domingo, 22 de novembro de 2015

Mayra com Y

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir me,
A vós, cravos preciosos, quero atar me,
Para ficar unido, atado e firme.

Gregório de Matos.

Estávamos analisando esse poema na aula de Literatura Brasileira I e então, brilhantemente, Mayra entrou no espírito da interpretação e fez uma observação:

- A falta de hífen nos versos finais podem simbolizar a aproximação do autor com a figura de Jesus Cristo na cruz. Você pode observar que nos primeiros versos o hífen está presente, nos dois últimos não.

E o professor:

- Não, pelo amor de Deus. Isso é um erro de digitação. Vamos interpretar poemas, mas vamos com calma.

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