quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Breaking Bad

Dessa vez o ventilador estava desligado, eu não estava tentando fugir de uma briga e eu ia trabalhar sete horas e meia no dia seguinte. Eu não chamo isso de normalidade, mas perto das outras vezes que eu estava vendo série, eu consegui pensar mais nela e em algo relativo do que na inconsistência do espaço.

Era o terceiro episódio e eu já tinha me visto em dois dos personagens principais. Comecei a me fazer perguntas superficiais baseada no "tema" da série e fiquei um dia inteiro sem perceber que meus questionamentos são, quase sempre, muito exagerados e distantes do que está a minha frente.
O personagem principal tem câncer de pulmão e resolve fabricar drogas para conseguir muita grana para... Sei lá... Não deixar o filho e a esposa (grávida) na merda.

Então eu me perguntei: "O que eu faria se soubesse que iria morrer num prazo de... Dois anos?" As respostas foram as mais opostas possíveis, você pode imaginar, entre me formar e parar de estudar, ler ou aceitar todos os spoilers para não 'perder' horas descobrindo o que poderiam ter me contado em alguns minutos.

Hoje, no quarto episódio, eu parei de me perguntar e me coloquei no lugar do personagem.
Eu vou morrer em dois anos. Tem um cara que sabe que eu vendo drogas, sabe que eu matei seu primo e sabe, também, que eu quase o matei.

Minhas opções:
1 - Mato o cara
2 - Solto-o sabendo que ele pode vir atrás de mim e de toda minha família no segundo seguinte.

Esse cara tem um nome, é o Domingo, e tem uma história também. Tem uma família, um passado. Ele começa a conversar comigo, ciente das minhas opções, e tenta me convencer de que, se eu o soltar, ele esquece tudo que aconteceu (incluindo o fato de eu já ter matado seu primo e o deixado em cativeiro, preso pelo pescoço, por alguns dias).

O fato é que eu acreditei no cara. Não sei afirmar se era o que o diretor queria fazer, influenciando todas as pessoas que vissem o episódio a querer soltar e acreditar no cara ou se foi obra só da minha inocência.
Na série, Domingo estava armado esperando que o personagem principal o soltasse para matá-lo logo em seguida, exatamente igual a opção número dois. Isso. Só isso. Essa cena me fez pensar em quantos Domingos vão passar por mim e quantas vezes eu vou saber julgar quem é o sincero e quem vai querer me foder logo em seguida.
Difícil, muito difícil.

Só um p.s.: São duas e nove da manhã, boa noite. To morrendo de sono.


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