, muito antiga. Você tem um quadro, giz, sua garganta e conhecimento a passar do seu cérebro para outros milhares que mal podem se mover a sua frente.
Essa tem sido a minha técnica por aqui. Eu me sento, digito, corrijo e posto. Sem fotos, sem gifs, sem qualquer coisa que possa trazer, por acidente, estranhos a minha sala de aula particular.
Essa é uma aula entre mim e a vida. Esse é o meu diário e eu temo que mais indivíduos saibam dele. Então, se você é um estranho e chegou aqui por um acaso, por favor, vá com calma, eu não sei se quero saber que você esteve aqui, nada pessoal. Afinal, não sou assim tão mal educada, estou até me preocupando em deixar um recado para alguém que nem existe, olha só.

Alfonsina Storni

Tú me quieres alba, 
me quieres de espumas, 
me quieres de nácar. 
Que sea azucena 
Sobre todas, casta. 
De perfume tenue. 
Corola cerrada .

Ni un rayo de luna 
filtrado me haya. 
Ni una margarita 
se diga mi hermana. 
Tú me quieres nívea, 
tú me quieres blanca, 
tú me quieres alba. 

Tú que hubiste todas 
las copas a mano, 
de frutos y mieles 
los labios morados. 
Tú que en el banquete 
cubierto de pámpanos 
dejaste las carnes 
festejando a Baco. 
Tú que en los jardines 
negros del Engaño 
vestido de rojo 
corriste al Estrago. 

Tú que el esqueleto 
conservas intacto 
no sé todavía 
por cuáles milagros, 
me pretendes blanca 
(Dios te lo perdone), 
me pretendes casta 
(Dios te lo perdone), 
¡me pretendes alba! 

Huye hacia los bosques, 
vete a la montaña; 
límpiate la boca; 
vive en las cabañas; 
toca con las manos 
la tierra mojada; 
alimenta el cuerpo 
con raíz amarga; 
bebe de las rocas; 
duerme sobre escarcha; 
renueva tejidos 
con salitre y agua:
 
Habla con los pájaros 
y lévate al alba. 
Y cuando las carnes 
te sean tornadas, 
y cuando hayas puesto 
en ellas el alma 
que por las alcobas 
se quedó enredada, 
entonces, buen hombre, 
preténdeme blanca, 
preténdeme nívea, 
preténdeme casta.

Longevidade

Eu quero sentir meus dias passando como têm de passar. Quero ler livros pesados deitada na minha cama, perder horas fazendo as próprias unhas do pé, tricotando um cachecol, cozinhando um novo prato, bordando uma toalha de presente de aniversário.
Quero não ter o que fazer, inventar artesanatos, jogar cartas e dominó, aprender a andar de bicicleta e estudar. Ler os textos da faculdade na mesa da sala em silêncio, ouvindo o rádio da moça que limpa aqui em casa lá longe e logo depois viver aquela agitação do colégio com minha coleção de crianças. 
Deus, permita que eu ame em meu tempo, me dedique integralmente a mim, ao meu amor e ao próximo. Eu gostaria de pedir, nessa oração, que o senhor me permita viver vinte e quatro horas por dia e não "oito horas de trabalho", "oito de sono", "duas de descanso".
Amém =)