sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sabedoria popular

Estava no táxi voltando da feira esotérica (que a propósito foi muito legal - eu deveria ter feito um post sobre ela) quando o taxista escutou minha conversa com o Lester e perguntou se poderia contar uma experiência.
Eu não me lembro o assunto que estávamos tratando, mas o relato do taxista está na minha mente até agora. Foi assim:
"Quando era garoto eu morava numa cidade de interior. E eu tinha amigos na minha rua, a gente brincava sempre juntos e conhecíamos a família um do outro. Só que eu tinha um amigo que morava numa casa grande, bonita, com a mãe e o padrasto. O padrasto dele não gostava muito de mim não, sabe? Vivia dizendo que a gente ia acabar quebrando o vidro da janela brincando de bola.
Eu fui um dia na casa deles e pedi pra chamar esse meu amigo, sabia que ele estava em casa. O padrasto dele virou pra mim e disse que não estava na hora de brincar, que eu tinha a vida muito mole e deveria me preocupar em trabalhar, fazer a vida. Foi muito grosso.
Saí de lá com muita raiva. E então eu falei assim pro vento: Um dia ainda mato esse velho. E o vento foi lá e contou pra ele.
Não demorou três dias eu voltei pra brincar com meu amigo e o velho me chamou pra falar em particular. Ele disse
-Você tem que aprender a medir suas palavras. Não pode sair por aí dizendo que vai matar as pessoas."

Eu não consegui parar de pensar na frase: "E então eu falei assim pro vento: Um dia ainda mato esse velho. E o vento foi lá e contou pra ele"
Esse taxista seria um perfeito contador de histórias. Eu seria uma que sentaria no chão pra ouvi-lo narrar.

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