domingo, 27 de setembro de 2015

Em outros tempos

Hoje eu gostaria só de agradecer. Obrigada, Deus, por me deixar viver o dia de hoje. Eu experimentei a sensação de um banho frio num dia de calor, o equilíbrio numa corda bamba e o coração acelerado. Muito obrigada, meu Deus, por conseguir perdoar e sentir uma leveza tão grande que os únicos pés que me prendem nesse mundo são os dos objetivos.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Velas trêmulas

Finalmente fiz minha primeira apresentação da dança do ventre. Foi numa academia aqui no Rio... Eu estava tão nervosa, mas tão nervosa que tremi muito, mas graças a Deus, eu estava segurando taças com velas em chamas e as minhas mãos pesaram o suficiente para não ficar aparente o meu nervosismo.
A minha roupa era preta e prata, era comportada, não havia decote, nem o risco de nada aparecer. A maquiagem estava leve em cinza e preto... E fiz cachos nas pontas do cabelo. Muitas pessoas não saíram de seus aparelhos para dar atenção, outras ficaram estáticas observando, filmando ou tirando fotos.
Eu sorri e tentei manter uma expressão suave, não sei se consegui 100% do tempo, mas tentei.
Me senti muito bem, muito feliz por tentar dançar em público, com fogo e com a pancinha de fora, mas deu tudo certo e essa é a melhor parte.
A música era romântica, lenta e tinha um charme que me lembrava a Espanha <3




sábado, 19 de setembro de 2015

O universo na casca de noz

Desculpe, Stephen Hawking, mas eu acho que eu to sacando tudo de teoria do impossível (que tem a chance de 0,00000000000000001% de acontecer) e esse título é completamente perfeito para esta situação:

- Então, Mari, eu preciso ir embora.
- Ta bem. Já está tarde, vou chamar um táxi.
- Ah ta. Eu espero, melhor. Mas... Você sabia que o Pedro trabalha com o pai, que é taxista, atendendo ligações?
- Sério, eu não sabia. Pera, atendeu aqui.

"- Alô? Táxi Confiança, boa noite.
- Boa noite, com quem eu falo?
- Hã... Pedro.

Longa pausa


(Gesticulando para a Tai para o telefone sem proferir sons)
- O NOME DO CARA É PEDRO.

Muitos risos
Daí eu comecei a rir. E a chamei para atender o telefone no meu lugar.

- Ah. Oi. Eu quero um táxi para ***, por favor.
- (ele fala alguma coisa)
- Por um acaso seu sobrenome é **?
- (ele concorda)
- Ah! Oi, dindo. O táxi é pra mim, é a Tai.

De todas as cooperativas do Rio de Janeiro, foi a do Pedro. De todos os atendentes disponíveis para atender o telefone, foi o Pedro. E colocando essa coincidência absurda em números, algorítimos, e binários e essa porra ai, temos a teoria da IMPOSSIBILIDADE.

Obrigada.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Monitoria

(...)

- E tem os poríferos também.
- Qual é a principal característica deles?
- Eles tem buraquinhos para filtrar e tal...
- Melhor que isso. Eles tem poros. Senão seria buraquíferos.

Porque tudo acontece em setembro




Enciclopédia das Cores

Da altura das nuvens, onde vivia, partiu para um lugar igualmente calmo e puro: uma pequena fazenda de algodão cujos pais eram, também, pastores de ovelhas. A menina observava os cordeirinhos aprendendo a andar, a seguir a mãe e a compartilhar com ela mesma o precioso leite que bebiam. Naquele tempo dava para acreditar que além dos ursos, no meio da neve, havia, também, um senhor bonzinho com uma longa barba a preparar presentes para as boas crianças.

Muitas colheitas aconteceram no seu quintal e quando deu por si, já estava mirando os preciosos botões de pérola de seu vestido de noiva. O enxoval das núpcias estava arrumado sobre a cama para depois de seu primeiro banho de espuma. Dito sim ela passou a noite abraçada a seu amado sob a luz de uma brilhante lua cheia e assim uma certa pomba voou em direção aos céus para que novamente Pégasus se unisse a ela na missão de enviar, para o ventre daquela moça, um sonho.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Pequeno


Banheiro de ônibus

Você entra. Aí alguém fecha a porta com você lá dentro e fica tudo escuro.
- Raquel. Ta escuro aqui. Se eu tivesse claustrofobia eu já tinha morrido.
- Ah. Verdade. Mas pra acender a luz basta trancar a porta.
Plim. A luz acendeu mesmo. Ai ta né. Você percebe que o sanitário é pequeno e redondo e tem muitos lugares para segurar ao redor do banheiro. Escolhi dois e tentei. Pra quê?
O ônibus nunca fez tantas curvas comigo lá dentro e pra piorar meu xixi não queria sair reto... Ia mais pra esquerda, sei lá como fez isso.
Bem, tudo terminado, hora de lavar a mão. Cadê a água?
- Ah, legal, tem um botão escrito "água".
Aperta e... UHUL, água.
- Agora para sozinho né? Ele deve soltar uma quantidade de água pra lavar a mão e para né...
Não parava.
APERTA O BOTÃO, APERTA O BOTÃO.
Parou. Ufa.
E agora pra sair... Nossa, como a porta é dura. Vou empurrar com o ombro né.
BLAM. Abriu :3

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Um casal de filhos e uma mãe solteira

Ouvir que o filho mais velho, o que tinha sumido, só estava escondido no seu armário. Com medo do que você falaria, com medo de que você olhasse dentro dos olhos dele e visse nele a personificação das brigas com o ex marido.
O filho mais velho sofre um tipo de excomungação que o mais novo nem sonha. Porque quando o mais novo nasce, a mãe já está quase sarada, e suspira. Ela lembra com tristeza, mas sem lágrimas.
O filho mais velho participa da dor enquanto o mais novo tem uma breve noção do que ela é.
O filho mais velho sempre compreende. Porque ele viveu a separação. O que é uma pena... Porque ele não era um motivo. Nunca foi o produto de um problema, mas o resultado de quando o ódio ainda era amor.